Capas

Não há dúvida de que uma pessoa que se apresenta lavada e arranjadinha convoca mais facilmente a simpatia dos outros do que um balda sujinho e com a fralda de fora. Com os livros passa-se o mesmo – e a capa é uma peça importantíssima para captar a atenção do leitor. Mas o marketing ultrapassou há muito o poder da (mera) arte e, infelizmente, as capas foram-se tornando nesta última década perigosamente pobres e semelhantes entre si, já não sendo possível a partir delas compreender muitas vezes o teor do recheio. Mesmo assim, o director de arte do The New York Times selecciona anualmente as capas que acha as mais bonitas ou as melhores em termos gráficos – e são essas que hoje vos mostro no link abaixo. A capa da tradução de O Livro de Desassossego, do heterónimo pessoano, está entre elas. Vale a pena ver.


 


https://www.nytimes.com/interactive/2017/books/review/best-covers.html?smid=fb-share

Comentários

  1. Bom dia. Avaliar a importância da capa ou definir a resposabilidade (segundo a vaidade) no dito cartão de visita do autor, se lhe toca ou nem alguma acalorada discussão, se lhe já vai démode. Existe tudo à favor do sucesso desde a simplicidade das cores até a melhor dimensão. Amo capas em alto relevo e com toque aveludado; sim são modernas.


    CST

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    1. Subscrevo o seu último parágrafo, Cláudia :)

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  2. Não gostei mesmo nada da capa do nosso Pessoa.

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  3. A capa do Livro do Desassossego - é impressão minha ou o olho do lado direito lembra a bandeira do Brasil? Já iremos aí na confusão? Português, é cada vez mais, tudo. Está bem ...

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    1. É um piscar de olhos aos leitores do Brasil...

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    2. Pois... É a bandeira do Brasil...
      Isto é um desassossego...
      Enfim... Quem tem capa nem sempre escapa.

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    3. Muito bem observada é essa do olho do Pessoa pintado com a bandeira do Brasil !

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    4. Artur, para ser a bandeira do Brasil teria o centro azul e não vermelho. As cores são as da nossa bandeira mas em proporções erradas. Ou então, como o Joca diz, será um ovo estrelado com cores esquisitas... sei lá, acho um horror!
      Mas comprem, americanos, comprem: é um livro extraordinário!

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    5. Obrigado pelo esclarecimento. De facto são as nossas cores, mas o que me saltou à vista foi o verde e o amarelo.

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  4. Ainda que cada um tenha o seu, o bom-gosto é cada vez mais discutível - espécie de camaleão que alguns pintam de cores bizarras, numa época de cansaço(s) em que o que choca parece fazer sucesso.
    Vindo do país que mais nos molda a opinião, e porventura o mais cansado com os próprios excessos... não sei o que diga...
    Senão que não haverá povo tão sensível a elogios quanto o nosso.
    Porque será?

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  5. A capa do livro do Fernando Pessoa foi, das aqui apresentadas, a de que mais gostei (muito) para além de mais duas ou três, nomeadamente a do livro da Fernanda Torres, não me merecendo (a mim) referência especial as restantes.
    Não vejo (eu, para o meu gosto) aqui, exceptuando duas ou três, nenhuma que "chegue aos calcanhares" de capas como as das antigas colecções da Argonauta, Vampiro e, por exemplo, da colecção miniatura dos Livros do Brasil.
    As capas dos Estúdios Cor também eram bonitas.

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  6. Continuo a adorar as capas amarelas dos livros do Saramago na Caminho: amarelo pálido com esquadria a castanho, nome do autor no topo, nome do romance logo a seguir, nome do editor em baixo. Sóbrio e elegante, como que a dizer: o importante é o que está lá dentro.

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    1. Mas alguns tinham sobrecapa, nomeadamente os Cadernos de Lanzarote e o Todos os Nomes, o que não me desagradava.

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    2. De acordo, o conteúdo é o mais importante - mas uma bela capa enriquece o livro. Eu adoro as capas da Tinta da China, e juro que não tenho nada a ver com esta editora, nem com qualquer outra.

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    3. Claro que a Tinta da China tem capas lindíssimas !

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  7. Tenho pelas capas uma enorme paixão como extensão e afirmação das obras. Não concordo com a assumpção de serem cada vez mais pobres e semelhantes entre si. Ao contrário, acho-as cada vez mais apelativas, pelo menos em Portugal. Não tão semelhantes como o grito de revolta autoral — faz hoje dois anos —, que entrou pela rememoração do meu facebook relativo ao "Rio do Esquecimento" de José Antunes Ribeiro. Um livro, editado pela Ulmeiro, em 1993, com o mesmo título do "Rio do Esquecimento" da Isabel Rio Novo, editado pela Leya.
    Não li ainda o livro da Isabel. Tenho, pelo que li aqui e ali, pelo que folheei, por esse "símile" pessoal da autora com o amigo Paulo Morais, a quem admiro a enorme dignidade colocada na sua vida, a certeza da sua força e seriedade como autora à procura do seu EU escritor. Um lapso, mais da responsabilidade da casa editora do que da autora, pela certa. Querendo crer nisso nem tenho nada contra a duplicação de títulos de livros doutros autores "desalinhados", num mundo cada vez mais normalizado e esgotado de novidade, não havendo um propósito claro de imitação, de plágio. Em qualquer caso não me parece que o seja relativamente ao aproveitamento dum bom título de autor, infelizmente duma obra sem a força do marketing sendo que: título é título, conteúdo é conteúdo.

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  8. Não deixa de ser curioso, que hoje, são as capas sóbrias (raras...) que chamam mais a atenção nas bancas (pelo menos a mim).

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  9. Para meter a colherada nas capas, tenho a dizer que estas são a montra do livro e, como tal, apelam ou repudiam.
    Aprecio as capas simples, como as primeiras da colecção Livros de Bolso da Europa América (infelizmente sem indicação do autor, limitando-se à indicação dos Estúdios PEA), bem como a concepção geral das da Ficção Universal/Publicações Dom Quixote (infelizmente sem indicação do designer, talvez o editor Manuel Valente).
    Há ainda editoras que não mostram especial atenção ao pormenor das capas e, ainda pior, aquelas que nem sequer se preocupam a mencionar quem é a sua autoria, quando, como sei, a primeira impressão de um livro, para além do autor, é a sua "montra".
    Para além de autor de ficção generalista e ficção história, também já concebi e executei capas para uma editora. Por isso, sei do que falo, porque nem todas resultam...

    Fernando Joca Martinho

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    1. Saí e regresso para completar o que disse com o que não disse.
      Para mim, das capas que mereceram a escolha do The New York Times, a mais significativa é a de “All We Saw” , de Anne Michaels, concebida por Janet Hansen (estes indicam os autores). Há lá outras que são de uma desolação infinita (para mim)compadre do mau.
      Quanto à de Fernando Pessoa, trata-se, como é comum nos States, de uma hard cover em que o olho do Pessoa tem uma espécie de ovo estrelado, para além de um nariz e lábios de palhaço. É inestética e desdenha pelo uso da fotografia do Pessoa, mas tenho de reconhecer que chama a atenção - e isso é o que o editor pretende.

      Fernando Joca Martinho

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    2. Peço desculpa! Um "bug" comeu algumas partículas de texto e saiu um "compadre do mau" tão inesperado como inopinado. O que eu quis dizer foi isto:
      "Há lá outras que são de uma desolação infinita (para mim), uma vez que o bom, com alguma frequência, é compadre do mau".

      Que a MRP me perdoe tantas entradas e saídas.

      Fernando Joca Martinho

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    3. Ai Joca, acho aquela mão absolutamente horripilante!
      Se por acaso comprasse aquele livro (o que não vai acontecer) fazia-lhe logo uma capa personalizada.

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