Bons encontros
Há encontros felizes e este foi um deles. Estava eu nas Correntes d’Escritas a apresentar o fresquissimamente publicado A Febre das Almas Sensíveis (esta febre é a tuberculose e algumas das almas sensíveis escritores de língua portuguesa que a contraíram), de Isabel Rio Novo, quando, na altura dos autógrafos, uma senhora veio ter comigo. Era a Dra. Leonor Furtado, Inspectora-Geral das Actividades em Saúde (IGAS) e ali mesmo se disponibilizava para acolher uma sessão em torno romance em Lisboa; não só por a IGAS ser uma entidade ligada à saúde, o que já seria uma razão compreensível, mas sobretudo porque as suas instalações foram em tempos justamente o hospital dos tuberculosos, junto ao Cais do Sodré, e, como tal, vinha o mais possível a propósito falar lá, onde tudo aconteceu, deste magnífico romance que foi finalista do Prémio LeYa em 2017. Depois de alguns contactos e muita simpatia, essa apresentação, num formato diferente do habitual, decorrerá hoje a partir das 17h00 na biblioteca do IGAS e contará, além da da referida inspectora-geral e da jornalista Isabel Nery (que é quem modera a conversa), com a presença da Dra. Graça Freitas, Directora-Geral da Saúde, que também falará desta doença que foi um flagelo e que, se não tivermos cuidado, poderá voltar a sê-lo. Espero que possam vir e aí segue o convite para que nos acompanhem.

Encontro fasto, sequência produtiva. Ir a narrativa ao local onde esteve uma raiz que a originou, eis um passo da própria ficção.
ResponderEliminarDe início pareceu-me que estava a ler a nossa Estimada Cláudia... ahahahah! Desculpe Amalivros, a minha brincadeira.
EliminarSaudações Amigas cá da Cidade Morena!
Agora a sério:
ResponderEliminarNão acredito no acaso, as coisas acontecem porque têm de acontecer, ou como se diz: estava escrito!
E, bem escritas, acrescento... afinal um bom desenlace para uma situação e um pretexto saudável (literalmente!) para divulgar o romance que parece interessante!
Votos de sucesso para ele e para a autora!
Saudações saudáveis cá da Cidade Morena!
PS: A tuberculose ainda é um flagelo por cá! Aqui não se escolhe ser vegetariano nem vegan... come-se o que há, que é escasso e mau! As crianças mamam até tarde e são desmamadas com quissangua (uma bebida de farinha de milho), alimentam-se de funje (papa de milho ou de mandioca) com lombi (uma gisalhada de cebola, tomate e folhas) e pouco mais, eventualmente peixe seco... não podem escolher, não há glúten free e quem seja intolerante à lactose morre mesmo! Os mucubais e outros povos pastores, coitados, não sabendo que o leite faz mal à saúde, alimentam-se de malúle (leite com farinha de milheto) e na sua ignorância conseguem ser sãos e escorreitos, imagine-se, não sofrem de tuberculose mas morrem de sífilis...
Enfim, a escolha voluntária de seguir um regime alimentar pobre é apanágio dos que têm tudo, e podem recorrer ao médico se se derem mal. Os que nada têm não podem escolher. Óbviamente...
E como tem razão o seu comentário. Acrescentaria apenas que os padecentes da pobreza não apenas não escolhem o que comer como, muito por desconhecimento e bastante por míngua continuada, mal possam e melhorem de meios, tendem aos excessos e, ingestão de quase tudo que lhes foi sonegado.
EliminarE como tem razão, Beatriz. É essa a origem da obesidade entre os aborígenes australianos, por exemplo. Ou de alguns grupos de índios sul-americanos.
EliminarPermita-me uma correcção semântica, pois creio que é isso que a Cristina pretende transmitir: não diria "obesidade" no sentido que aqui usamos como de gordo-por-excesso-de-alimentação, e sim acumulação de gordura para reserva, porque é gente que muitas vezes comem quando calha e depois estão dias sem comer... caso dos san (bosquímanos africanos).
EliminarSaudações alimentícias cá da Cidade Morena!
Não, eu queria mesmo dizer obesidade, "gordo-por-excesso-de-alimentação", nalguns casos, mesmo a obesidade mórbida. É um grande problema dos aborígenes australianos, que perderam o contacto com a sua cultura tradicional, ao serem abrangidos pela cultura europeia-ocidental (que é o modo de vida geral da Austrália). Como diz a Beatriz, muito por desconhecimento, quando melhoram de meios, tendem ao excesso (só vão ao McDonalds e afins e deixam-se encantar por doçarias baratas no supermercado). Com alguns índios sul- (e norte-) americanos passa-se o mesmo, assim como com os inuítes na Gronelândia e no Alasca.
EliminarA próxima vencedora Leya
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