Mentir melhor

Já não tenho a certeza, mas julgo que foi o escritor brasileiro Inácio de Loyola Brandão, delicioso octogenário, que nas últimas Correntes d’Escritas contou uma história que tem a sua piada. Dois amigos, um pianista e o outro escritor, estavam a beber uma cervejinha e a ouvir um disco de música clássica (para simplificar, vamos imaginar que Pedro e o Lobo, de Prokofiev, peça na qual os instrumentos imitam os sons da natureza na perfeição). Impressionado com o que escutava, o escritor disse ao seu amigo que os músicos tinham uma capacidade de mentir absolutamente fantástica e que tinha pena de não ter essa mesma possibilidade no seu ofício. O amigo músico encaixou a frase, processou-a no tempo devido e devolveu que o escritor estava completamente enganado, que um escritor tinha, efectivamente, capacidade de ser muito mais mentiroso do que um compositor. O interlocutor quis então saber em que argumento se baseava o pianista para fazer tal declaração, ao que este explicou: «Bem, é que eu só tenho 7 notas, enquanto você tem 23 letras!»

Comentários

  1. Acho que o músico tem razão, embora eu não tenha nenhum ouvido para a música. Apenas com sete notas fazem-se sinfonias fantásticas como as de Beethoven e concertos para piano como os de Tchaikovski e Rachmaninof que não ficam atrás dos maiores romances que até hoje se escreveram.

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  2. Mesmo, tem toda a razão; Muito bem pensado rsrsrsrsrsrs

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  3. Dois grandes mentirosos, em suma. E chatos, ainda por cima!
    Boa semana!

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  4. Bom dia. Simplesmente lidar com ambição e desafios, trata-se natural na escalada humana e passa (as vezes) desapercebidamente por talento ou não. No Reino das habilidades musicais Franz Lizt foi outro, perseguiu a originalidade em sons com lindíssimas sinfonias.



    Cláudiada Silva Tomazi

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    Respostas
    1. António Luiz Pacheco16 de abril de 2018 às 07:05

      Quem foi o pianista e compositor que tinha o nariz comprido? Chopin?
      Não de mentir, mas conta-se que teria escrito um trecho que disseram impossível de tocar porque teria uma nota que exigia onze dedos ao executante... ele sentou-se ao piano, dedilhou as teclas e naquela parte, usou o nariz!
      Será verdade?
      Saudações desde o Atlântico Norte!

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    2. Boa. Dizem outra do nariz... nem ouso.


      Cláudia

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    3. Diga, diga: a gente agradece...

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  5. António Luiz Pacheco16 de abril de 2018 às 05:38

    Notas aparte - e se formos a ver com todas as variantes de sustenidos, altos e baixos, claves e sei lá mais o quê são bem mais do que 7 notas! - creio que de facto o escritor é por definição um mentiroso!
    Porquê? Porque inventa, imagina, produz a partir da ficção do que não é verdade, adapta a realidade e usa-a à medida daquilo que pretende! Portanto mente!
    E, ainda bem!
    De resto o pintor também mente... pois nem sempre pinta o que é e sim o que vê ou acha que é, até modifica conscientemente para compor o seu quadro.
    Abençoadas mentiras!

    Saudações verdadeiras cá do Bairro Ribatejano.

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  6. Depende do conceito de mentira.
    Na minha opinião, contar uma história, seja por palavras, seja por notas, não é mentir.
    Mentir é querer prejudicar, dissimular, enganar. Escrever ficção não é enganar, nem dissimular, porque se assume como ficção. A mentira não se assume, nem como ficção, nem como mentira.

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