Na Fundação Nobel

Prometi há dias, a propósito das recentes demissões no Comité Nobel e do anunciado atraso no anúncio do vencedor do Prémio Nobel da Literatura (que só será feito  no ano que vem) que falaria aqui de mais uns escândalos relacionados com a Fundação Nobel. O primeiro tem que ver, logo em 1901, com a celeuma que originou a atribuição do prémio da Literatura ao francês Sully Prudhomme, considerado um reaccionário por mais de meia centena de intelectuais suecos, quando deveria ter sido entregue a Tolstoi (realmente, quem saberá hoje quem foi o poeta gaulês?). Dez anos depois, Marie Curie, vencedora do Nobel da Química (galardoada pela segunda vez), é aconselhada pela Fundação a não se deslocar a Estocolmo para a cerimónia depois de uma revista ter revelado que mantinha um caso com um homem casado (mas ela esteve-se nas tintas e foi na mesma). Boris Pasternak, o autor do conhecido Doutor Jivago, considerado pelo regime soviético um pró-ocidentalista, vencedor do galardão em 1958, aceita o prémio, mas depois, prevendo as consequências que isso lhe trará, acaba por recusá-lo... A lobotomia praticada (e premiada!) pelo português Egas Moniz foi duramente criticada pelos cientistas mais avançados em todo o mundo, até porque as experiências foram feitas com internos em hospícios sem o consentimento de ninguém e colocaram graves problemas de ética. Jean-Paul Sartre recusou o Nobel da Literatura em 1964 em nome da liberdade e Soljenitsin, dissidente soviético, foi obrigado a recusá-lo para não ter de se exilar em 1970. E há mais, sobretudo no que toca ao Nobel da Paz, mas o meu preferido é o do decote da ministra da Cultura sueca, considerado completamente desadequado à cerimónia de entrega dos prémios no ano de 1992…Ora vejam:


 


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Comentários

  1. Sartre recusou mas depois arrependeu-se, é bom não esquecer.

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    1. Eu ia precisamente mencionar esse caso insólito do Sartre.
      Ah l'argent, l'argent...

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  2. Em que será que um decote - que me parece normal - colide com o Nobel. Há cada parvidade...

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  3. Ahahah, confesso que esta do decote é um novidade para mim.

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  4. António Luiz Pacheco8 de maio de 2018 às 05:36

    Acho o decote escandaloso! O mais grave de todos os casos aqui narrados... inacarditável!

    Bom, são as curiosas histórias de bastidores... eu sabia que havia algo em relação à Mdme. Curie, mas julgava que era por ser mulher! Nos demais, só o caso Soljenitsin me era conhecido, recordo bem essa lamentável situação aliás como a de Pasternak que eu não sabia, mas também não me admiro.

    Decotes generosos incluso, estas histórias devem ser divulgadas sobretudo junto dos jovens, que certamente se indignarão imenso, mas não percebem que existe na actualidade uma tentativa de impor uma ditadura do politicamente correcto, daquilo que para alguns é ecológica, sexista e sei lá que mais segundo as suas ideias.
    Se amanhã recusarem um Nobel da ciência a alguém que fez experiências com minhocas, ou a um médico que tenha ido caçar um leão, a quem tenha cantado o amor heterossexual, pintado ou esculpido o corpo masculino ou feminino, que dedique um romance a um toureiro... porque fuma, porque bebe álcool, come carne, é católico, não goste de refugiados islâmicos nem de ciganos, sei lá eu, pois que se indignem igualmente!

    Já agora... e a nomeação para o Trump? Ahahahah! Essa é que era em cheio e muito me ia eu rir!

    Saudações incorrectas cá da Cidade Morena!

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  5. Egas Moniz não inventou a lobotomia, mas a leucotomia pré-frontal. Único método eficaz para amenizar doenças psiquiátricas graves, numa altura em que não havia psicotrópicos nenhuns e alternativa era manter os doentes acorrentados em hospícios. Foi mal usada e abusada por médicos americanos e é daí que lhe vem a má fama. A psicocirurgia (com outras técnicas) continua a ser uma opção terapêutica, em casos seleccionados de doenças psiquiátricas. Devemos a Egas Moniz a angiografia cerebral, fundamental para o diagnóstico e tratamento de várias patologias cérebro-vasculares.

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  6. Numa revista TIME já antiga veio uma reportagem em que se dizia que o Nobel devia ser retirado a certas personagens, incluindo um certo António Moniz, português. Quanto ao decote da senhora, desculpem-me o desabafo, mas parece mais um traseiro ao peito!.

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