Escrever a vida
Costuma dizer-se que há certas vidas que davam livros (mas, no fundo, todas dão). Porém, não se pense que basta uma vida recheada de peripécias para que um livro biográfico seja bom, tal como nem sempre é o enredo, a história, o mais importante num romance. Maria Antónia Oliveira, biógrafa conceituada de Alexande O'Neill, propõe-se dar uma mãozinha a quem queira aprender a escrever uma biografia (sua ou alheia) num curso intitulado Como Se Escreve Uma Vida, que vai acontecer na Livraria Férin em Lisboa. Dividido em quatro sessões, nos dias 6, 7, 13 e 14 de Março, das 18h30 às 21h00, Maria Antónia Oliveira irá explorar «a noção de biografia a partir de uma perspectiva histórica focada no século XX, com algumas incursões à obra de biógrafos fundadores.» De Virginia Woolf a Julian Barnes, e sem esquecer casos portugueses (como o da própria orientadora do curso), a coisa promete. As inscrições terminam no dia 5 deste mês e podem ser feitas através dos endereços oliveiramariaantonia@gmail.com e agenda@ferin.pt. O preço do curso é de 50 euros. Por que espera?
Ora aqui está algo que se pode ensinar, ou seja, um curso que promete.
ResponderEliminarNão se "ensina" a ter imaginação para contar histórias (ao contrário do que alguns futuros "romancistas" pensam...), mas pode-se ensinar a escrever uma biografia.
Considero a biografia um género interessante (e até muito útil) só não sei porque nunca fui seu simpatizante. Influenciado talvez pelas hagiografias, a verdade é que noto faltarem-lhes quase sempre as partes menos luminosas.
ResponderEliminarQuanto ao curso: excelente ideia contemplando uma área pouco explorada.
"(...) nem sempre é o enredo, a história, o mais importante num romance." Mudou de ideias?
ResponderEliminarE ao que dizem escrever a própria biografia poderá ser muito terapêutico ! Relata o Mário Cláudio no seu "Almas Vagueantes" (sobre escritores que conheceu) que a Ilse Losa terá começado a escrever sobre a sua vida por sugestão do seu médico neurologista, Corino de Andrade. Diz com graça o Mário Cláudio que havia no Porto quem depreciava a obra da Ilse Losa lançando a boutade "essa escreve por prescrição médica".
ResponderEliminarQue pena tudo acontecer e resumir-se a Lisboa. 50 euros por semelhante curso é uma pechincha; o pior, por incomportável, para os inúmeros interessados que habitam a província (eu no Algarve, p.e.), são as deslocações, alojamentos, refeições, etc..., que os 4 dias + 1 para ir e voltar implicam. Contudo, votos de muito sucesso e bastante adesão para a iniciativa da MAO!
ResponderEliminarMuito obrigada.
EliminarJá dei este curso em vários sítios fora de Lisboa — arredores, Évora, Porto. Tive o apoio, em moldes diversos, das Bibliotecas Municipais. Poderei também fazê-lo no Algarve, e gosto teria nisso, se encontrar condições.
Maria Antónia Oliveira