A magia de aprender
Descobrem-se coisas muito interessantes no Facebook (esta foi via Maria Sequeira Mendes, professora universitária e amiga que trabalhou comigo na Temas e Debates enquanto fazia o mestrado), entre elas que «aprender» está seguramente ligado, pelo menos em termos etimológicos, a uma certa ideia de magia ou encantamento. Senão, vejamos: a palavra portuguesa «grimório» (acredito que desconhecida de muitos) diz respeito a uma espécie de manual de magia, uma colectânea medieval de feitiços, amuletos, cartas astrológicas, mezinhas para lançar conjuros, listas de anjos e demónios e muito mais. Ora, «grimório» vem do francês antigo «gramarye», que significava «aprender» e que não só deu origem a palavras como «grammaire» (gramática), mas também a essa expressão actualmente usada e abusada que é «glamour» (e que, na base, quer dizer justamento feitiço ou encantamento). Por isso, não sei realmente porque tantos resistem à leitura e à aprendizagem: não só descobrir coisas novas é um coisa verdadeiramente mágica, mas também glamorosa. Abaixo, segue um link sobre os grimórios mais conhecidos, entre os quais se encontra o Livro de S. Cipriano.
https://www.theguardian.com/books/2009/apr/08/history

Essa palavra não vem no dicionário da Porto Editora e não é muito usual na nossa língua, valha a verdade, mas vem no Grande Dicionário da Língua Portuguesa de José Pedro Machado com o significado de livro de magia com o qual se evocam os espíritos, podendo também significar livro velho, alfarrábio.
ResponderEliminarGrimório é um vocábulo antigo, o qual vem referido na Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira (Volume 12, pg. 788, col.1), com o significado muito sintetizado, e que é:
ResponderEliminar"Livro de magia com o qual se evocavam os espíritos".
Não sei se o vocábulo Grima - utilizado em Trás os Montes - com o significado de pavor, terror ou medo, poderá ser um seu derivado.
Também na net - designadamente na "insuspeita?!" Wikipédia vem descrito o Grimório, no plural, como sendo: "(do francês grimoire) são coleções medievais de feitiços, rituais e encantamentos mágicos invariavelmente atribuídas a fontes clássicas hebraicas ou egípcias".
Para além disso, através de qualquer motor de busca - euservi-me do Google - há copiosa informação sobre o Grimório, como esta: " O Grimorium Imperium é um livro raríssimo escrito por Abdul al-Hazred (o mesmo autor de O Necronomicon). Ensina as práticas de conjurar espíritos mais ferozes e poderosos que aqueles conjurados pelo Rei Salomão - Os Espíritos Antigos".
Fernando Joca Martinho
Os grimórios permanecerão na obscuridade que já da própria palavra, e ainda bem ! Interessam a quem, com tanto de fascinante a conhecer ?
ResponderEliminarOra grimórdios aparte, palavra que desconhecia completamente e suponho que o Ricardo Araújo Pereira também (cito-o porque estive a ler o reaccionário com dois cc e ele adora usar palavras pouco habituais), achei mais interessante a questão da resistência à aprendizagem / leitura.
ResponderEliminarSe esta resistência por parte de quem já possui a experiência e o saber, é previsível e se compreende, por parte dos que não possuem nem uma nem outra, neste caso os mais jovens, é que não se entende mesmo!
Os jovens são curiosos, têm uma certa dose de atrevimento e claro de rebeldia, mas parece que recusam a aprendizagem? Contestam a escola, mas pergunto com base em que saber ou conhecimento se ainda não o têm e nem experimentaram outros sistemas? Apenas porque é próprio dos jovens serem contestatários, suponho, estarei errado?
Falta talvez a disciplina, necessária numa certa dose que impeça o resvalar para a anarquia e o caos, tendenciais ao homem e à juventude em particular, sobretudo quando se cria e cresce na abundância, na facilidade e no proteccionismo.
Onde está essa disciplina hoje? Quem a pratica e aplica, onde? Como se aprende sem disciplina? Como se aprende sem ler, sem a compreensão inteligente que leva à formação das ideias e do intelecto? Apenas por imitação, de forma acéfala, automática e repetida?
É deveras preocupante, se bem que acredito que ainda vai dar-se a volta, o Mundo é redondo e gira, não creio que acabe amanhã e também não me parece que vamos regredir para a Idade Média.
Saudações positivas, mas pensativas, cá do Bairro Ribatejano.
Embróglio conheço bem, mas grimório nunca tinha ouvido falar.
ResponderEliminarQuem sabe por ser uma palavra para lá dos Pirinéus.
Mas que é Haddockiana (no sentido do Archibald e não do escamudo), lá isso é;
- Com mil grimórios - soa bem.
Ou então na forma elegante e clássica do Pacheco " Ora grimórios aparte".
O conceito da palavra mágica é de facto interessante e cheguei mesmo a tentar usá-lo, sem nenhum sucesso.
Pois no dia em que o decidi estrear, após uma "bica" e um belíssimo e salutar copo de água consumido pelo meu filho, aproveitei o ensejo do experimentalismo.
-Então qual é a palavra mágica? - perguntei eu ao pequeno.
Rápido como um tiro que eu preferiria evitar veio a resposta.
- É australopiteco, não é?
Por essas e por outras é que me são familiares os embróglios.
Nunca tinha pensado que a actividade de aprender alguma coisa pudesse ter algum glamour no sentido actual de ser notado num certo sentido estético. Contudo, reconheço que há algo de mágico em aprender. Ficamos que tempos a treinar desajeitadamente, parecendo até que nunca seremos capazes, e de repente, numa espécie de clic, zás, sabemos. E, embora eu saiba que num conhecimento, prático ou teórico, se considera o tempo de o assimilar e acomodar, a verdade é que há o momento daquele abençoado clic mágico. Sem S. Cipriano.
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