Cadáveres às costas
Após a morte do pai, um jovem abandona o curso de Direito e aluga um pequeno apartamento no sótão de um palacete de Lisboa, com o fito de escrever um romance. Aí vive a família Peralta Perestrêllo, cuja matriarca centenária – D. Consolação, há muito acamada – é visitada no dia 13 de Maio de 2017 pela aparição da irmã Lúcia, após o que consegue erguer-se e dar uns passinhos. Filho, nora e netos ficam hesitantes quanto a acreditar no suposto milagre; mas cada um a seu modo (e também a Igreja, chamada imediatamente para avaliar a situação) descobre como retirar dividendos do episódio – o mesmo acontecendo, aliás, com o jovem escritor que, sem ideias para o seu romance de estreia, tem subitamente um filão ao dispor, para não falar do seu interesse pela neta mais nova da miraculada… Porém, entre as aparições, a depressão da mãe viúva, a história secular do palacete e o passado e presente dos membros da família Peralta, chegará a escrever uma página que seja? Cheio de humor (mas também de crítica e até de alguma verrina), Cadáveres às Costas é um romance admirável sobre Portugal (e a mentalidade portuguesa) que, apesar do século XXI, ainda não conseguiu curar-se de muitas das feridas do passado. À venda a partir de hoje.

Do Miguel Real li alguns livros, sobretudo romances históricos e aprecio as suas críticas no JL. É um elemento a ter em conta no panorama literário dado o seu conhecimento dos vários domínios em que escreve.
ResponderEliminarO enredo promete:).
ResponderEliminarBom dia.
ResponderEliminarPeço desculpa, mas apartamentos não se alugam: arrendam-se. À parte isso, talvez seja um bom livro...
Ah, os chatos dos juristas! :-) Mas é verdade: diz-se, em terminologia legal, arrendamento e não aluguer.
EliminarQuanto ao enredo, Rosário, eu diria, com alguma boa-disposição, que o passado (que às vezes nem chegou a sê-lo) serve também de desculpa para muitas maleitas, como obsessões várias ou libidos acirradas.
Saudações bem dispostas aqui bem de perto, de Lisboa.
Um beijinho.
Também gostei da do filão! ahahaha
EliminarMas sabe? As pessoas têm que aprender a viver com o valor que têm, sem se pendurarem em ninguém...
https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/consultorio/perguntas/alugar-dif-de-arrendar/12210
EliminarO anónimo não tem razão. Em terminologia jurídica diz-se 'arrendar' para imóveis e 'alugar' para imóveis mas isso não quer dizer que 'alugar' esteja errado para imóveis. 'Alugar' vem do lat. allocare (ad-+locare) e quer dizer 'ceder um lugar para determinado propósito'. Visto por aí, até talvez fosse mais correcto dizer que os móveis é que se arrendam: não costumo pensar muito num carro como um lugar, embora em certa medida também o seja...
Eliminarahahah Adorei.
EliminarO resumo feito no artigo sobre o livro parte da leitura integral do romance? se sim e porque ainda não li nada deste autor, aconselha a leitura? ficou-lhe uma boa impressão?
ResponderEliminar«Cheio de humor (mas também de crítica e até de alguma verrina), Cadáveres às Costas é um romance admirável sobre Portugal (e a mentalidade portuguesa) que, apesar do século XXI, ainda não conseguiu curar-se de muitas das feridas do passado. »
EliminarNão lhe chega, cobarde sem nome? Quer que eu lhe alugue mais alguma coisa?
Creio que a MRP nunca leu nada do MR. Apenas o nome do autor.
ResponderEliminarMiguel Real... um nome que promete pelo que dele tenho lido, e, me dá garantias de ser um bom livro - bem escrito!
ResponderEliminarO enredo, que poderia ser à Tom Sharpe, também promete... é um livro que vou seguramente ler!
Saudações entusiastas cá da Cidade Morena!
Em tempos conheci um tipo que parecia que andava sempre pendurado num cabide. Ombros rigidamente projetados para a cima, coluna esticada aos limites devido a uma estranha singularidade no diafragma, que era o facto de ter lá espetado um garfo.
ResponderEliminarÉ o tipo de pessoa que não diz que tem um cão, mas sim um Bouvier Bernois, que nunca aluga porque não tem nada para alugar.
Mas se tivesse, arrendaria com gosto.
De certeza que o título deste livro lhe iria parecer interessante, pois ele não é do género de dizer " esqueletos no armário ".
O mundo está cheio de boas histórias. O valor de um romance deriva em mais de 70% do estilo com que é escrito, não da história que nele é narrada. Era mais ou menos isto que afirmava vezes sem conta José Saramago. E um alto estilo de escrita literária é um dom que Deus dá a quem Deus ama, e não a quem gostaria de o ter ou o mereceria. Mozart e Salieri. Injustiça divina. Do que li do Miguel Real, é um excelente Salieri.
ResponderEliminarIlustre Artur Águas: depreendo que considera Miguel Real um escritor menor? Isto se bem entendo a sua analogia sobre a alegada e parece que histórica inveja que Antonio Salieri teria de Mozart, sendo o primeiro menos talentoso - o que não parece ter discussão!
EliminarNão estou a polemizar, note, apenas a tentar perceber o seu comentário que me deixou muito curioso... e esclareço desde já que aquilo que li de Miguel Real me agradou bastante. Considerei que "O último europeu" foi o melhor livro de escrita nacional que li, em ... 2015 (acho) e até o disse aqui.
Tem uma obra vasta, aliás, que diria muito ligada à sua formação humanista.
Talvez não seja um escritor muito divulgado, ou até apreciado, admito, todavia tem em mim um fã e é por isso que que lhe faço a pergunta, permita-me que o explique.
Aliás estamos a falar daquilo que gostamos: de livros! O que me parece bemmais interessante que estar a discutir se é arrendamento ou aluguer, se tem um garfo espetado e por aí fora... este blog é de literatura, mas às vezes discute-se mais o mensageiro que a mensagem!
Não é o seu caso, note, muito pelo contrário e aprecio sempre muito as suas intervenções.
Um grande abraço cá desde Benguela, a Cidade Morena!
Penso o contrário, Artur, o mais importante para mim é a história que é contada num livro, interessam-me pouco "estilistas" que escrevem "palha"...
EliminarFelizmente há literatura para todos os gostos e nenhum é melhor do que o outro !
EliminarFiquei curiosos relativamente à sua preferência pela obra "O último europeu". Acho que o Miguel Real da tetralogia das mulheres (onde se inclui a magnífica novela "O último minuto na vida de S.") é o melhor escritor português, não conhecendo eu outro livro que supere a qualidade dos três primeiros ( excluo o último, "As memórias secretas da rainha D. Amélia"), mas "O último europeu" é um livro tão, tão mau que nem consegui acreditar que era o mesmo de outras obras magníficas. Não me quer explicar porque o considera tão bom?
EliminarSalieri era muito talentoso e tinha em Mozart um admirador, mas Mozart era um génio de que só se encontram mais 4 ou 5 nesse nível.
ResponderEliminarNa Literatura, entre os portugueses, Camões é mozartiano. Quem mais?
Para mim, são estes os Mozarts nacionais: Eça, Herculano, Camilo Torga, Aquilino, Saramago, Cardoso Pires, o primeiro António Lobo Antunes, Pessoa (claro!), o primeiro João Tordo, alguns livros do David Machado e do Paulo Morais, "Equador" de Miguel Sousa Tavares.
EliminarCaríssimo Artur: confesso que não estou a ver David Machado nem Paulo Morais... ainda vou tentar googlar porque fiquei curioso e prezo bastante a sua opinião!
EliminarAbraço moreno, eheheh!
Do David Machado: "Índice Médio de Felicidade". Do Paulo M. Morais: "Uma Parte Errada de Mim". Grandes livros ambos ! Abraço.
EliminarPronto... o Indice Médio de Felicidade , li e concordo que é um grande livro! O outro , confesso a minha ignorância e desconhecimento.
EliminarFica a vontade de o descobrir...
Abraço.