Fado literário

A minha amiga fadista Aldina Duarte tem uma velha relação com os livros e a literatura, pois, segundo ela conta frequentemente em entrevistas, a mãe a deixava em pequena numa biblioteca conhecida quando acabava a escola e só vinha buscá-la umas horas depois. A Aldina é de facto uma leitora compulsiva (sempre com um livrinho dentro da mala) e ecléctica – lê desde ensaio sobre o corpo ou a arte aos clássicos mais empedernidos e à literatura mais vanguardista. Os seus álbuns estão também, de certo modo, ligados à escrita; um deles chama-se Contos de Fados (e tem que ver com narrativas), outro Romance(s) (não é preciso dizer mais nada) e o mais recente tem por título Quando se ama loucamente – o que apontaria talvez para uma ligação a Florbela Espanca, mas não: efectivamente, tem que ver com a obra da escritora de culto Maria Gabriela Llansol. Pois bem, hoje à noite Aldina vai cantar este seu álbum literário no CCB – e eu vou lá estar. Se gosta de um fado assim profundo, não perca o concerto. De contrário, leia os belos poemas da Aldina Duarte, uma grande escritora de letras, além de leitora.

Comentários

  1. A grande Aldina!

    Cristina Carvalho

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  2. A melhor homenagem que posso fazer à Aldina é publicar um pequeno poema que escrevi para ela:

    Um Fado

    A sala escurece
    A rua amanhece
    Tu cantas a emoção
    Entras dentro do coração
    De quem fecha os olhos
    Para ouvir a tua luz
    Para ouvir o bater
    (um quase truz-truz)
    Do teu coração
    que entregas
    de uma forma desalmada
    ao fado-canção
    que enche a madrugada.

    Luís [Alves] Milheiro


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