O emoji de assustada

Não aprecio especialmente os Emojis (e ainda lhes chamo Smiles, mas percebo que os que estão tristes, assustados ou zangados não podem ter nome de sorriso); uso-os muito raramente no Facebook e vou, a partir de agora, desusá-los completamente, e tudo por causa de uma história terrível que me contaram há uns dias. Um colega editor e jornalista, que trabalha actualmente num projecto para crianças e adolescentes, tem uma amiga e colaboradora que é psicóloga clínica e tem estado a estudar muito a sério a dependência dos ecrãs (em particular) e dos aparelhos tecnológicos (em geral) por parte dos mais novos. Contou-lhe ela que, nestes tempos smartfónicos que atravessamos, alguns miúdos já não têm contacto visual entre eles, vivem de cabeça mergulhada nos monitores de telefones, iPads e computadores, e que já atendeu no seu consultório crianças a quem fez um teste: mostrava-lhes fotografias de pessoas aborrecidas, enojadas, tristes, irritadas, felizes, sorridentes – enfim, um sem-número de estados – e era suposto que as crianças em causa identificassem essas emoções-sensações. O problema é que muitas já não são capazes de reconhecer num rosto humano o que a pessoa está a sentir… E, porém, debitam na ponta da língua todos os Emojis possíveis e imaginários que lhes mostram… No futuro, teremos todos um círculo amarelo em lugar de cara? Fiquei muito assustada.

Comentários

  1. Emílio Gouveia Miranda9 de maio de 2018 às 02:08

    A tecnologia tem uma estranha forma de nos demonstrar a nossa estupidez...
    Lamentavelmente é se se esgota um dia a nossa capacidade de a reconhecer...
    Bom dia.
    Obrigado pelo olhar atento e consciente.

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  2. Será que (para essa gente) a vida deixou de ser vida?

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  3. António Luiz Pacheco9 de maio de 2018 às 05:00

    Enfim... não sejamos tão pessimistas assim, mas temos de nos preocupar com essa situação que nos relata.
    Com efeito, a geração pré-adolescente actual vive dependente do telemóvel, e, têm de estar em linha uns com os outros ao momento, o que é irritante para nós e deve ser razão para nos preocuparmos e tomarmos medidas.
    A vida hoje não é "vida" é virtual, e as pessoas adultas também vivem alheadas da realidade, imaginando um Mundo e uma vida como se esta fosse uma série de TV ou coisa parecida.
    Os psicólogos já apontavam o "efeito Bambi", como um síndroma que distorce a realidade, provocada pelos filmes de animação da Disney que levaram crianças (hoje adultos) a imaginar que os animais pensam e sentem como eles, e pior, que na Natureza o Bumba é amigo do leão... o que choca com a ciência e provoca conflitos sociais, levando ao que muitos dizem ser um retrocesso civilizacional, que são as filosofias animalistas.
    Neste caso, está a perfilar-se uma geração tecnológica, maquinal e desprovida de sentimentos humanos, robotizada e que apenas será sensível a si mesma e ás suas emoções, sem valorizar nem respeitar os sentimentos alheios.
    É arrepiante... há livros (nossa paixão) onde isso é tratado, sob a forma de ficção, porém a realidade muitas vezes supera a ficção!
    O Mundo asséptico, maquinal, automático e desumanizado está aí... espero bem que já não no meu tempo, mas não sei, pois hoje tudo acontece a grande velocidade e os acontecimentos ultrapassam-nos!

    Saudações preocupadas, cá da Cidade Morena.

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    1. Os animais são sencientes, meu caro. Não misture emojis com seres vivos.

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  4. è bem verdade tudo o que diz, no entanto os Emojis ou Smiles nasceram com um propósito, que é contextualizarem uma frase escrita. Na época digital de posts e mensagens curtas é muito fácil existir mal entendidos. Mesmo que os interlocutores se conheçam, é relativamente fácil a mensagem escrita gerar mal entendidos, pois nem sempre distinguimos o que é uma afirmação séria ou a brincar ou irónica.

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    1. António Luiz Pacheco9 de maio de 2018 às 06:29

      Prezado Mário, li com atenção o que diz e compreendo, até concordo em parte, mas repare que, quando a comunicação é, digamos, básica (caso dos ditos-cujos), é fácil haver mal-entendidos quer da parte do emissor quer do receptor.
      Um emoji ou lá como se chama, é uma interjeição, um boneco que exprime uma emoção curta e muito directa, demasiado escassa até. Pode substituir as palavras claro, mas como referi apenas de uma forma muito básica, sem justificar nem explicar, exprimindo apenas a expressão facial correspondente. Creio que não preciso de lhe dizer que a linguagem como forma de expressão é completada por gestos, expressões faciais e as vocalizações, há toda uma linguagem corporal que transmite no seu todo e plenamente aquilo que se pretende expressar.

      O que me parece, e deduzo do post-temático, é que se está a enveredar por um minimalismo na comunicação, reduzindo-a ao mais básico, justamente o contrário daquilo que estou a fazer, estimando ser entendido... pode considerar-me uma séca, claro, e admito, mas em gente como nós que gosta de ler, escrever, de comunicar e trocar idéias, era de esperar a reacção aos tais emojis, que têm utilidade, mas não devem ser usados como substitutos da expressão da palavra e da comunicação olhos-nos-olhos ou corre-se o risco de acontecer o que é referido!

      Saudações calorosamente escritas cá da Cidade Morena!

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  5. Tudo isto faz parte da geração unhas de gel. E mais não digo.

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    1. E disse tudo!
      Efectivamente esta da geração "unhas de gel" está sublime, e mais real não poderia ser retratada (mesmo que não tenha unhas).

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  6. Gosto dos smiles. Ilustram um sorriso por escrito (embora não sejam nem parecidos com ele). E não penso deixar de usá-los. Como não penso deixar de fazer uso dos recursos digitais que conheço e reconheço como úteis à minha vida embora em graus diversos. Segundo li há anos, é na amígdala cerebral que se forma a capacidade para reconhecer as emoções nos outros (se é que ainda me lembro do que estudei). Gente com danos nessa região é incapaz de exercer tal função. Fico a pensar se a amígdala (ou o que seja) será afectada pelo uso excessivo da tecnologia. Ou se é apenas fruto de desábito na observação do mundo em geral e dos outros em particular.

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  7. Estou perplexa! Todo este escarcéu por causa de uns bonequitos tão giros?
    Até parece que vai acabar o mundo.
    Lembram-se dos tamagochi?
    Também houve um grande alarido e afinal as crianças continuam a adorar os animais de verdade.
    E atenção, não sou nenhuma miúda, diria mesmo que já sou velhota, mas gosto imenso dos emoji - tal como em jovem gostava do smile.

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  8. Também gosto dos emojis, penso que, não se abusando, podem completar uma mensagem, como usamos os gestos, quando falamos. Quantas vezes a expressão facial nos ajuda a descodificar uma mensagem?
    Também não penso em deixar de usá-los, acho que esse é o caminho errado, ou seja, fazer desaparecer aquilo que pode perturbar as crianças e os jovens. Compete aos pais e educadores saber dosear aquilo que pode impressionar/prejudicar, mas que faz parte da vida. E a tecnologia faz parte da vida, cada vez mais. Não concordo em eliminar emojis apenas para colmatar erros naqueles que têm a responsabilidade de educar.

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  9. Percebo muito pouco sobre emojis, smiles e afins.... É os estudantes nem acreditam, para eles é quase uma necessidade...

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  10. Gosto muito deste blog, dos seus comentadores residentes e da grande maioria dos posts da Maria do Rosário, mas do meu ponto de vista, este tema é sempre tratado com tanto exagero! As pessoas têm muito medo da mudança, e do que não conhecem, e acredito que digam muitas vezes mal do uso que os miúdos dão às “tecnologias”, por não conseguirem elas próprias tirar tão bom partido das mesmas… e por já não terem a sua juventude, a sua irreverencia, e se esquecerem que também elas, um dia, ignoraram olimpicamente o que a geração anterior considerava essencial à vida. Eu tenho 50 anos, gosto de uma boa conversa olhos nos olhos, mas adoro os emoji. Não passo sem o whatsapp, onde tenho por exemplo um grupo com mais de 50 colegas de liceu, e passamos (muitos) óptimos momentos a trocar brincadeiras (e a rir sozinhos, e é tão bom quando a gargalhada surge num momento em que estávamos entediados), a desejar feliz aniversário (em média 1 por semana), a pedir pequenos favores e a fazer grandes favores, a combinar boleias e almoços (onde usamos os telefones apenas para tirar fotos para partilhar com os elementos do grupo que vivem longe), e a enquadrar tudo com imensos emojis. A sério, acho que a “tecnologia” facilita imenso a vida, é uma forma de comunicação nova e diferente, sim, mas não é por isso obrigatoriamente má, nem vai dar cabo das vidas das nossas criancinhas (mas concedo que possa ser um bom bode expiatório ;) ). Se se permitirem usá-la, se a discutirem de facto com os vossos filhos, verão que encurta imenso certas distancias, e dá cor e alegria a muitos momentos (é bom para os tímidos, por exemplo). Percam o medo, larguem o preconceito, e experimentem – é o meu conselho – e vão ver como é bom :) . Filipa

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    1. Ó Filipa

      Que me diz do Alberto Pimenta que vive (em Lisboa a olhar o mar) sem telemóvel, sem televisão sem internet?

      Será porque o Alberto Pimenta terá medo da mudança, e do que não conhece? Será por já não ter a sua juventude, a sua irreverência?

      Será que se esqueceu que também ele, Alberto Pimenta, um dia, ignorou o que a geração anterior considera essencial à vida entrando absolutamente em pânico quando o tlm lhe sai debaixo d'olho? Alberto Pimenta? Acredita mesmo, Filipa?

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    2. Não, caro ASeve, não tome o que eu disse pelo que não disse. Apenas comentei as pessoas que criticam activamente e particularmente os jovens, apenas porque acham que eles abusam das tecnologias para comunicar (e dei a minha opinião e experiência sobre o assunto). Não comentei, nem critiquei de todo, as pessoas que, sendo ou não jovens, simplesmente não as usam.
      Mas já agora, eu também adoro ficar apenas a olhar o mar, gosto muito de ler e escrever, e gosto de o fazer sossegada e em silêncio. Não sou escrava do telefone nem da internet, e apenas ligo a televisão para ver alguns filmes ou séries selecionados (não gosto de programas de entretenimento e para as notícias, prefiro a net). Mas não vivo isolada, pelo que de vez em quando preciso de me conectar com o resto do mundo, e aí as tecnologias ajudam, e muito. Convivo mais e melhor devido a elas, e acredito que os jovens criticados, também o façam. Confesso que viveria bem pior sem telemóvel ou internet (e até sem televisão). Mas se há pessoas que vivem felizes assim, ainda bem (que são felizes)! (Se desperdiçam a potencialidade desses meios de comunicação apenas para fazer um statement, acho triste). Mas tem a certeza que o Alberto Pimenta vive assim?
      Filipa

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    3. Efectivamente eu não tenho certezas!

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  11. Interessante o tema do post, embora apenas toque a superfície. Interessante o conjunto de comentários e as suas razões.
    Gostaria de relembrar aquilo que ocasionalmente lemos por aí sobre aqueles desenhos que por vezes se pedem às crianças. Por exemplo, desenhar uma galinha. Se vos apresentarem um animal embalado como no supermercado, não se surpreendam. É normal. Se por acaso perguntarem a uma criança ou a um jovem adulto de onde provém o leite achocolatado, talvez ouçam como resposta, que é da vaca.
    Que gerações formadas na violência de jogos play station tenham pelos outros ou pela vida o mesmo respeito que os bonecos do ecrã, também não é de surpreender.
    São coisas diferentes. Serão?

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