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Vêm aí as Correntes d’Escritas – mais para diante, com o programa definitivo na mão, falarei delas com detalhe – e, como todos os anos, os finalistas do prémio literário promovido por este encontro de escritores com o apoio do Casino da Póvoa já foram anunciados. No presente ano a modalidade é ficção e engloba a produção literária de dois anos (ou seja, as balizas têm muito campo de discussão pelo meio). Não sei o que vai acontecer porque são catorze finalistas (penso que costumam ser menos) e combinam livros já premiados (A Resistência, de Julián Fuks, por exemplo, que ganhou o Prémio Literário José Saramago há uns meses; ou Karen, de Ana Teresa Pereira, que venceu o Oceanos) com obras de estreia (Esse Cabelo, de Djaimilia Pereira de Almeida), autores consagrados (Juan Marsé) com livros pouco conhecidos (A Brecha, do açoriano João Pedro Porto, por exemplo). Verifico, no entanto, que tenho três livros nos catorze: além do já referido Esse Cabelo, o romance Não Se Pode Morar nos Olhos de Um Gato, de Ana Margarida de Carvalho, e Um Postal de Detroit, de João Ricardo Pedro. Agora é esperar.

Comentários

  1. Pois esperemos:). As correntes de Escrita, que acompanho através do programa "A força das coisas" e também por aqui, no que dele vai sendo dito, parece-me ser um acontecimento literário no país. Vida longa às Correntes, que a gente precisa.

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  2. Um celebrado certame, honra seja feita à literatura... porque continuo a acreditar que está se não em alta, pelo menos em velocidade de cruzeiro!
    Saudações celebradas cá da Cidade Morena!

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  3. """Esse cabelo""" é uma bela estreia. Gostei muito de o ler. Vamos ver se não volta a ser premiado alguém da moda ...

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    Respostas
    1. Vai-me desculpar o atrevimento, mas entre amantes da leitura julgo que me entenderá!
      Fiquei curioso com essa do "esse cabelo" ... pode dar-me uma pista sobre a obra, ou seja por exemplo qual o enredo?

      Grato, cá da Cidade Morena!

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    2. Olá, ó da Cidade Morena,

      ' Esse Cabelo ' trata das aventuras e desventuras da cabeleira da protagonista, alter-ego da autora, que, sendo farta, forte, diferente, indomável, sofre frequentes tratos de polé para ser domada ! Isto, pela rama, porque na alma dessa menina há muitos mais vestígios e marcas profundas, amada pelos familiares, estranha para os outros. Como quem consulta um álbum de família, a autora desfia histórias do quotidiano, e do passado, mais ou menos ficcionadas, que constituem a trama e a urdidura do romance, sendo que nada é panfletário ou reivindicativo, antes pessoal, familiar, e cheio de convites a que se complete o sentido, o não dito. O cabelo é metonímia para o que vai passando na cabeça que o ostenta e sustenta! Falar n'Esse Cabelo é falar naquela cabeça, bela e poética, a um tempo e também. Como obra de estreia, surpreendeu-me. Gostei.

      "Ai, esse cabelo" , no sentido de " vê lá se o tratas" ! ressoa na memória de leitora.

      Espero ter espicaçado a curiosidade do amante da leitura.

      Acenos, cá da cidade-museu !
      Luísa Barbosa

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    3. E eu, para espicaçar mais o da cidade morena, acrescentaria que há muito de Angola nesse livro...
      Catarina João

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  4. parabéns aos meninos de sua mãe.

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  5. Adorei tanto "Essa puta tão distinta" do Marsé, como o "Marienbad Eléctrico" do Vila-Matas. Deve ser complicado para o júri do prémio encontrar estes dois enormissimos autores espanhóis entre os escritores da "short list". Ambos estão a um nível de originalidade e de mestria de ofício bem acima dos outros. Assim, por um lado, será estranho não atribuir o prémio a um deles, e, por outro lado, será difícil justificar a escolha de outro autor, estando os dois a concurso. É que Marsé já recebeu o Cervantes e a Vila-Matas já foi atribuída uma vintena de prémios mais importantes do que o da Póvoa. Talvez mais útil será oferecer o prémio a um promissor autor que esteja no início da sua carreira. Nesta perspetiva irei seguir a recomendação de leitura de "O Cabelo", procurando conhecer a escrita da Djaimilia Pereira de Almeida cujo trabalho desconheço de todo.

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