Leituras atrasadas

Compro todos os dias o jornal e passo os olhos pelas gordas quando chego à editora; mas só leio o que me interessa mais tarde – por vezes, muitíssimo mais tarde. O artigo que hoje trago para aqui, por exemplo, é de 5 de Março e foi escrito na edição do 28.º aniversário do Público por Isabel Lucas – mas, por “faltíssima” de tempo, só o li com a devida atenção na sexta-feira passada. Diz-nos como a literatura escreveu o presente nos últimos 28 anos – e a verdade é que, sempre que se tratou do trágico e do horrível, ela sentiu antes de tudo necessidade de calar – e só depois, feito o presente passado, começaram a sair os livros sobre as coisas tremendas, magoadas, inesquecíveis. Houve excepções, mas poucas, e houve também estranhas coincidências, como a de livros que pareciam prenunciar um mal que nem se sabia que aí vinha. O artigo refere, claro, o 11 de Setembro, o Katrina, a guerra do Iraque, o ataque com gás sarin no metro de Tóquio... Fala, por isso, de Don DeLillo, Jonathan Safran Foer, Laurent Gaudé, Murakami e muitos mais. Mas o melhor é lerem, pois vale mesmo a pena esta maneira de olhar para trás e ao mesmo tempo adivinhar o que por aí virá... em literatura. Obrigada, Isabel.

Comentários

  1. Leio sempre com interesse os artigos da Isabel Lucas que considero umas das melhores em jornalismo cultural especialmente no que respeita a Literatura, americana ou outra.

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  2. António Luiz Pacheco29 de março de 2018 às 01:59

    Vejamos... o Mundo é velho, muito velho mesmo! E, dá voltas.
    O que quero dizer com isto? Pois que já aconteceu práticamente tudo que havia para acontecer, as novidades são cada vez mais raras e quase tudo que sucede são meras repetições, em novo contexto, com outros protagonistas e implicações, mas no fundo as mesmas coisas.
    Logo, fazer essas "previsões" é capaz de não ser também novidade nenhuma...
    E a literatura limita-se a ser o espelho disso, de nós, dos acontecimentos.
    Estarei errado ? A mim já poucas coisas me surpreendem, e sou muito menos velho que o Mundo, todavia ainda há muita coisa que me maravilha e admiro, sensações novas e ideias, justamente porque não sei tudo e ainda bem!

    Votos de uma Santa Páscoa, cá da Cidade Morena.

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    1. Concordo em pleno, caro amigo. Prever o caos é prever - afinal - a ordem natural das coisas. Um abraço e Boa Páscoa. Desta terra à beira-Tejo plantada, com vista para Almourol.

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  3. Pois, quem trabalhou na imprensa como eu agora perceberá a razão pela qual os grandes empresários despenderam fortunas na aquisição de jornais, revistas, televisões e rádios: sabe a razão? Para a controlar! Hoje já não há imprensa livre e de esquerda, nem revistas de qualidade, é uma vergonha a capa com a cristina e outras merdas... A Lusa distribui e já não jornalistas, só uns opinativos e uns moços de recados que falam a voz do dono. Tanto se me dá que concordem comigo ou não sei que o que afirmo é real e indesmentível...

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  4. Vamos esquecer por uns dias as revoltas miudinhas, suspender as quezílias, pôr entre parêntesis o mau estar do mundo. E renovar o espírito nas fontes de água viva que cada um busca onde quer, pode e lhe dá mais jeito.
    Boa Páscoa a todos.

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