Natal de todos
Ainda estamos a ressacar do Natal, por isso o tema está dentro do prazo de validade. É certo que todos sabemos que a festa se paganizou, se tornou puro comércio e já pouco tem que ver com o nascimento de Jesus ou a religião (aliás, todos os portugueses não crentes festejam o Natal, alguns com pompa e circunstância); mas fiquei uma vez realmente impressionada quando, numa viagem a Tóquio em finais de Novembro, encontrei lojas de produtos exclusivamente natalícios e ruas enfeitadíssimas para o Natal (numa, havia duas enormes árvores embrulhadas em gaze vermelha, que fotografei justamente por serem tão bonitas); quando perguntei ao meu anfitrião o que tinha dado aos japoneses, ele explicou-me que lá o Natal era mais um pretexto para festejar e que o costume era engatar alguém com quem passar a noite de 24 de Dezembro, coisa que os católicos achariam, no mínimo, escandaloso. Ou talvez não: é que a palavra “católico” é, afinal, bastante permissiva. Ao contrário do que se possa pensar, não vem do latim, mas do grego, que é língua de democratas: kata (junto) e holos (todos) quer, no fundo, dizer que reúne todos, que é “universal”. Por isso, para quê espantarmo-nos?
Ao contrário do que muitos católicos pensam, alguns dos termos relacionados com a sua visão religiosa do Mundo, uma das mais incongruentes que conheço, não provém do latim, mas, sim, do grego, como seja este, católico - Universal - ou Cristo (não o crucificado, como alguns poderão pensar, mas) - o Ungido, o Escolhido.
ResponderEliminarCatólico - grande presunção, não acham?
Mas esta é, afinal, a História da Igreja Católica, apenas uma das inúmeras variantes do Cristianismo, de que fazem parte, por exemplo, as ortodoxias e as correntes protestantistas.
Enfim. Um Bom Ano. Esclarecido.
O que sempre me espantou, e continua a espantar-me, é que os homens sempre se mataram, ao longo dos séculos, em nome dos deuses e das religiões - e não me parece que alguma vez vá parar.
ResponderEliminarEspantoso, não é?
Eu, na minha ignorância, aprendi este Natal que presépio vem do latim praesepe, cujo significado é "estábulo", "curral" ou "redil". Parece ser uma peculiaridade linguística muito nossa. É que se formos buscar a tradução de presépio em francês, italiano ou inglês, o termo que aparece é a tradução de berço nessas outras línguas, e não a tradução de estábulo, enquanto que em castelhano presépio se diz belén. Conclusão, presépio é muito nosso !
ResponderEliminarObrigada, gostei de saber. E fiquei a achar o termo presépio uma palavra ainda melhor.
EliminarA universalidade do Cristianismo é imensa... pena que Cristianismo seja sempre associado à Santa Inquisição, ou a mulheres de lenços negros e presumida virtude, a padres concupiscentes, e, no geral se olvide (julgo até que de propósito) todo o resto! Pois se agora até os cardeais acusam o Papa Francisco de heresia...
ResponderEliminarSaudações Cristãs cá do Bairro Ribatejano.
Os cardeais que acusam o papa são uns vendilhões do templo. Precisam ser expulsos. Mas não sei se Cristo quer descer à terra e repetir o serviço.
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