Método de escrita
Os que escrevem livros e participam em encontros com leitores nunca se escapam de responder a meia dúzia de perguntas recorrentes. Se se trata de um autor de literatura infanto-juvenil, eu avançaria, por experiência própria, que as questões mais frequentes dos miúdos se prendem com a chatíssima... «inspiração». «Donde retira a inspiração para os seus livros?», «Donde lhe vêm as ideias?», «Onde se baseia para escrever as suas histórias?» e outras perguntas do género estão invariavelmente presentes nas sessões que se realizam nas escolas (e, para que fiquem a par os Extraordinários, já nenhum miúdo sabe o que é a «massa cinzenta» quando é essa a resposta; agora é preciso dizer que tiramos os argumentos da nossa própria cabeça). Mas, se o escritor se dedica ao romance literário para gente crescida, também há sempre alguém no público que, na hora de interpelar o convidado, o interroga sobre o seu «método» quando, na maioria das vezes, a literatura obedece a tudo menos regras. Pois bem, nas últimas Correntes d’Escritas, contou-se numa das mesas que Antonio Skarmeta, o chileno que escreveu O Carteiro de Pablo Neruda, estava num festival literário e, na assistência, alguém quis saber qual era o seu método de escrita. Depois de pensar um nadinha, Skarmeta respondeu: «Amigo, eu não sou ornitólogo, eu sou pássaro. Não analiso, voo.» Uma resposta que só podia vir de um escritor.
A resposta perfeita
ResponderEliminarNo que me diz respeito, concordo.
ResponderEliminarNão tenho método nenhum. Também é certo que fui abençoada com uma imaginação quase delirante o que, em certas circunstâncias, até pode ser um problema. :-)
A história vai surgindo aos poucos e, até estar ultimada, tudo pode mudar.
Boa quarta - feira a todos.
Que Extraordinária resposta, essa!
ResponderEliminarNo entanto presumo que os escritores que produzem muito, devem ter um método de trabalho que lhes permita manter um ritmo de produção. Sem prejuízo de tudo o resto que possa fazer de alguém um escritor.
Havendo a tal inspiração, a idéia que está a ser desenvolvida ou seja, quando se está a escrever sabendo perfeitamente o que se vai escrever e como se vai conduzir a acção, acredito que haja de facto um método, uma forma organizada de pôr aquilo no papel!
Saudações passarinheiras cá da Cidade Morena, terra dos seripipis!
Do absolutamente melhor!!!
ResponderEliminarNão há como os escritores para responderem com originalidade. Mas suponho mesmo que não havendo método quanto ao imaginário, haverá método quanto à escrita do que se imagina. Lembro que, numa entrevista, João Tordo disse escrever com horário, estilo das nove às cinco (não sei se era este) e que o poeta Nuno Júdice também referiu que se obrigava a escrever por duas horas diárias, incluindo férias e feriados e desprezando outros apetites.
ResponderEliminarSimples e directo: Gostei!
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