O que ando a ler
Pois então, cá estamos neste 2018 novinho em folha. Eu tive um final de ano acidentado: o Manel fracturou uma vértebra, foi operado, e isso acarretou consequências para ambos, pois foi preciso dormir no hospital, mudar pensos em casa, cozinhar, multiplicar-me. Mas agora, que as coisas estão a melhorar, tiro um tempinho para escrever no blogue. E começo por um livro que ando a ler por razões que se prendem com um determinado trabalho que tenho em mãos, e não, como se possa pensar, por causa da vaga de mulheres que resolveram abrir a boca para denunciar as situações de assédio de que foram vítimas (o que também está na ordem do dia). Trata-se de 100 Mulheres Portuguesas com História, de Anabela Natário, e em poucas páginas para cada mulher conta-se em que se distinguiram as ditas no seu tempo, citando-se alguns autores que sobre elas escreveram em várias épocas. O índice é extenso e abarca mulheres do século X ao século XX; embora muitas das escolhas sejam inescapáveis (D. Teresa Henriques, a Padeira de Aljubarrota, a Marquesa de Alorna, Florbela Espanca ou Natália Correia), outras há que nos ilustram sobre mulheres de que não conhecíamos a existência, como Inês Negra ou Cesina Bermudes. Aprende-se sempre alguma coisa com este tipo de obra.
Rápidas melhoras para o Manel se me permite a familiaridade. Pois o que ando a ler e que vem do defunto 2017 são: Dia Alegre, Dia Pensante, Dias Fatais da Filomena Molder;Volta a Portugal de Álvaro Domingues; A Falta de Sentido na Vida de Viktor Frankl e finalmente A Ilustre Casa de Ramires do Eça que nunca tinha lido.
ResponderEliminarBom dia. Desejo a todos, especialmente à anfitriã, um Mágico 2018, cheio de bons livros e de excelentes leituras. E Tudo o resto que desejam ver concretizado.
ResponderEliminarOra (sem h) o rápido restabelecimento do seu Manel!
ResponderEliminarExcelente sugestão esta que nos trás, e vou já procurar esse livro ainda hoje, pois estou em frenesi (porque é que o meu teclado não deixará pôr ~ no i?) livresco-leitureiro e isto tem sido um fartar vilanagem a comprar e a ler!
Comprei logo e ando a ler dois livros que me saltaram à vista:
1- "A estranha ordem das coisas" , António Damásio. Incontornável, é um livro que tem que ser lido! Nem vou dizer mais nada. Tudo o que tenho lido deste investigador social, filósofo, académico, é sempre muitíssimo bom.
2- "Os vícios dos escritores" , André Canhoto Costa. Nem de propósito para nós... também sem comentários, muito interessante e bem desenvolvido o tema, que jamais estará completo ou agradará a todos, mas é uma tentativa bem sucedida, bem escrito e organizado. Aconselho vivamente!
Depois: tenho-me deliciado a ler "A última viúva de África", de Carlos do Vale Ferraz. Um romance histórico baseado em factos reais. Fala-nos de uma África que existiu e de gente (nossa) memorável pela sua qualidade de ousarem, de fazerem, pela determinação que tinham! É uma história de brancos, uma utopia dos africanos brancos, daqueles das fazendas que eram gente dura mas que faziam e fizeram, e cujos vestígios ainda hoje perduram. Não confundir com saudosismo, não e nem nunca na obra deste autor, que é um homem da história que aliás a ajudou a fazer, pragmático e honesto. Um romance para quem como eu se interesse pelo tema da colonização e pela história recente.
"A Ilha" , Ana Afonso Simão (aliás minha conterrânea scalabitana). Para espairecer, uma leitura ligeira, num romance simples e despretensioso, muito bem escrito e que se lê de uma assentada, com prazer mas nos ilumina até. Faz-nos sentir leves, sem mensagens nem obrigar a nenhum esforço intelectual, apenas a ler e fruir dele, enttretém. Para lavar a alma!
Lendo aos pouco, ainda, um que me ofereceram: "Reaccionário com dois cês", de Ricardo Araújo Pereira. Ensaios, reflexões e dissertações na análise brilhantemente conseguidoa pelo genial humorista, por vezes tresloucado ou abordado pela via do absurdo, mas certeiro e com lógica!
E ficaram ali mais uns quantos para ler nos próximos tempos, do que darei conta...
Saudações Festivas cá do Bairro Ribatejano!
Ora bolas, saí anónimo neste computador... mas sou eu!!!!!
EliminarAcabei ontem Com o mar por meio, dos amigos Jorge Amado e José Saramago: gostei bastante.
ResponderEliminarComecei hoje Os Loucos da Rua Mazur.
Conheci a Inês Negra há muitos, muitos anos quando estive em Melgaço, agora a Cesina Bermudes é um mistério para mim - vou investigar...
Antonieta
Raramente se fala aqui de novelas gráficas, no entanto algumas há que merecem ser lidas. O Diário do Meu Pai, do Jiro Taniguchi é uma delas, pela sensibilidade da história e pela beleza do desenho a preto e branco - gostei imenso.
EliminarAntonieta
Estou a ler "Quando Portugal Ardeu" de Miguel Carvalho e vou começar "Os Loucos da Rua Mazur" do nosso João (preciso do apelo da ficção para ler quase diariamente, o que não sinto nos ensaios e na poesia...).
ResponderEliminarUm 2018 com muitos livros, muitas leituras, críticas e sujestões por aqui.
Tenho ali "Os loucos da rua Mazur", já a postos para ser lido!!!!
EliminarUm abraço e votos de Bom Ano!
Olá Luís, acabou de passar no Horas Extraordinárias (da RTP-3) uma excelente entrevista do "nosso" João Pinto Coelho, a propósito dos Loucos da Rua Mazur: a não perder!
Eliminar:-) Antonieta
Antes de mais nada, Bom Ano Novo e as melhoras do marido!
ResponderEliminarE agora vão-me desculpar, mas vou fazer, mais uma vez, uma correção, que aliás não é da responsabilidade da nossa anfitriã.
Mas quem é a D. Teresa Henriques? Se é a esposa do conde D. Henrique, mãe de D. Afonso Henriques, a pessoa referida, a referência assim feita está historicamente erradíssima! Às mulheres, nesse tempo, não era dado o nome dos maridos. Quando muito, do pai e, neste caso, o primeiro nome! Assim, a "nossa" D. Teresa, que muitos referem como sendo a primeira rainha de Portugal (com o qual aliás concordo, mas admito ser uma opção polémica) poderia ser apelidada de Teresa Afonso, mas nunca de Teresa Henriques, a não ser que se trate de uma filha do conde D. Henrique (uma irmã de D. Afonso Henriques, portanto), ou de uma outra Teresa, filha de um Henrique.
Não duvido de que o livro que menciona seja muito interessante. Mas... D. Teresa Henriques? Francamente!
Peço imensa desculpa, Maria do Rosário, mas esta tinha de sair, a História é um assunto que, como sabe, me é muito caro!
Bem, e já que se fala de leituras, ando a ler uma interessante antologia de contos góticos, intitulada "Dentro da Noute", que se pode descarregar gratuitamente no Projecto Adamastor e inclui autores portugueses e brasileiros, cujos direitos já cessaram (Eça, Herculano, Camilo, Florbela Espanca, Bernardo Guimarães e Machado de Assis, entre outros também muito dignos de menção).
Quem quiser fazer o download, ou ler mais sobre esta antologia, faça favor:
http://projectoadamastor.org/antologia-dentro-da-noute-contos-goticos/
Pronto, lá foi outra vez anónimo! Este novo método de identificação do Sapo dá azo a situações destas, como já se tem verificado.
EliminarÉ claro que sou eu, para quem ainda não tenha percebido.
Vou então fazer o log-in, em vez de preencher os dados.
Claro que todos percebemos quem era!
EliminarComentário a apontar o "defeitozinho" do post tão acaloradamente, de quem havia de ser?
Não fui eu, hã? Vou ver com atenção quem é a Teresa em questão.
EliminarEu percebi logo-logo, ahahahah!
EliminarMas, parece-me que tem toda a razão naquilo que diz!
Bom Ano para vocês e a Lucky, é claro!
Cara Maria do Rosário, "Henriques", na época medieval, significa unica e exclusivamente "filho ou filha de Henrique"! Daí a origem também de nomes como Fernandes, Gonçalves, Sanches, etc. Há exceções, como Afonso, que ficava igual (Teresa Afonso, Fernando Afonso, etc. são todos filhos de Afonso) e Viegas, que significava filho de Egas. Na época medieval, não havia apelidos, como hoje, e só nos casos dos nobres se acrescentava o "filho de". Para príncipes e reis, esta regra não existia, porque as expressões, antes do nome, "infante ou infanta D.", ou "el-rei D." dispensava qualquer outra classificação. Já os filhos ilegítimos do rei levavam o "apelido" (Fernando Afonso; Fernando Sanches), para se saber a quem pertenciam.
EliminarSe a Teresa Henriques do livro que menciona não é a D. Teresa (ou Tareja, ou Tarasia), então já cá não está quem falou. Porém, se se trata dessa personalidade, lamento erro tão crasso num livro que, suponho, se quer erudito. D. Teresa costuma ser conhecida por D. Teresa de Leão, ou D. Teresa de Portugal e há quem lhe chame condessa de Portucale, embora ela nunca tenha usado essa designação, sempre se classificou de infanta ou rainha D. Teresa. Mas nunca será D. Teresa Henriques, até porque existe o perigo de a confundir com a sua filha do mesmo nome, essa sim, Teresa Henriques.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Teresa_de_Le%C3%A3o
Obrigada.
EliminarJá agora, acrescento que estou igualmente a ler "Guerreiros de Pedra", de Miguel Gomes Martins, livro fantástico sobre castelos, muralhas e guerras de cerco em Portugal na Idade Média.
Cara Cristina, já fui ver. A autora diz expressamente que se trata de Teresa Afonso é que apenas lhe chama Henriques para facilitar a identificação pelos leitores. Está explicado.
EliminarNestas férias de Natal li Os loucos da rua Mazur (João Pinto Coelho), A louca da casa (Rosa Montero) e A origem (Graça Pina de Morais, uma senhora escritora já coberta pelo pó do tempo). Ontem comecei a ler Amor nos tempos de cólera (Gabriel G. Marques), livro comprado em 1987, edição do Círculo de Leitores; estranhamente, só agora senti o apelo desse amor).
ResponderEliminarEu (ABC) também sou anónimo.
EliminarDos livros publicados em Portugal dessa grande/enorme e magnífica escritora, cujo nome de baptismo era Lula Carson Smith, nascida no mesmo ano da revolução russa, só me faltava ler este "Relógio sem ponteiros", que ontem iniciei mas sobre o qual, obviamente, ainda não posso lavrar opinião.
ResponderEliminarMas quem escreve "O coração é um caçador solitário", "Frankie e o casamento", "a balada do café triste" e "Reflexos num olho dourado", romances absolutamente magistrais, claro que este, que agora estou a começar, "Relógio sem ponteiros" só pode ser bom.
Os contos dela também são magníficos.
EliminarAntonieta
Mas ó cara Antonieta há algum livro de contos da Carson McCullers publicado em Portugal? eu não conheço mais nenhum para além dos cinco que citei no meu anterior comentário.
EliminarHá sim, caro anónimo, e também é da Relógio D'Água: Contos Escolhidos, tradução da Ana Teresa Pereira, Agosto de 2012. Compre que vale a pena.
EliminarAntonieta
Confesso a minha total ignorância para me registar neste novo método, daí o Anónimo.
EliminarRealmente não conheço esse livro de contos, vou procurá-lo. Obrigado Cara Antonieta.
ASeve
Deixei para o fim e esqueci-me deste, que me parece de destacar!
ResponderEliminarDo meu amigo e duplo Confrade (na qualidade de caçador e de amante de livros) Nuno Sebastião, um livreiro especializado nos temas cinegéticos, que já antes publicou o interessantíssimo estudo "Paisagens de Caça - Bulhão Pato", saiu agora "Aquilino Ribeiro - A arte da caça". Estimo que o seu próximo trabalho seja dedicado a Miguel Torga, o que é bem possível segundo já conversámos...
É que, tendo a caça uma cultura e a ela se dedicando ainda muita gente do Mundo das Artes (pintura, escultura e sobretudo escrita) , há uma vasta obra escrita sobre o tema, e os nossos clássicos não lhe foram alheios. Temos um grupo de caçadores que escreve, que é activo e continua a publicar. Esta obra explora concretamente o Mestre Aquilino caçador.
É claro que à maioria de nós que frequentamos este blog, isto nada diz ou interessa, mas não deixarei de o referir, porque repito que a caça é e tem uma cultura, ou não seja uma actividade milenar, desde os primórdios do homem.
Saudações cinegéticas cá do Bairro Ribatejano!
Sou um admirador do Aquilino de quem já li quase toda a obra romanesca. Estou interessado nesse que refere. É capaz de me dizer qual a editora e ano de publicação? Ficaria imensamente agradecido.
EliminarAlbertino Ferreira
Não sei se está à venda nas livrarias... é uma edição do autor Nuno Sebastião, mas, posso dar-lhe o contacto dele! Que vou procurar... e depois publico-lhe aqui!
Eliminarn.sebastiao@hotmail.com
Eliminar966388463
O custo são 25 € mais eventuais portes de correio que andam pelos 1,80 €
Feliz Ano
Obrigado pela informação.
EliminarAlbertino ferreira
Estou a ler "Uma História da Curiosidade " de Alberto Manguel, que por acaso até rima com o desejo das rápidas melhoras do Manel.
ResponderEliminarBom Ano
E que tal, Puck?
EliminarGonçalo Tavares e a sua "A Mulher-Sem-Cabeça e o Homem-do-Mau-Olhado"; Rosa Montero em a "Louca da Casa."; Julian Barnes em "Nada a Temer". "Não se pode morar nos olhos de um Gato" da Ana Margarida Carvalho. Excelente Rosa Montero.
ResponderEliminarFeliz por vê-la (lê-la) por aqui, obrigada pela informação acerca do livro
ResponderEliminar-que não li", revotos de Feliz Ano.
Lamento o que aconteceu ao Manuel, desejo-lhe rapido restabelecimento e,
estou consigo.
Um bj. para os dois!
-rdc-Lyon
Fechei 2017 com nove contos de Salinger e abri 2018 com as "Conversações com Dmitri e Outras Fantasias", de Agustina.
ResponderEliminarDesejo as melhoras de Manuel e um bom Ano Novo para todos.
Este livro, que estou a ler ainda vai no início.
ResponderEliminarFoi-me catapultado literalmente pelas inúmeras conversas que surgiram acerca dele com um dos meus filhos, que o estava a ler.
Por enquanto ainda estou em " estado de graça" perante a fluidez da linguagem e a maneira como se entrecruzam os assuntos.
Um bom livro para mim, é aquele que é difícil parar de ler e este tem essa característica.
Num mundo pesadamente afirmativo, viajar pelos porquês do conhecimento é muito apelativo.
Graças ao grande homem chamado Dr.james por me devolver meu amante em 48 horas. Bem, deixe-me começar por me apresentar como uma erva-cidreira Saint Vincent USA. Com tanta alegria em meu coração, gostaria de contar ao universo sobre esse homem chamado Dr. James. Ele é capaz de recuperar o amor perdido e a família perdida. Apenas 48 horas depois que entrei em contato com o Dr. James, meu amado voltou para pedir que eu o aceitasse de volta. Se você precisa desesperadamente recuperar seu amante, entre em contato com o Dr. james em (drjamesd3@gmail.com) ou Whatsapp +27737872215. Entre em contato com ele hoje e você terá um melhor relacionamento.
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