Notícias da Folha
Leio num jornal sobre outro jornal da mesma língua, embora não do mesmo país. Falo do simpático Folha de S. Paulo, talvez o mais interessante dos jornais brasileiros de grande tiragem e com uma parte cultural de qualidade respeitável. Pois bem: este jornal fez recentemente um comunicado, explicando que deixará em breve de partilhar notícias no Facebook. Estranho, não é? Bem vistas as coisas, nem tanto: ao que parece, aquela rede social resolveu há pouco tempo alterar determinado algoritmo (ou «o» algoritmo) e, desde o início do ano, passou a dar prioridade às publicações de «amigos» em detrimento dos conteúdos ditos noticiosos provindos de agências e jornais profissionais. Entendendo que essa opção favorece claramente a propagação de notícias falsas (estamos todos fartos de saber que os «amigos» muitas vezes acreditam na primeira coisa que lêem aos «amigos» e toca de espalhar notícias não confirmadas, a que acrescentam a própria indignação, emoção que parece um íman e atrai todo o tipo de parvos), a Folha de S. Paulo prefere retirar-se simplesmente da rede social; para mim é pena, pois gostava de os ler quando, por acaso, dava com eles no meu mural. Mas aceito a decisão e fico de olhos ainda mais abertos para perceber até onde o Facebook deseja que nos leve o seu algoritmo...
Bom dia, continuo a acreditar que a internet e as redes sociais são o que quisermos que sejam e podem ser úteis e interessantes, nós é que escolhemos o que queremos dar atenção. Em minha opinião, a decisão mais fácil é retirarmo-nos delas, ao invés de irmos à procura do que queremos saber, há surpresas, boas e más, mas, temos que sopesar e escolher a informação disponível, sempre.
ResponderEliminarSe todos aqueles que se distinguem pela qualidade da sua informação, saírem das redes, aí sim, será preocupante. Acho que a Folha de S. Paulo não deveria sair do FB, deveria ficar e lutar para marcar a diferença.
Acompanho diariamente notícias de um modo descontraído às catando em diferentes plataformas digitais. Obviamente em tratar-se rede de notícias do Facebook decorre a preferência do freguês, ultimamente este festival no 'vale tudo' (até aí) se lhe vai bem adocicado colher 'pêra em macieira'. O Brasil tem o clássico jargão "jeitinho brasileiro" este colonialismo de carteirinha e, diga-se nem só cultural; migrou inclusive em disputa(s) on line. Segundo os melhores especialistas, estes concordam que o vício sensacionalista desde, algumas esferas regionais até vedetes internautas, chamam atenção e tem rompido recordes em volume notícias "Fake". A barulhenta difusão, concorre em alguns casos à sufocar qualquer mídia jornalística imparcial e o melhor retrato se lhe caiba, outras iniciativas. Claro, vale lembrar: digas com andas e direi quem és!
ResponderEliminarCláudia da Silva Tomazi
Bom... não quero ser inoportuno, mas, os próprios jornais publicam e alimentam muita notícia falsa, tendenciosa ou que carece de credibilidade, logo, a Folha queixa-se de quê?
ResponderEliminarLembra-me a história de quando el-rei leão fez um selvático decreto desfavorável aos animais de boca grande. Comentário do hipopótamo: Coitadinho do crocodilo!
É o que me ocorre comentar... eu já nem em mim mesmo acredito!
Saudações incríveis cá da Cidade Morena!
Há inventos técnicos recentes que se transformaram em lixo ou perto disso. Quando penso na maravilha que é a televisão e quase a não vejo. Idem para o cinema. Da música, só a de baixa qualidade é que tem muitos ouvintes. Idem para a literatura.
ResponderEliminarTemos agora as redes sociais e estão a ser um horror.
Mas tudo é bom como suporte para vender coisas. O mundo desloca-se para um sítio onde a única atividade é vender e comprar coisas. O paraíso do liberalismo, portanto. Pouco aplicável ao mundo que não seja o da troca de coisas.
Penso que seja um tanto natural haver uma uniformidade de gosto nivelada "por baixo". Antigamente, isso só não acontecia porque as tecnologias não estavam desenvolvidas a contento, os livros eram menos e os leitores ainda mais reduzidos. Era uma cultura elitista. Hoje é consumista. Porque a boa literatura continua a existir. Mas o grau de apreciação exige para lá do consumo e da superfície. E os tempos são de pressa e pouca atenção. Pergunto-me se esse povo que não sabia ler nem escrever, sendo instruído na escolaridade obrigatória, teria preferências muito diferentes das do povo que temos.
EliminarNão quero ainda ser inoportuno, nem desrespeitador... mas, então devemos pensar que Amalivros pertence a uma elite de bom-gosto? Ou que só o que lê e ouve é que tem qualidade?
EliminarHum... eu não penso assim, nem vejo assim felizmente - acho eu - e o facto de não gostar de coisas que muitos gostam, ou de gostar daquilo que poucos gostam, não me faz pensar que tenho bom-gosto, tal como o facto de gostar daquilo que uma larga maioria gosta de ouvir ou ler, não faz de mim "mais-um", seguidista ou carneiro...
Enfim, cada um é como cada qual e ninguém é como evidentemente...
Caríssima Beatriz: para a elite, qualquer que seja, o gosto que não seja o seu, é sempre nivelado por baixo! Ainda que constitua uma esmagadora maioria.
EliminarNão sou elitista, enfim não me considero como tal, pelo menos não muito... mas o facto de não apreciar Marco Paulo não me faz levantar o nariz, como não sou leitor de tanto escritor que as elites aplaudem nem dos que são apupados por elas...
Não gosto de Lobo Antunes, nem de Saramago, como não gosto de José Rodrigues dos Santos, de Gonçalo Tavares ou Nuno Camarneiro...
Não gosto de rap, nem da Lady Gaga, não gosto de Tony Carreira, não gosto de música de câmara, nem de lieder, logo onde me coloco?
Não sei, e na verdade isso não me tira o sono. Porque as coisas de que gosto me preenchem completamente, ou quase.
Digo-lhe que há diferença entre preferências pessoais e o reconhecimento de que apesar de não comungarem das nossas preferências, são bons autores. Isto, suponho eu, é facto aceite.
EliminarOutra coisa diferente é ter mau gosto. Mas o gosto também se educa. E muito mau gosto desconhece o resto do muito e bom que há.
Uma frase de bom gosto? Mas vazia, sem conteúdo... porque quem determina o que é de bom ou de mau gosto? Cada um, como também suponho seja um facto aceite. Portanto achar que muito mau gosto desconhece o resto do muito e bom que há, é um pau de dois bicos. Não o compreende?
EliminarPortanto, não me leve a mal, mas "educar" o gosto é o quê? Levar outros a gostar daquilo que se gosta? Não contem comigo... isso mais do que educação pode ser uma outra coisa que abomino.
Cada qual seja livre de gostar do que entenda.
Bem, julgo que o mau gosto seja o gosto pobre. Pode ser pobre por embirração de já nasci assim e vou ser sempre assim (mas por não ser a Gabriela cravo e canela, tem pouca graça); mas na grande maioria dos casos é pobre por desconhecimento de outras variáveis. Não. Educar o gosto é dar a ver essas tantas variáveis sem tentar impôr as suas. Parece-me ser assim que existe escolha e se educa o gosto. Aliás, de acordo com Sócrates - o filósofo - todo o conhecimento/filosofia é esse "dar a ver" que depreendo seja ensinar a olhar.
EliminarEste seu solilóquio era para alguém em especial ou posso responder?
EliminarPor mim, amalivros constata genericamente e não sobre si mesma(o), ainda que aponte situações pessoais. Pelo discurso - que me parece algo derrotista em relação aos media e redes sociais - suponho que desanimou destes meios de comunicação e conclui acerca do liberalismo que os assola. Isto segundo a minha interpretação. Não sei se lhe convém. É a que tenho.
Não vejo qual seja a dificuldade... Se a Maria do Rosário gosta de ler a Folha, pode continuar a fazê-lo, até com maior liberdade, já que não está dependente dos artigos que o Facebook selecionar.
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