Belos acasos

Estando à procura de uns papéis que não sabia bem onde tinha metido (a idade prega-nos cada vez mais partidas deste tipo), encontrei umas notas que tomei há tempos, enquanto lia, maravilhada, uma entrevista de George Steiner. E que belo acaso se tornou esse momento! Não é novidade para ninguém que Steiner é um dos mais interessantes pensadores da actualidade, mas ele diz coisas tão notáveis nessa entrevista que, preguiçosamente, me limitarei a reproduzi-las aqui (até porque o meu melhor comentário neste caso é mesmo o silêncio respeitoso e admirativo). Fruam, porque vale mesmo a pena (e eu volto à minha busca pelos tais papéis, se me dão licença):


 


“O maior dos críticos é sempre minúsculo ao pé de um criador. Os críticos são parasitas na melena do leão.”


 


“Um judeu é um homem que, quando lê um livro, o faz com um lápis na mão porque tem a certeza de que pode escrever outro melhor.”


 


“Nenhum lugar é aborrecido se me derem uma mesa, café e livros. Isso é uma pátria.”


 


“A poesia ajuda à concentração porque ajuda a aprender de cor. Sempre a reivindiquei no ensino, é bom levar dentro muita coisa, outras vidas. O poema que vive connosco muda connosco.”


 


“Os velhos deviam poder decidir quando morrer. Já não há recursos para manter viva tantas pessoas senis e dementes, vai contra a felicidade de muita gente (os jovens que têm de levar connosco) e não é justo.”


 


 

Comentários

  1. Ainda há bem pouco tempo também o li, igualmente maravilhada, nas Entrevistas da Paris Review 3, um dos melhore livros editados em 2017.
    Como eu a compreendo nessa busca de papéis - cada vez que acontece mais...
    Antonieta

    ResponderEliminar
  2. Que maravilha ! Obrigado ! Steiner estará para sempre connosco.

    ResponderEliminar
  3. Aconselharia também o ensaio sobre Martin Heidegger onde reflexiona profundamente sobre o sentido da vida e a morte, bem como o mais literário sobre Tolstoi e Dostoievski
    Albertino Ferreira.

    ResponderEliminar
  4. Um dos grandes pensadores... e como estamos necessitados deles nestas primeiras décadas deste século, tão "notada mente" consagrado ao excesso de episódios do EU. «A boa leitura pressupõe resposta ao texto, implica a disposição de reagir a ele, atitude essa que contém dois elementos cruciais: a reação em si e a responsabilidade que isso representa.»

    ResponderEliminar
  5. Fantástico, de facto!
    O que seria do Mundo sem os pensadores conscientes? Sem os poetas? Sem os críticos construtivos? Sem os que os admiram e fazem eco das suas palavras?

    ResponderEliminar
  6. Permita que a cumprimente por tão denotado " post".
    Mas D. Juan das Bibliotecas?
    Não é demais??

    ResponderEliminar
  7. Do que li nas entrevistas, parece-me um sábio com profundidade de pensamento invulgar e coragem para dizer o que pensa.

    ResponderEliminar
  8. gosto, particularmente, desta: https://www.youtube.com/watch?v=Oear9SEXQKQ

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

Em Berlim

O que ando a ler

O principal e o acessório