O que ando a (re)ler
Pois é: mentiria hoje se vos trouxesse leitura nunca vista, porque o que aconteceu explica-se facilmente. Fui ao gabinete da minha colega editora Cecília Andrade e vi em cima da sua mesa dois ou três exemplares de um livro acabadinho de chegar da gráfica, uma novíssima edição de Se numa Noite de Inverno Um Viajante, do grande Italo Calvino. E, vendo ela que eu me interessava, deu-me um deles para eu, no fundo, somar ao que já tinha na estante – mas este é muito mais legível e tem uma capa bastante mais atraente. Chegada a casa, tirei-o do saco e folheei-o; e, pronto, aconteceu o que sempre acontece com Calvino (o escritor italiano): agora já não vou conseguir largá-lo. É que este romance feito de princípios, que aproxima duas criaturas, homem e mulher, ambos curiosos sobre a sequência das histórias, é mesmo um vício; e, se já falei aqui dele (acho que, pelo menos, o terei de feito de raspão, já não me recordo), a verdade é que nunca é demais relembrar os Extraordinários que o texto desta noite de Inverno é mesmo ideal para ler no Inverno, e não só, tanto faz se em viagem ou não. Viciante.

Estou a terminar um livro de Urbano Tavares Rodrigues situado no refluxo da Revolução, 1978 - Desta Água Beberei - e vou seguir o exemplo da Maria do Rosário (os bons exemplos devem ser seguidos), vou reler Se numa Noite de Inverno um Viajante.
ResponderEliminarDo Calvino só li "As Cidades Invisíveis". Já que o silêncio está na berra ando a ler "A Biografia do Silêncio" do espanhol Pablo d'Ors, "A Magia do Silêncio " da monja budista Kankyo Tannier, "O Nervo Ótico" da argentina Maria Gainza que tão boas críticas tem suscitado e "Flores" do Afonso Cruz sugerido para o Clube de Leitura da Portela do mês de Março.
ResponderEliminarO da argentina também me interessa, mas vou lê-lo em espanhol mas só esse Ótico já é de bradar aos céus. Esse ótico é de audição e não de audição.
EliminarGrandes tradutores e revisores, não haja dúvida.
A pensar na próxima tertúlia da LERDOCELER, peguei na NEVE de Orhan Pamuk.
ResponderEliminarOnde é essa tertúlia?
EliminarTrata-se de uma comunidade de leitores que coordeno, aqui, em Lisboa, num espaço que dificilmente poderá comportar mais leitores.
EliminarPeço desculpa por a minha resposta ter saído como anónima.
EliminarMaria Almira Soares
Calma! Eu só perguntei onde era essa comunidade de leitores, não disse que queria lá ir! Don't panic!
EliminarA Elegância do Ouriço - Muriel Barbery
ResponderEliminarNem todas as baleias voam - Afonso Cruz
Suzana Silva
Cheguei à Elegância do Ouriço através da publicação Os Livros do Final da Tua Vida, onde o autor, Will Schwalbe, discute com a mãe, que sofre de cancro, inúmeros livros. Eu achei interessante e não fiquei defraudado. Há um filme francês que eu saquei da net baseado no livro com o título L'Élegance de l'´Herisson, com a Josiane Balasko no papel da porteira
EliminarEu gostei muito do livro, bem, no início talvez não estivesse assim tão entusiasmada. Mas depressa me agarrou.
EliminarO filme vale a pena? Geralmente os filmes ficam sempre aquém.
Suzana Silva
Acho que o filme vale a pena. Em relação ao original a realizadora francesa fez uma alteração. Em vez dos diários da pequena (difícil de reproduzir em cinema) ela empunha uma máquina de filmar que invade tudo e todos obsessivamente.A interpretação da Josiane Balasko é bastante boa.
EliminarÉ sem dúvida um livro diferente, cheio de princípios sugestivos que se esfumam quando parecem ir dar a alguma coisa. No meu caso não foi viciante. E nem dos que mais gostei de ler, embora o reconheça original e com qualidade.
ResponderEliminarCada vez há menos autores que me encham as medidas, mesmo que todo o autor mereça consideração pelo que produz. Obviamente como aqueles copos grandes, medidores de ingredientes, uns mais acima, outros mais abaixo.
ResponderEliminarItalo Calvino é um dos que coloco a transbordar, por "encher" a sua prosa de poesia, reflexão, filosofia...
Um dos mais imponentes discursos sobre o "Ser Literário" deu-o, entretanto, José Saramago numa entrevista, um ano antes da sua morte, a José Rodrigues dos Santos.
Para além daquela coscuvilhice cultural dos jornalistas tentando "escarafunchar" até ao osso o que faz um escritor de sucesso - como se o jornalismo fosse literatura ou a literatura tivesse uma fórmula "escrevente"; para além de alguma falta de jeito - para não dizer outra coisa - de querer analisar não uma obra mas o "corpo" ideológico pessoal do escritor (com foco na religião católica e no ideário comunista), só se viu um cansado, mas sempre lúcido e sábio Saramago na resposta sobre "o que era para si um romance".
Ao contrário de alguns escritores-jornalistas escrivães de factos da vida (e que consideram o enredo e a história o mais importante num romance), Saramago sabia (e como comungo consigo), que um romance sem poesia, filosofia, ensaio não é mais do que uma novela em tudo idêntica a uma telenovela. Talvez um boa fórmula para alguma indigência intelectual de que somos responsáveis como pais.
Obviamente, estas também têm o seu lugar.
Mas a vida exige muito mais do que passividade, estéticas de telas em branco ou retratos inanimados.
Um excelente escritor este Calvino com quadros com vida dentro; como também Rosa Montero de quem acabo de ler duas obras e esse grande escritor Mia Couto (de quem acabei de ler «e se Obama fosse africano e outras interinvenções».
"O CÃO E O DONO" - Thomas Mann - a história de um cão e a do seu dono. Uma relação afectiva que chega a parecer humana.
ResponderEliminarPequeno livro da Inquérito, o nº. 4 duma Antologia dos Amigos do Livro, com tradução de João Gaspar Simões, livro com ilustrações de Figueiredo Sobral, que comprei num alfarrabista do Chiado (Livraria Camões), por €1; estou a gostar mas não me consegue deslumbrar como aconteceu com o outro livro que antes tinha lido do mesmo autor (O eleito); que recomendo.
Do Italo Calvino comecei, em tempos, a ler "As cidades Invisíveis" mas após uma ou duas dezenas de páginas parei e, como me acontece sempre nestes casos, foi um escritor que passou para segundas núpcias...(talvez incapacidade minha).
ASev
Não fica sòzinho. Eu também não cheguei ao fim das Cidades Invisíveis. Da Procura do Tempo Perdido não passei do II volume. Não era o Nabokov que dizia que o Proust não era sequer um grande escritor?
EliminarEis um tema interessante para, quem sabe, uma abordagem futura-LIVROS QUE INICIEI MAS NÃO CHEGUEI AO FIM-.
EliminarAcabei de ler "os Loucos da Rua Mazur" do nosso João Pinto Coelho.
ResponderEliminarEstava com receio de ficar um pouco desiludido, porque os segundos livros são um problema, quando o livro de estreia é muito bom... Felizmente foi um prazer voltar a ler o João. Gostei mais da história da Sara, mas os Loucos têm mais densidade, as personagens são mais complexas, ou seja, é mais livro. Fiquei a saber um pouco mais da história da Europa e que a "maldade" dos homens durante a Segunda Guerra Mundial esteve longe de ser um exclusivo alemão...
Comecei a ler outro prémio leya e está a ser uma desilusão (já passei a página cem...). Refiro-me ao romance "O Meu Irmão" de Afonso Reis Cabral. É muito fraquinho, desde à história à escrita... Mas nem sequer vou tecer mais comentários. Até por saber que neste país e no mundo os júris e os prémios têm sempre muito que se lhe diga...