(Des)integrar

Integrar é palavra de ordem na escola. Quando, nos idos de 1980, dei aulas de Português em Lisboa & arredores, tinha uma turma de alunos com «dificuldades de aprendizagem» entre alunos cujo aproveitamento era absolutamente normal. Nesse tempo, estas turmas eram, é bom que se diga, reduzidas. Mesmo assim, alguns dos miúdos mais espertos desmotivavam-se, excepto quando eram muito bem formados e queriam eles próprios ajudar os mais necessitados. Depois veio a altura de integrar crianças que vinham de outros países, desde aficanos e brasileiros (aparentemente mais fácil por causa da língua) a ucranianos, moldavos, chineses e muito mais… Penso que a integração correu bem, sobretudo porque as crianças são muito elásticas. Mas agora uma equipa de investigadores descobre que integrar os estrangeiros na escola é bom, mas sem exageros – ou seja, que a mistura é saudável e tem efeitos mais positivos do que a falta de convívio com outras nacionalidades; mas que, se a percentagem de estrangeiros for superior a 20%, os miúdos, regra geral, saem-se pior do que a média. E porquê? Porque, sendo muitos, haverá tendência para se «guetizarem», enquanto, se o número de imigrantes não for tão alto, os nacionais puxam de algum modo por eles e eles pelos nacionais (os imigrantes de segunda geração lêem melhor do que os portugueses!). Em Portugal, os alunos estrangeiros ascendem a 10% do total de alunos, mas 70% estão em apenas 25% das escolas do País e existe uma concentração nas zonas mais desfavorecidas. Este estudo, desenvolvido pelo ex-ministro da educação David Justino e a investigadora Isabel Flores, avalia alunos de 15 anos nas áreas de Leitura, Matemática e Ciências.

Comentários

  1. Também penso assim.

    Embora possam ter mais dificuldades de integração de início (olhados de lado, insultados e ignorados...), se conseguirem vencer a "barreira invisível", haverá uma partilha de experiências que será positiva a médio prazo. Sem se criarem mais "guetos"...

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  2. Até me parece que seja assim, mesmo sem estudo científico a apoiar. E é um facto, há nos alunos estrangeiros uma tal vontade de aperfeiçoarem a língua que superam a preguiça de muito português, lendo e escrevendo melhor que eles.

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