Não é só cá
Não, não é só cá... Aqui há tempos, li já não sei em que jornal que, pela primeira vez em décadas, o Reino Unido, que sempre tinha tido altos índices de leitura, perdera muitíssimos leitores de ficção literária – e perdera-os para os smartphones... Aqui a coisa não anda melhor, não só pelas rendas impossíveis de pagar pelos livreiros (o lado negro do turismo) que fazem fechar muitas livrarias, mesmo as históricas, mas também por um tempo veloz que afasta as pessoas de uma leitura mais lenta e as atira para os seus telefones, onde se sucedem mensagens curtinhas que não obrigam a grande discernimento. (Leio no Público de sexta-feira passada : "Só 0,8% não tem telemóvel; enviam, em média, 93 SMS e fazem 27 minutos de chamadas por dia. Estes são os números sobre a utilização do telemóvel reportados por jovens entre os 15 e os 22 anos, inquiridos no âmbito do projecto Faqtos. Já o acesso à Internet e às redes sociais no telemóvel quadruplicou em seis anos.") Será talvez pela diminuição do número de leitores de livros que no Reino Unido, segundo leio no The Guardian, o condado de Northampton quer fechar 21 das suas 36 bibliotecas? Chi, e ainda pretende reduzir o horário das que ficam abertas? O governo diz que vai provavelmente interferir (haja alguém), até porque a média europeia é de uma biblioteca para 16.000 leitores e em Northampton ficaria uma biblioteca para 60.000. Mas, com ajuda do Estado ou não, a médio prazo haverá mesmo leitores suficientes a frequentá-las?
Ainda assim, o Reino Unido é onde mais se lê logo atrás dos nórdicos (Suécia e Noruega). Nós é que somos aquela desgraça, em último lugar a seguir à Grécia e Espanha.Temos de aprender com os franceses para incentivar os jovens pela leitura. Leiam a interessante entrevista com o ministro Jean-Michel Blanquer, juntamente com Bernard Pivot e Cécile Pivot no último Figaro Magazine, de 17 de Março.Os Pivot editaram um livro LIRE que se aconselha vivamente.porque "Les livres, c'est la vie".
ResponderEliminarContinua a fazer-me uma certa confusão dizer-se globalmente que não se lê ...
ResponderEliminarMas lê... não posso interpretar de outro modo a reposição contínua de livros na Bertrand, na FNAC e nos hipermercados! Os novos títulos surgem numa girândola a anunciar prémios e milhares de exemplares! A quantidade de livros expostos é imensa... ora se bem conheço (e como!) a Distribuição, não acredito que o Continente dedique tamanho espaço a livros se não for absolutamente rentável.
Será que se lê menos papel? Porque pelos vistos lê-se muito em ecrã... cada vez mais, pois a informação anda aí pelo éter, e, toda a gente tem acesso a ela com um simples toque do dedo!
O papel será substituído pelo ecrã, mas isso não significa que se leia menos!
Compreendo o pânico das Editoras e das livrarias... mas terão de se converter, de arranjar forma de editar sem ser em papel umas e de vender sem ser em papel as outras... como? Bom isso não sei... mas parece-me que dizer que não se lê não é a verdadeira interpretação e qualquer solução advém sempre da correcta análise do problema ou da situação, que neste caso me parece não estar a ser feita!
Pela minha parte, gosto de ler em papel, pois me habituei a ele e sinceramente se há coisas de que gosto é de ver lombadas de livros nas minhas estantes! Terei desgosto de ver desaparecer livrarias e livros, mas quem sou eu e o que represento num Universo de biliões de internautas?
Saudações papeleiras cá da Cidade Morena.
Hã, hum, nã. Iá, lol.
ResponderEliminarClaro que se lê muito menos, basta andar de transportes públicos para o verificar. Cada vez há mais gente presa ao telemóvel, nem sequer dão conta do mundo que os cerca.
ResponderEliminarE tenho exemplo dos meus filhos cá em casa (ele com 19 e ela com 13). Ele nunca foi grande leitor, mas ele sempre leu bastante (ainda faz do clube de leitura da escola...), mas agora tudo está a mudar. Já a questionei porque lê menos... ela limitou-se a sorrir.
Mas sei que tudo mudou desde que passou a ter "internet" no telemóvel. E esta mudança não se deveu apenas a um pedido seu, mas também por uma questão de economia doméstica. Fica-nos mais barato inclui-la no pacote da operadora que nos "vende tudo", com todas as mordomias a que tem direito, que ter apenas uma assinatura normal só de telemóvel...
Lá está... lê-se menos em papel! Mas não se lerá até mais no ecrã????
EliminarEles... sabem!
Eliminar"sei que tudo mudou desde que passou a ter "internet" no telemóvel. E esta mudança não se deveu apenas a um pedido seu, mas também por uma questão de economia doméstica. Fica-nos mais barato inclui-la no pacote da operadora que nos "vende tudo",
"É economia estúpido"
Maria Helena
Respondendo à pergunta da Maria do Rosário: no meu caso particular, compro as novidades que quero muito ler (a próxima compra vai ser o novo do Nuno Camarneiro), mas continuo a recorrer à biblioteca quando me apetece ler um clássico. As bibliotecas funcionam para mim também como uma forma de poupança. Espero que se mantenham por muitos e bons anos.
ResponderEliminarRui Miguel Almeida
Não é por falta de tempo que não se lê. É uma mudança de hábitos. Vejo as pessoas a perderem horas a jogarem no telemóvel. São jogos que demoram dias e semanas com vários níveis de jogo. Poderiam estar a ler. Mas a leitura leva a pessoa a pensar e a reflectir. O jogo é mais de reação e de passar tempo. Prefere-se anestesiar da realidade que ler sobre ela. Se os adultos passam mais tempo a jogar, as crianças seguem o exemplo e desligam-se das leituras e passam a ler apenas cabeçalhos de notícias e sinopses. Não penso que seja falta de tempo, quando dedicamos horas dos fim-de-semana para ver os episódios gravados das séries preferidas. Ainda hoje me lembrei que já não vejo ninguém a ler jornais nos transportes públicos. Lembro-me de ir a ler o jornal de alguém ao lado, mas agora é tudo nos ecrâns.
ResponderEliminarA mensagem ficou anónima.
EliminarHenrique Vogado
Vejo um futuro sem literatura, tal como vejo um futuro com cada vez menos valores humanos. A leitura abre mentes, faz e leva a pensar. Não sei se, nestes tempos de pós-verdade e factos alternativos, o pensamento seja algo que interesse...
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