Cérebros afins
Gosto de ter afinidades com outras pessoas e sinto que ter os mesmos interesses facilita a empatia e favorece a amizade. Mas tenho também amigos que pensam de maneira completamente diferente de mim – em termos políticos, por exemplo – sem que isso afecte a nossa relação, e a maioria dos meus amigos mais próximos não trabalha sequer na minha área de actividade, bem pelo contrário, embora quase todos gostem de ler. Sobre isto de os amigos terem coisas parecidas e diferentes de nós, leio um artigo super-interessante no Público a propósito de um estudo científico publicado na revista Nature Communications, que revela que os amigos reagem ao mundo de forma muito semelhante e que isso se vê nos respectivos cérebros. Uau! A amostra foi recolhida numa universidade em que os estudantes disseram quem eram os seus amigos e foram postos numa sala a ver vídeos de política, ciência, música e muito mais. As reacções dos cérebros eram vigiadas através de ressonâncias magnéticas funcionais e, tratando-se de amigos, eram exactamente as mesmas (o artigo diz «excepcionalmente similares»). Segundo a revista, estes resultados permitem prever se duas pessoas são amigas e ter uma noção da distância social entre elas. E esta, hein?
É bonito que análises destas demonstrem as afinidades entre amigos. Que uma coisa é dizê-las por boca ou escrevê-las e outra senti-las de facto.
ResponderEliminarAnalisar o cerébro, essa é boa! Mais do que Sigmund Freud com suas 20.000 cartas...
ResponderEliminarCláudia da Silva Tomazi
É curioso, mas penso que mesmo que não sejamos do mesmo clube, do mesmo partido (se não formos doentes, claro...), isso é um factor secundário, na amizade.
ResponderEliminarA empatia e as afinidades quebram as pequenas barreiras... (e sim o cérebro deve funcionar dessa forma)
Reparo que falo pouco de futebol com amigos (por ser quase sempre uma perca de tempo...), de política mais, e até por gostar de falar com pessoas que pensam de forma diferente (desde que percebam o significado da palavra democracia...). É bom observarmos a realidade com mais que uma perspectiva.
Mas claro que prefiro de falar de cinema, livros, arte, história, além das coisas engraçadas do quotidiano...
Um jornalista ( e com livros editados) a escrever perca...
EliminarSinal dos tempos.
E também coloquei um DE a mais, "anónimo diácono remédios". :))
EliminarE precisamos da ressonância magnética funcional para nos "revelar" que as afinidades eletivas existem na espécie humana ?
ResponderEliminarCaríssimo e Afim Artur:
EliminarNuma perspectiva actual em que tudo é ´digitalmente informatizado e mecanizado, parece que o homem também ele computorizada e insensível às emoções, pouco crente nas suas instintivas e biológicas capacidades, não emotivo e cada vez mais friamente maquinal, há-de tender a analisar dessa e doutras formas artificiais aquilo que é meramente do foro dos sentimentos humanos, e refiro humanos, me perdoem os animalistas que me vão acusar de antropocêntrico, pois há coisas que só aos humanos cabem!
Certo que um cão sente atracção e afecto por uma pessoa, mas dos dois só o humano é consciente desse facto e pode filosofar sobre ele, discorrer e interpretar!
Saudações de afinidade cá da Cidade Morena!
Meu Caro António Luiz,
EliminarMuito obrigado pelas suas reflexões. A minha refilisse de hoje é porque às vezes ficamos embasbacados com novidades científicas que só repetem conceitos que já nos foram oferecidos pelas Humanidades.
Um destes dias a ressonância magnética funcional irá demonstrar -- oh, espanto ! -- que os circuitos cerebrais que são ativados mais frequentemente num cão são semelhantes aos circuitos cerebrais mais usados pelo seu dono. Já agora, uma nota de cautela quando afirma "que dos dois [humano e cão] só o humano é consciente desse facto" porque nós humanos não sabemos o que é a consciência (o António Damásio andas atrás dela há décadas e ainda não a conseguiu chegar a uma definição científica irrecusável). Eu até suspeito que os cães têm consciência. Que não filosofam, parece que não. Pelo menos não parecem partilhar connosco as suas preocupações existenciais. E daí, o melhor é perguntar aos seus donos porque podem ter opinião diferente da minha.
Ahahah!
EliminarInteligente réplica... e de facto há animais, cães e gatos, que têm um "ar sabedor", e lembro o enigmático Prof. Pinho, extinto gato da Cristina Carvalho...
Quanto à consciência, talvez não aquela que busca o Extraordinário Damásio, mas a um nível muito básico, sei bem que os animais podem demonstrar que a possuem. Lembro-me do meu cão Rói, que se durante a noite fizesse uma mija na cozinha, eu sabia logo mal o via, pela sua atitude comprometida. Ele "sabia" que tinha feito algo que não podia!
É um certo nível de consciência, creio eu, fruto da evolução canina e de poderem ser considerados cães e gatos "animais superiores" pela sua convivência com os humanos, portanto num estádio de consciência superior ao de uma zebra. Eu, presumidamente, presumo que a consciência seja mesmo aquilo que está ao nível do saber o que fazemos, como e porquê, e, se formos a ver bem, a amizade que em princípio se diz que não se explica, sente-se, pode mesmo ser explicada ou compreendida, mas só por quem pense nisso, porque creio que muitos homens também não pensam em tudo, só pensam numa parte das coisas. Será?
Um abraço consciente para si, e aposto que seríamos até bons amigos!
Caro António Luiz, excelente texto o seu sobre os animais (e também todos outros seus posts sobre a amizade)! Muito provavelmente seríamos bons amigos, mas não olvidemos que a palavra tem um sortilégio quando escrita ou lida no papel (perdão, no écran) que poderá ser diferente do sortilégio da palavra que é trocada cara à cara. Um abraço, e um bom fim de semana !
EliminarTenho a impressão de que às vezes se confunde "amigos" com conhecidos ou até "simpatias".
ResponderEliminarOs jovens, creio eu, dão muito ênfase aos "amigos"... mas sabemos que com o passar dos anos os amigos mudam, substituem-se e acabamos por perceber que a amizade é relativa, ainda que importante.
O que quero dizer é que a amizade é dinâmica, não é estática, coisa que julgo só aprendemos e realizamos quando somos velhos e olhamos para os nossos amigos, os mais antigos com 50 anos de amizade e os mais recentes.
Um estudo destes feito a jovens, não me parece que possa ser conclusivo... porque na juventude as amizades são efémeras e volúveis, como sabemos os que já foram jovens. Todavia serão interessantes para saber quais os factores de atracção/aproximação.
Tenho feito conhecimentos por toda a parte, alguns evoluíram para "amizade", quase sempre por razões de carácter, de compatibilidade e comunhão de princípios e nem por isso de interesses comuns, ou nem tanto quanto seria de esperar.
A caça e a pesca são potenciadores desse relacionamento e factor de aproximação, coisa que é bem sabida, mas não só, evidentemente! Já a política, o futebol... não o são, ou melhor aproximam mas não criam os laços verdadeiros como noutras situações.
Uma coisa eu sei, os amigos não têm de explicar nada entre si! Li isto num livro uma vez, de um autor americano de quem não me recordo. É uma daquelas máximas que nos ficam, e a literatura sendo responsável por tantas...
Já fiz muitos amigos na e pela escrita e livros, resta dizer. Aliás, sinto que sou amigo de muita gente que nem conheço mas gosto de ler, o que me parece ser esclarecedor, até explica bastante mais do que esses estudos.
Saudações amigas, cá da Cidade Morena.
As empatias também são geradas nos inversos, mas neste caso «manda» sobretudo a coerência da sustentação e a boa índole com que se defende uma teoria, quer seja política, quer seja religiosa, quer seja futebolística; as três, creio, tidas como mais importantes e mais vezes motivo de discórdia.
ResponderEliminarNão esquecer a prática, a forma como se pratica o que se diz...
Bom dia.