De Israel

Na sua última edição, o Man Booker International Prize foi para o escritor israelita David Grossman, com o romance Um Cavalo Entra num Bar, título suficientemente estranho para chamar logo a nossa atenção. A frase resulta ser o princípio de uma anedota, já que o protagonista (um dos protagonistas) deste livro é um artista de stand-up comedy passado dos 50 anos, a cuja exibição assistimos «em directo» enquanto lemos – e, céus!, garanto-vos que David Grossman tem um manancial de truques e graças para nos fazer rir, tal como a personagem ao seu público. Não, porém, a todo: porque o narrador deste romance, um juiz que privou com o comediante num certo período da adolescência, está a assistir ao espectáculo a pedido do próprio artista, mas são mais as vezes que reflecte e se preocupa do que aquelas em que lhe acha genuinamente graça. Tirando algumas piadas demasiado «judias» (ui, algumas de um humor negro terrível) ou «locais», mais difíceis de perceber por quem não é do contexto, faço a vénia a um escritor que consegue transpor para as páginas de um livro, como se estivesse de pé, ao microfone, um show incómodo que põe o dedo em muitas feridas. Quanto ao resto, ainda vou a meio e não sei o que ainda virá aí para cima do juiz… Nem ele, para já. A tradução, directamente do hebraico, é de Lúcia Liba Mucznik.

Comentários

  1. Bom... conheço Grossman, creio que é um autor incontornável e será candidato a um Nobel, penso eu... pelo significado da sua obra. Mas nunca li nada dele, na verdade, mas tenho muita curiosidade sobre "Fora do tempo", que nunca encontrei mas sei haver uma edição no Brazil. (Nota: escrevo Brazil com z, só para avisar alguém que se incomode com os meus erros, portanto é de propósito!)

    Já eu, ainda a recuperar do excelente e extraordinário "A última viúva de África" de Carlos do Vale Ferraz, pseudónimo do meu estimado Coronel Carlos Matos Gomes, e para não me desiludir tenho andado de volta de 2 outros belíssimos títulos:

    - Bárbaros e iluminados, de Jaime Nogueira Pinto. Uma visão objectiva e esclarecida como esclarecedora (ajuda-nos a pensar e a entender) sobre acontecimentos políticos que marcam a história contemporânea. Vale mesmo a pena e aconselho vivamente!

    - A Aldeia, de William Faulkner. A dureza da América rural e da vida dos agricultores ou dos que na actualidade votaram no Trump e ninguém entendeu, escrita com a genialidade do grande mestre das letras. Penso que os democratas H. Clinton e B. Obama nunca leram Faulkner e se calhar nem Steinbeck, talvez lhes fizesse bem...
    É um clássico, portanto vale sempre a pena!

    Saudações clássicas e iluminadas deste bárbaro da aldeia, na Cidade Morena!

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    1. Onde se lê: " Mas nunca li nada dele, na verdade, mas tenho muita curiosidade sobre "Fora do tempo", que nunca encontrei mas sei haver uma edição no Brazil... "

      Leia-se:
      Porém, nunca li dada dele, na verdade, todavia tenho muita curiosidade sobre "Fora do tempo", que nunca encontrei mas sei haver uma edição no Brazil..."

      Isto mais vale corrigir que ser corrigido e assim já não choco tanto...

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    2. Bolas! Não é "dada" e sim "nada dele" !
      Caramba, acabo de perceber a dificuldade em ser revisor! Os revisores subiram 100 pontos na minha consideração, honra lhes seja feita!!!

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    3. AHAHAH, pior a emenda do que o soneto!
      Pode escrever Brazil, Azores, Lisbon ou New York. Be my guest. Mas não me parece muito inteligente persistir num erro quando sabemos que o estamos a cometer.
      By the way: Ele quer (e não ele querE).
      E também me parece que tem um probleminha com as vírgulas...
      E também o acho muito picuínhas, sempre a dar alfinetadas, sempre a bater na mesma tecla, Dom Pacheco.
      Não leve a mal, é só uma crítica entre amigos que se reunem nesta sala.

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    4. Claro que não levo a mal... e, sim, às vezes sou um bocadinho provocador, assumo!
      Quanto ao resto, paciência, nem todos conseguimos dominar a ciência da virgulação.

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    5. "Se quiseres escrever bem não julgues que é suficiente saber gramática. As professoras de instrução primária sabem a gramática de cor e salteado e escrevem mal. Escrever bem, consiste em contar, com alguns erros inofensivos, as coisas que os outros sem erros, não são capazes de contar.
      Escreve, todos os dias, qualquer borracheira."

      Dedicatória do livro e excerto de uma carta do pai do autor "As sete portas de Arsenise"- Paulo-Guilherme D'Eça Leal

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    6. Patetice! Nem todas as professoras (primárias ou não) sabem a gramática de cor e salteado, nem todas escrevem mal, aliás algumas até escrevem muito bem.
      Convém não generalizar, ou acabamos a escrever borracheiras.

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  2. Ando a ler Porquê este Mundo, uma biografia de Clarice Lispector, do Benjamin Moser - e também Passagem para a Índia do E. M. Forster, pois apesar de ter visto o filme várias vezes nunca tinha lido o livro.
    Nunca li nada do Grossman, talvez comece com este...

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  3. Escritor israelita o Grossman que ótimo! Gosto de gente com atitude de olho no lance, tanto o lado de quem faz-se merecedor ou, quanto por merecer. A história do Stand- up comedy é transformadora e vem conquistando de facto o público jovem, com ênfase no bem estar. Inclusive conforme o enredo descrito no post, este expressa tanta visualidade, certamente uma boa opção de sétima arte.


    Cláudia da Silva Tomazi

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