Lugar para os novos

Fico muitas vezes com a sensação de que determinadas pessoas, chegadas a uma certa idade, perdem a coragem para experimentar autores novinhos em folha e guardam o resto da sua vida para os clássicos (que não comportam assim tantos riscos). Por um lado, percebo-as. Mas, por outro, também saúdo as escolas de Escrita Criativa que recorrem frequentemente a novos talentos e os convidam a partilhar o espaço de uma aula com potenciais futuros autores ou gente que, simplesmente, quer aprender umas dicas para escrever melhor. Neste mês de Janeiro, a EC.ON, de que aqui já falei de outras vezes, recebeu Afonso Cruz para falar da sua obra, em especial do livro Jalan Jalan – Uma Leitura do Mundo, no dia 6; e no próximo dia 20 será a vez de Ana Margarida de Carvalho ir trocar impressões com os «alunos» a respeito do seu livro de contos, Pequenos Delírios Domésticos, recentemente publicado, e dos seus dois romances premiados. Daqui a dois meses, no dia 10 de Março, também João Ricardo Pedro irá falar do seu romance Um Postal de Detroit, que se seguiu ao aplaudidíssimo Prémio LeYa. Haja lugar para os novos.


 


P.S. Mais uma vez, peço moderação nos vossos comentários. Ontem isto parecia, como dantes se dizia, uma «peixeirada». Pensem só duas vezes antes de escrever. De contrário, passarei a apagar os comentários que considerar ofensivos. Não sujem a sala de estar. Obrigada.

Comentários

  1. Bom dia ou bons tempos e, lá se vai ficar com olhos abertos em tratar-se nova(s) tendência(s). Claro, por mais que a novidade no tom de voz acelera ou nem, (em termos) a questão relativa; estar-se-ía o 'bem estar'. Mas, de longe no fluxo os clássicos expressam a serena pureza, circunspecta. Gosto de atividade, quando de qualidade! Boa e prazerosa leitura, principalmente gente de pena leve, soft and lightness.


    Cláudia da Silva Tomazi

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  2. Bom dia. Um bem-haja, sempre, para a dedicação com que nos brinda todos os dias.
    Obrigado.

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  3. Ó extraordinária MRP conhece algum blogue mais vivo do que este?
    Por isso, quando, de vez em quando, se agitam as águas e originam uma boa polémica esta poderá ter o efeito do sal numa comida sensaborona tornando o blogue ainda mais vivo e, quiçá, ainda mais participativo.

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    Respostas
    1. Quantidade não é sinónimo de qualidade, muito menos de boa educação e respeito pelo próximo e pela dona da sala.

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  4. Estive no lançamento de uma autora de 12 anos, com um livro seu muito interessante, editado (como não podia deixar de ser) pela Chiado. Ontem mesmo, ouvi a notícia de uma autora de 10 anos que escreveu e publicou um romance policial.
    A isto eu chamo os novos-novíssimos: novos pela idade; adventícios na literatura.

    Caríssima Maria do Rosário
    Relativamente ao seu post scriptum, entendo que a casa é sua e tem o direito de expulsar quem quer que seja. Não comento atitudes de um lado ou do outro, nem pretendo justificar quem comenta contra, a fvaor, delicada ou indecorosamente.
    Suponho que o blog proporciona o termo "Anónimo" - e já me aconteceu fazer isso, mas corrijo logo a seguir - e também permite que, alguém como eu (embora já identificado), faça uso de um heterónimo.
    Aconselho a todos a porem o nome ou apelido (até heterónimo) a seguir ao texto.
    De resto, não desmotive. O blog vale pelos posts que aqui deixa com determinação e assiduidade; os comentários - quase todos de grande qualidade também - não deixam de ser complemento.
    Carpe Diem

    Fernando Joca Martinho

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  5. Pois eu julgo que, sobretudo as escolas públicas, estão abertas aos novos autores. Até porque autores consagrados e mais velhos recusam com frequência visitá-las por sobrelotação de compromissos, porque são longe, porque. Os autores mais jovens estão também mais perto da geração que os ouve e entendem-na melhor. É bom que as escolas de escrita criativa também se lembrem deles.

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  6. António Luiz Pacheco12 de janeiro de 2018 às 00:27

    Pela minha parte, como leio de tudo, não deixo de ler e experimentar os novos autores.
    Acredito que os clássicos também foram novos, a seu tempo, e dos novos se houver essa mesma capacidade de o serem (escrever algo intemporal) passarão igualmente a ser clássicos também a seu tempo. Ou não será?

    Quanto ao seu aviso de moderação, inteiramente de acordo! Se houve da minha parte alguma peixeirice (não me parecer que tenha havido, mesmo chamando-me Pacheco) peço desculpas. Mas nada de confusões eu não gosto e nunca gostei nem do Carrilho nem da Ana Gomes, independentemente do resto!

    Saudações Kaluandas!

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  7. A bem dizer, a falta de espaço para os novos tem menos a ver com a idade dos leitores do que com a aposta das editoras... Por isso é que a Chiado se tornou um refúgio, ou um alçapão... :-))

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