Inventar de novo (ou de velho?)
Às vezes, leio originais que me enviam e que não são bons nem maus – que não acrescentam nada mas não são igualmente cópias de coisa nenhuma. Digo que são textos que não chegam a ter um estilo, mas se calhar não é bem isso. Recentemente, um concorrente ao Festival da Canção foi acusado de plagiar uma canção da IURD (vi fotos do rapaz e achei que dificilmente ele escutaria um hino religioso) e, realmente, quem ouviu as duas músicas achou-as iguaizinhas. O concorrente negou o plágio, mas achou melhor retirar-se da prova. No meio da celeuma, li um trecho do cantor e compositor (e pastor) Samuel Úria em defesa do cantor desistente, que me pareceu muito interessante e apropriado; dizia assim: «Fazer uma canção, e querê-la acessível a públicos abrangentes, é um exercício de inventarmos aquilo que já nos parece existente (...) O objectivo é criar uma coisa nova que soa a familiar e de sempre. Por isso mesmo, resvala-se com relativa facilidade; qualquer escritor de canções já “inventou” melodias que mais tarde veio a descobrir, ou a lembrar-se, que existiam previamente.» Depois de ter lido isto, pensei que de facto acontece o mesmo com esses livros de que falei no início – os seus autores, sem saberem, inventam o que já estava inventado.
Pois por isso é que é muito difícil ser original hoje e os escaparates das livrarias estão cheios de pseudo- escritores assim-assim( como a Agustina definia o poeta Manuel Alegre) .
ResponderEliminarClaro. É muito difícil ser-se completamente original, cada vez mais... Não é assim assim tão estranho duas pessoas pensarem a mesma coisa...
ResponderEliminarBom dia e boa semana!
ResponderEliminarO que distingue um bom escritor ou um bom compositor é precisamente o cunho pessoal que consegue imprimir às suas obras. Há até quem treine tentando reescrever os livros de colegas mas ao seu próprio estilo. O estilo inexistente ou inócuo não permite consolidar a escrita de ninguém.
Quanto ao caso Diogo Piçarra não tenho uma opinião. Nem sequer ouvi as músicas em causa. Mas dizem que o pobre rapaz foi injustiçado e que a música vencedora também não ficou isenta de críticas.
Ao contrário da Sandra, eu ouvi as duas músicas e achei-as iguaizinhas.
EliminarTal como a Sandra, não tenho uma opinião - tudo é possível, talvez até um plágio involuntário...
Parabéns pela excelente explicação, com a qual concordo. A música, a literatura, a pintura e as artes em geral são formas de ver e de sentir, antes de mais universais; elas estão aí... E quem vive em torno delas uma parte importante da sua vida acaba por ser beijado pelas suas brisas. O perfume fica. Um dia, inesperadamente, anuncia-se. Vindo lá de trás, lá do fundo, do mais profundo do tempo e de nós.
ResponderEliminarPor isso, inventar é transgredir...
E quem é que disse que seria necessário que o rapaz gostasse de hinos religiosos? Não podia ir à net à procura de algo que julgasse que nunca ninguém descobrisse e, por algum motivo, engraçasse com a canção? Não foi muito inteligente deixá-la tal e qual como era, podia ter feito alguma alteração. Este aspecto fala em favor dele? Só ele o sabe e é óbvio que nunca o irá revelar.
ResponderEliminarE a senhora editora edita o que está mais que recriado. As sua horas extraordinárias são um exercício lastimoso.
ResponderEliminarMas vens cá, gostas.:)
Eliminar(há, és masoquista, gostas de ser chicoteado, entre outras coisas)
Composição escolar sobre o tema "O Risco".
ResponderEliminarO aluno A, um génio da criatividade, escreveu: "O risco é isto: _______________"
Resultado: 20 valores.
O aluno B, mau aluno, escreveu a mesma coisa.
Resultado: 5 valores.
É o risco "preconceituoso".
ResponderEliminarA imaginação é um exercício difícil...
ResponderEliminarMas imaginação só não chega, é preciso ter talento...
EliminarNão há nada de novo debaixo do Sol (nihil novi sub sole)... é uma citação da Bíblia que aliás é usada num tema dos Rádio Macau: Não há nada de novo aqui, debaixo do Sol.
ResponderEliminarSer original é ´cada vez mais difícil, e quanto mais o Mundo rolar pior, obviamente! Ser original na Idade da Pedra ou Média, era bem mais fácil, muita coisa estava por criar!
Saudações nem por isso originais (digo o mesmo todos os dias) cá da Cidade Morena!
Curiosamente dizem que essa canção dos Rádio Macau também é um plágio.
EliminarQuero lá saber!
Gosto tanto de a ouvir.
Por vezes pergunto-me se ser original é mesmo a chave do mistério da criação literária. Nos clássicos que leio não é o que mais ressalta. Eles nem sequer procuravam as reviravoltas na história que contavam. O que neles me surpreende e agrada sempre é o quão bem parecem conhecer a alma humana, o como de personagens que se espraiam e surgem quais seres reais e que não passam de moda apesar das histórias serem situadas no tempo. Talvez haja neles a originalidade na forma de contar e hoje se procure uma originalidade mais abrangente que envolva a forma mas também assente em temas e abordagens diferentes. O que me parece é que, com tanta reviravolta, os romances de hoje não nos agarram a um personagem de forma a que o lembremos mais tarde. É como se tenhamos perdido a capacidade para a consistência do personagem. E talvez não haja qualquer razão da minha parte e o romance seja neste tempo, outra coisa.
ResponderEliminarPegando na frase com que termina, creio que tem razão!
EliminarDe resto concordo e revejo-me em tudo o que diz, também sinto o mesmo em relação aos actuais romances, que costumo rotular de depressivos e deprimentes. Parece que os autores se enfocam demasiado nas ideias que querem transmitir, mais do que na narrativa, depois a acção sai prejudicada e aos personagens falta aquilo que devem ter: protagonismo! A força e a alma para que se eternizem.
Mas, isto sou eu a traça dos livros... que sei eu a não ser que sei o que gosto de ler?
É a nossa opinião. Ainda somos livres para a expressar:).
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