A arder

Fahrenheit 451 é um livro de Ray Bradbury publicado nos anos 1950 que deu depois origem a um filme de François Truffaut  com a fantástica Julie Christie. Trata-se de uma distopia ambientada num mundo onde os livros são proibidos e os bombeiros obrigados a queimá-los (451 graus Fahrenheit é a temperatura a que os livros ardem.) Pois bem, apesar de se tratar de uma obra clássica, que nunca deixou de ser reimpressa e reeditada em todo o mundo, nada faria prever que alguém se lembrasse da maluqueira de criar uma edição especial na qual, para ler, é preciso deitar fogo às suas páginas… Foi, porém, esta iniciativa que levou a cabo o Laboratório Charles Nypel, com sede na Holanda, em colaboração com uma empresa de design gráfico. Ao que parece, os criadores partilharam inclusivamente um vídeo no Instragram explicando a sua ideia e mostrando a função «incendiária»; nos comentários, confessam que planeiam multiplicar a produção deste objecto experimental… Será que o vão pôr à venda? Bem, leiam Bradbury, mas não se queimem.


 

Comentários

  1. Às vezes, penso que já muito pouca gente se lembra do que é ler...

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  2. Estou mesmo de acordo com o comentário de Maria Almira Soares. E, no entanto, quantas iniciativas para a leitura, existem? Cada vez mais! Quantos livros são vendidos? Cada vez menos. Será esta situação um lento preparar para uma nova atitude no conhecimento literário? E, no entanto, se falarmos com certas pessoas, leram tudo, conhecem tudo, ja leram três vezes, dez vezes o mesmo livro, não há nada, nadinha neste mundo que não conheçam...
    Mas sabemos, ainda assim sabemos, que há países por esse mundo fora onde se lê mais do que se lê por cá. Sabemos isso.
    E será que nos passos larguíssimos que o futuro trará com atitudes completamente diferentes, haverá ainda necessidade de leitura? Refiro-me a leitura de lazer? Não sei. Tenho muitas dúvidas. Mas quero acreditar que sim, que ainda possa existir essa ncessidade, ainda que esteja mais inclinada para o outro lado, o lado da não necessidade da leitura. Outras realidades surgirão.
    Realmente, quem vai às escolas falar sobre livros - que é o que eu faço vezes sem conta, logo à tarde lá estarei em mais uma escola - percebe muita coisa já diferente. A leitura de um livro é um acto solitário. É um acto isolado. É um acto anti-social. A leitura de um livro obriga a recolhimento, a silêncio, a concentração. E quando não se sabe o que quer dizer uma palavra? Sublinha-se e vai procurar saber o significado dessa palavra, porque se não o souber, não perceberá o resto da frase ou até mesmo todo o contexto do que se está a ler. Enfim, ler BEM dá trabalho. Ler mal e ler tretas não dá trabalho nenhum. Não sei o que se passará daqui a cinco mil anos e cinco mil anos é já ali. Provavelmente, os que aí estarão, observarão o objecto livro como uma curiosidade interessante que um dia existiu e foi usada à superfície da Terra. Existirão vitrinas para os conservar? Não sei. Existirão museus? Não sei. Lamento eu que seja assim? Não sei. Durante o tempo da minha vida, que é este, continuarei a escrever livros nas esperança de que alguém os leia. Mas daqui a cinco gerações vindas de mim, outras vontades e outros desígnios existirão e muita coisa restará adormecida para sempre. Se é que 'para sempre' quer dizer alguma coisa.

    Cristina Carvalho

    só uma nota: Ray Bradbury é um dos meus escritores preferidos. Ainda pertenço ao lugar dos vivos e dos que lêem, sublinham e saboreiam. Daqueles que nunca devoram livros.

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  3. É de divulgar estas notícias, mais não seja pelo aparente disparate ou tresloucura... mas parece que quanto mais tresloucada a idéia mais visibilidade tem.
    Sem comentários... um livro que se queima? Não serei eu quem o compre... mas há-de haver quem o faça, quem sabe se para acender cigarros!

    Saudações pasmadas cá da Cidade Morena.

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  4. Devo estar a ficar velho... E com pouca paciência para gente e ideias malucas...

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