No jardim de infância

Não vou dizer nada que não se saiba já, mas não custa insistir numa coisa com que todos os que lêem este blogue (bem, quase todos) se preocupam: o insucesso escolar relacionado com a falta de hábitos de leitura. O Instituto Politécnico do Porto desenvolve, desde 2015, um projeto com cerca de mil crianças de quatro agrupamentos escolares, tendo verificado que as atividades de leitura no jardim de infância diminuem em 50% o risco de dificuldades de aprendizagem no primeiro ano de escolaridade (a antiga primeira classe). O projecto foi criado para prevenir “percursos de insucesso precoce” e algumas das variantes avaliadas nas crianças, concluído o jardim de infância, são a linguagem e a consciência cronológica. As que são então sinalizadas como “em risco” podem beneficiar de uma intervenção ao longo de mais um ano com vista à diminuição das dificuldades na leitura e na escrita, que as penalizariam logo no início do seu percurso escolar. As que não apresentam riscos no final do Jardim de Infância são, habitualmente, as que têm competências a que o artigo chama “pré-leitoras adequadas a um percurso de sucesso escolar”, ou seja, as que leram livros ou ouviram histórias apropriadas e trabalharam a cronologia numa história. Razão de sobra para promover a leitura entre os mais pequeninos.


 

Comentários

  1. Os pais não lêem e não passam esse prazer aos filhos.
    Os professores também não lêem. Só mesmo o que faz parte do programa escolar.

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  2. Bom dia. São sempre de louvar as iniciativas que se propõem cultivar o gosto pela leitura, cativando mais e mais leitores, sobretudo nas camadas mais jovens. Não há dúvida que a leitura alarga não apenas a nossa perspectiva relativamente ao Mundo, como melhora as nossas capacidades de entendimento, expressão e cognitivas em geral.
    Eu próprio senti-o, na minha adolescência, quando comecei a ler. Melhorei substancialmente o meu desempenho escolar e despertei para a magia da escrita e da leitura.
    Por isso, não há que desistir, e julgo que, mais do que ninguém, as Editoras do que também depende a sua existência, devem empenhar-se em semear entre as várias comunidades estudantis esse gosto.
    Porque não lançando a nível nacional um ou vários concursos literários que envolvam as escolas e a comunidade estudantil em grandes projectos, individuais ou conjuntos, que depois possam colocar nos escaparates, para usufruto de todos.
    Há que pensar em ideias como esta.
    O meu bem-haja.

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  3. António Luiz Pacheco27 de março de 2018 às 02:24

    Chamo a atenção a este Extraordinário fórum, de que o tema aberto no post é sobre o Jardim de Infância... não tem a ver com jovens nem com professores... mas sim com educadores e portanto com crianças até aos 5/6 anos!

    De pequenino, se tróce o pipino! Diz o ditado popular...
    Tanto quanto sei, nos Jardins de Infância, a leitura para os garotos é prática corrente!
    Esclareço que a minha mulher é educadora, sei que é feita a avaliação, precoce, e, são produzidos relatórios sobre estas crianças desde tenra idade, com o fim de identificar situações, de as acompanhar e serem orientadas na vida escolar, no ensino primário e por aí fora, precisem eles de apoio especial ou não... se estes relatórios de avaliação são usados posteriormente, isso não sei! Mas vejo fazê-los.

    Também sei que há a tendência de pôr os garotos a ver filmes... coisa que a minha mulher não faz, apenas passam "bonecos" entre o início da entrega dos garotos na instituição à auxiliar e a chegada da educadora, assim que a sala está completa, desliga-se a tv e fazem actividades, incluindo ginástica! Só não saem à rua se houver temporal e não vêem mais tv/bonecos até a hora dela sair, quando ficam entregues à auxiliar, eventualmente.
    Na maioria dos infantários creio que é assim... há leitura para os garotos!
    O seguimento que se dá a essa prática, depois na escola, já não sei.

    Não adianta clamar que não se lê... o que é preciso é perceber porque não se lê!
    E isso daria para um tratado...

    Saudações cá da Cidade Morena.

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  4. António Luiz Pacheco27 de março de 2018 às 02:36

    Fora do tema na especialidade mas não na generalidade, eu gostaria de referir que - e recorro ao meu próprio caso, me desculpem - que o papel das antigas "Selectas Literárias" usadas na primária e depois no liceu, me despertaram para autores e obras desde muito cedo, pois através dos textos eu selecionava o que me interessava e que depois procurava ler... de Serpa Pinto, a Aquilino, Torga, Camilo, Júlio Dinis... eu fui assim induzido na leitura, mas porque sempre gostei de ler, o que não tenho dúvidas ter sido potenciado através das tais selectas. Idem por exemplo para a "Selecção de livros" que era o artigo final e de fundo das Selecções do Readers Digest (lembram-se desta notável e útil publicação?) , e foi responsável por eu também descobrir tantos autores estrangeiros. onde se resumia uma obra!
    Além do facto de haver na minha casa uma vasta e variada biblioteca, de ser uma casa onde se lia e falava de literatura, as selectas e as Selecções foram parte importante da minha formação de leitor!

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  5. Cada vez mais, torna se maior o desafio, para nós pais, para que os nossos filhos ganhem hábitos de leitura uma vez que as distrações são imensas; já experimentei esta ideia que postei no meu blog; Resulta...

    http://comoestrelasnaterra.blogs.sapo.pt/ideia-genial-para-por-os-filhos-a-ler-6594

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    Respostas
    1. António Luiz Pacheco27 de março de 2018 às 09:29

      Caríssima e Extraordinária Maria Oliveira (suponho?):
      Interessante e bem pensado o seu plano táctico para os pôr a ler... mas, tem uma falha!
      Esquece-se de contar com a esperteza deles, ó seja, eu que não sou um jovem expedito e versado na net e essas coisas afins, copiei e colei a sua frase "cor do vestido de Ana Karenina" no Google, e deu-me logo isto:
      "O que vestia passava despercebido. Enquanto um vestido lilás a teria exibido, este, ao contrário, não obstante as suntuosas rendas, era apenas uma moldura discreta que lhe punha em evidência a inata elegância, o encanto, a perfeita naturalidade. (Leon Tolstoi- Ana Karenina, parte 1, capítulo XXII)."

      Ahahahahah!
      Os gajinhos são munta espertos... acardite em mim que já sou velho e sei!

      Saudações cá da Cidade Morena!

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    2. António Luiz Pacheco27 de março de 2018 às 09:32

      E encontrei mais este:

      E o que Anna Karenina guarda em seu boudoir? Com certeza vestidos marcantes, com cores mais fortes e tons mais escuros. Preste atenção principalmente na cena do baile, onde ela surge com um modelo preto, em meio a uma profusão de tons pastéis. O vestido, descrito minuciosamente no livro, realça a beleza de ..

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    3. " Como estrelas na terra" é um filme lindíssimo.
      É uma boa ideia sim senhora, tudo vale a pena:):)

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