Os tradutores
Nós, apaixonados pelos livros, temos uma dívida aos tradutores que nunca conseguiremos pagar. Eles têm sido os grandes responsáveis por terem chegado até nós milhares de textos de dezenas de idiomas que, de outro modo, nunca teríamos podido ler – e eu nem quero pensar o que teria sido ser privada de Homero, ou Rilke, ou Sándor Márai, ou Thomas Mann, ou Hermann Hesse, ou Mishima, ou Szymborska, ou Akhmatova, ou tantos mas tantos autores de línguas que não domino. Por isso, nunca é demais premiar quem faz traduções (boas, claro) e é hoje mesmo que, pelas 17h30, vai ser entregue o Grande Prémio de Tradução Literária SPA/APT 2017 a António Sousa Ribeiro pelo seu trabalho de tradução integral da peça Os Últimos Dias da Humanidade (cerca de 900 páginas!), do escritor vienense Karl Kraus. O premiado, catedrático da Universidade de Coimbra, tem-se dedicado bastante à tradução literária, especialmente de língua alemã. Houve ainda duas menções honrosas – e fiquei muito feliz por uma delas ter sido para a tradução portuguesa de A Vegetariana, assinada por Maria do Carmo Figueira. A Associação Portuguesa de Tradutores (APT), que fundou este prémio, declara que, com ele, procura «destacar a tradução como exercício de autoria em literatura, e dar ao tradutor o lugar que merece no mundo da cultura nacional e internacional». Parabéns aos premiados deste ano (e a todos os que traduzem bem). E obrigada, claro. Sem vocês, as nossas leituras seriam tão incompletas.
Aplaudo!
ResponderEliminarComungo inteiramente do que diz sobre os tradutores, porque sem eles os nossos bem-amados livros não teriam a universalidade que nos permite ler qualquer obra de qualquer autor numa língua estranha.
O tradutor, além de dar aos livros essa globalização que nos faz aceder a eles, ainda cumpre a notável função de retransmitir com arte e saber aquilo que o autor quis expressar, portanto se o autor é o pai do livro, o tradutor é o tio!
Ficam aqui expressas a minha gratidão e admiração pelos tradutores, em quem também adivinho uma imensa paixão pela literatura.
Saudações gratas cá da Cidade Morena!
Tenho o MAIOR respeito pelos bons tradutores e uma série de livros para devolver às editoras pela má tradução que publicam.
ResponderEliminarFico particularmente feliz por ver reconhecida tradução da língua alemã e por, dessa foram, se fugir um pouco ao primado anglístico. "Gratuliere!"/Parabéns!
Homenagem mais que merecida!
ResponderEliminarNão ter a oportunidade de ler Rilke, Sándor Márai, Thomas Mann ou Hermann Hesse... É até difícil de imaginar. Para não falar dos grandes e clássicos autores russos.
Há tradutores e depois há tradutores.
ResponderEliminarParece-me que a tradutora de A Vegetariana traduziu o trabalho da tradutora inglesa. Como foi notíca, é sabido que a obra em inglês e todas as traduções feitas a partir dessa em nada reproduzem o livro na língua original.
A Rosário saberá bem a que me refiro.
Parabéns aos bons tradutores.
Se isso fosse efectivamente assim, como iria Han Kang continuar a contar com essa mesma tradutora nas suas obras posteriores? E, numa delas, pedir que escrevesse igualmente o prefácio? Acredito que haja discrepâncias nas traduções de línguas orientais, mas creio que a notícia que leu já fi desmentida.
EliminarEspero uma reedição de O Lobo das Estepes. O grande Hesse merece!
ResponderEliminarFaça uma forcinha Maria do Rosário :)
Comprei este ano uma reedição (D.Quixote, Julho/2016) de O Lobo das Estepes, tradução de Paulo Rêgo.
EliminarEstá a pedir uma reedição ou uma nova tradução?
ap
Ainda ninguém se lembrou de propor o Google Tradutor para este prémio? Pelo que tenho experimentado, dali têm saído traduções, à letra, de grande "qualidade". Ou ainda, à escala global, daquele tradutor de americano (inglês, naturalmente) para americano, Donald Trump?
ResponderEliminarSei o quanto é difícil esta profissão, graças à cautela que é necessário observar ao verter uma em outra quando, em grande parte dos textos em algumas, é construída sobre frases idiomáticas. É este o problema endémico do Google.
Numa entrevista que dei a um blog italiano, quis ter a gentileza de proporcionar ao autor do blog a possibilidade de receber o meu texto em português e na língua de Salgari. Conclusão: ele deve ter rido a bom rir e fez o seu trabalho, traduzindo ele da língua de Camões para italiano. Tinha saído da minha tradução uma zoologia graciosa de vocábulos, certificada para causar alguns embaraços e perplexidades aos leitores, prontinha para entrar numa enciclopédia dos incríveis.
Não aprecio os tradutores em trânsito, nem as editoras que demoram a pagar aos tradutores, como foi o caso da Leya, corrido pela imprensa em 2012 ( e delcupem-me por lembrar esta afronta).
Tradutor por tradutor, prefiro o "Tradutor de Chuvas", de Mia Couto, área literária onde este autor também é perito, tal como a nossa anfitriã - a poesia
Fernando Joca Martinho
Caro Fernando Joca Martinho, ao ler o post de hoje, lembrei-me igualmente desse caso de 2012.
EliminarE já que se falou tanto de Hesse, deixo aqui a tradução (livre, de minha autoria) de um seu curioso e pouco conhecido poema, que tem ainda a ver com uma série de comentários ao post de ontem:
"Agradecemos muito o seu comovente poema,
Que nos deixou profunda impressão,
Achamos, por isso, uma grande pena
Não podermos considerar a sua publicação."
Assim me escreve um qualquer periódico
Quase diariamente. Folhas vou acumulando.
Cheira a Outono e o filho pródigo
Apercebe-se que nenhures encontra o seu canto.
Escrevo então para mim, sem alvo,
E leio para a lâmpada da secretária.
Talvez nem a lâmpada me dê ouvido.
Mas ilumina e cala. Sempre já é algo.
Deixo o original, para quem quiser comparar:
"Wir danken sehr für Ihr ergreifendes Gedicht,
Das uns so tiefen Eindruck hinterlassen hat,
Und wir bedauern herzlich, daß es nicht
So recht geeignet scheint für unser Blatt."
So schreibt mir irgendeine Redaktion
Fast jeden Tag. Es drückt sich Blatt um Blatt.
Es riecht nach Herbst, und der verlorene Sohn
Sieht deutlich, daß es nirgends Heimat hat.
Für mich allein denn schreib ich ohne Ziel,
Der Lampe auf dem Nachttisch les ich's vor.
Vielleicht leiht auch die Lampe mir kein Ohr.
Doch gibt sie hell, und schweigt. Das ist schon viel.
P.S. O título do poema é "Brief von der Redaktion" (Carta da Redação - de um periódico, claro)
EliminarA atestar a sua autenticidade, deixo dois links, mas são em alemão:
http://consciousness.npage.de/afflatus/hermann-hesse-gedichte.html
O 4º poema nesta página
http://www.joergalbrecht.de/es/deutschedichter.de/werk.asp?ID=177
Caríssima Cristina Torrão
EliminarPara além de ser uma escritora que admiro (li o "D. Afonso Henriques- o Homem" e a "Cruz de Esmeraldas"), sendo licenciada em Línguas e Literaturas Modernas, sei que domina o alemão (e isto não é para todos os latinos, mesmo os que lá moram), pelo que a sua tradução deste poema vem, para mim, com o selo de alguém que sabe e o demonstra efectivamente.
Infelizmente, nem todos os tradutores possuem uma escola da vida - quero dizer com isto, a escola colhida com os cidadão autóctones dos países - para além da academia e de algum traquejo colhido de forma diletante.
Tenho uma obra que foi publicada por um município, o qual entendeu proporcionar a sua leitura a ingleses e espanhóis. Foi entregue a dois tradutores (presumo, uma vez que foi uma sociedade encarregada disso) e valha-me Deus! Há lá traduções de banco de liceu, o que não abona nem a mim nem a quem traduziu.
Um dia, quando era assíduo neste blog, deixei aquela frase italiana - traduttore traditori - , dirigida aos tradutores iconoclastas, que foi colhida deste excerto:
"La fortunatissima formula sentenziosa traduttore/traditore, risalente all’arguto e puntiglioso Vittorio Imbriani, che la usa per la prima volta nel 1869, riferendola ad Andrea Maffei, traduttore di Goethe, Schiller e Gessner nonché di Milton e Shakespeare, è assurta ormai a luogo comune."
Nessa altura, em resposta ao meu comentário, saltou o Francisco Agarez que, como sabe, é tradutor de algumas editoras, de entre as quais a D. Quixote (Leya). Previa-se debate animado, mas não ocorreu porque eu curvei a ossatura. A seta não tinha sido apontada a ele. E ele fez bem em zupar no meu cortiço. Sei hoje - soube-o então - que ele é um dos melhores tradutores do País; se não recebeu ainda este galardão em apreço, merece que seja corrigida essa injustiça.
Estou para adquirir o seu livro D. Dinis. Tenho registo na "Wook" e já lá o encontrei. Este desejo de o ler prende-se com duas razões: a primeira, porque aprecio a forma como trata as personagens (verídicas) históricas; a segunda, porque já escrevi sobre D. Dinis, mormente sobre as suas bodas, tendo-me deslocado ao Palácio de Aljacerias (Saragoça) para colher bibliografia; à entrada, do lado direito, possuem uma bem recheada livraria.
Relativamente ao seu comentário de ontem, posso garantir-lhe que o meu blog consta da sua lista de seguidor. O mistério é saber qual... o que não será difícil para si.
Neste regresso às "horas extraordinárias", procuro as referências dos comentadores de então, alguns dos quais demonstram grande apetência pelas leituras e, tal como a nossa Anfitriã, possuem vastos conhecimentos de Literatura.
Fernando Joca Martinho
Tal como a Xerazade, dando-me corda, não arredo pé para narrar, falar, comentar...
EliminarPeço desculpa à Rosário e ao comentador que segue (é arrastado para a segunda página), pois vou repetir a troca de comentários entre mim e o Agarez, no longínquo 2012. Vale a pena ler, não sei se terão pachorra. Foi uma peça de Maria do Rosário sobre a tradução, pelo que, sendo extensa esta colagem, evita recorrer-se ao artigo (não acredito que o fizessem). As réplicas e as tréplicas estão devidamente sinalizadas.
Francisco Agarez
Declaração prévia de interesses: sou tradutor.
Dito isto, apenas dois breves comentários ao comentário de Jocamartinho:
1º. A afirmação "não há dinheiro para o essencial, o supérfluo tem que se financiar por si próprio" é cristalina e explica tudo o resto. Mais palavras para quê?
2º. A (aparente) pergunta "Não há escritores em Portugal que não precisam (sic) tradução e são preteridos por escritores menores de outras latitudes pela simples razão de que os direitos e as traduções ficam mais baratos do que as produções nacionais?", além de maniqueísta e xenófoba, é de fundamento duvidoso. Não me parece que, para um editor português, fique mais barato pagar os direitos e as traduções (apesar de baratas) do que produzir livros de escritores nacionais "maiores" do que os traduzidos. Também aqui, como em tudo, há maiores e maiores, há menores e menores.
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Jocamartinho
Como diria o Eça, o tradutor Francisco Agarez partiu-me um braço quando achou que a minha afirmação era maniqueísta; arrancou-me uma perna quando me atribuiu xenofobia a tudo o que precisasse tradução; possivelmente colocar-me-ia numa cadeira de rodas se eu, na minha intervenção-comentário, incluísse em "índex" expurgatório os livros de autopres de língua portuguesa não nacionais - era racismo.
No entanto eu não fiz nada disso, embora ainda me considere maniqueísta e não xenófobo. O Bem está de que lado? Quem são os Bons e os Maiores? Acabou-se a dicotomia Bem e Mal?
Agarez, que nos traduziu Roth, não devia ter retirado a minha frase - que citou - do contexto que vinha de trás, pois cortou braço e perna ao texto. O que eu escrevi antes, foi: "Será outra a questão quando os editores não tiverem dinheiro para as traduções. Então? É o Estado que as vai financiar? E por quê? "
Assim, essa minha frase, a seguir, prossegue esta hipotética situação, que jamais se colocaria - é mera retórica, porque haverá sempre editores a traduzir livros estrangeiros (embora eu preferisse que traduzisse os bons - logo, o meu espírito maniqueísta).
Caro Agarez, por mim não acabam os tradutores portugueses, até porque tenho uma obra minha traduzida em inglês e castelhano. E também não acredito que acabem as editoras por não recorrer à tradução de obras para português.
O que, por vezes, me repugna, é o politicamente correcto e considerar que só é bom o que vem de fora. Saiba que, há uns anos atrás, dava eu os primeiros passos no mundo da publicação, entregava ao editor obras com um pseudónimo americano, uma forma (in)correcta de colocar o interesse dos leitores nesse género de literatura.
Serrá isto o lado xenófobo do leitor nacional, não sendo chauvinista nem nacionalista?
Descanse, caro Agarez, que considerro o seu comentário pertinente, embora despropositado na forma como rotulou o meu; e garanto-lhe que, das feridas causadas, já tive alta do hospital.
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Francisco Agarez
Ainda bem que se refez depressa, caro Jocamartinho. Sinal de que não lhe cortei perna nem braço, nem me pesa na consciência o pecado de o ter retirado do contexto. Os meus dois comentários referem-se a dois parágrafos separados da sua prosa. E não desvirtuam o respectivo contexto.
E ainda bem que não lhe inutilizei, nem sequer transitoriamente, a mão que escreve. Leio-a sempre com gosto.
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Jocamartinho
Pese embora a linguagem metafórica empregue, compreenda que não fiquei ofendido e também não quis
Caro Joca Martinho
EliminarNunca tive grande jeito para traduções e traduzir poemas é muito complicado. Mas achei este tão interessante e acessível, que comecei a traduzi-lo, saindo a coisa tão bem, que cheguei ao fim. Já há muito tempo o tinha guardado. Pensei em postar, no blogue ou no facebook, mas hesitei sempre. Hoje, lembrei-me dele e esparramei-o aqui. Mas apenas para que os comentadores deste espaço tivessem uma ideia do conteúdo.
Obrigada pelos seus elogios, quanto à minha escrita. Constatei com surpresa que o meu "D. Dinis" está de novo à venda na Wook (esteve muito tempo não disponível), mas é a versão antiga. Eu tenho uma nova, do ano passado, em edição de autor, depois de rever todo o texto, mas é um pouco mais cara do que esta oferta por 8 euros. Já agora lhe digo que não faço ideia quem é o responsável pela venda, nem para onde vai o dinheiro. Se estiver interessado na nova versão, contacte-me pelo mail do blogue.
Quanto aos comentários de ontem, confesso que estou confusa. De si, lembro-me. É o mesmo comentador que mencionou usar o nick Martinho? Quando li esse comentário, nada me ocorreu, mas depois de ler o nome Joca Martinho, lembrei-me, sim.
Indo o prémio para um livro em alemão traduzido por um professor da Universidade de Coimbra, parece-me pertinente recordar Paulo Quintela. Ele deixou Escola !
ResponderEliminar"...Eles têm sido os grandes responsáveis por terem chegado até nós milhares de textos de dezenas de idiomas que, de outro modo, nunca teríamos podido ler ..."
ResponderEliminarPortanto são assim como pontes?-ligam o que antes só existia separado.
Como por exemplo Budapeste, de onde veio Dezso Kosztolány e o seu notável tradutor cleptomaníaco que entre tantos recomendadíssimos predicados, até teria ensinado inglês ao próprio príncipe de Gales.
Mas a vida e as suas tortuosas vielas levaram esta genial criatura a uma pulsão pouco recomendável e psicologicamente disruptiva.
Enfim, gamava.
De tudo um pouco, das pantufas até às chaminés de fogão mas os amigos tudo fizeram para o ajudar.
E eis que "numa manhã escura de Dezembro, perto do Natal" aparece à porta de Esti desesperado. O amigo vai falar com " um editor decente e humano" e arranja-lhe trabalho.
Que embora não fosse nenhuma pérola da literatura dava para pôr pão na mesa.
Mas passado pouco tempo, o amigo é confrontado pelo editor que lhe diz que o trabalho é inutilizável.
Embora com todo o preciosismo e rigor do engenho linguístico que o amigo lhe reconhecia, este confrontado com o texto no original teve que dar razão ao editor.
E precisou de tempo, foi gradual.
Este conto merece mesmo ser lido, não querendo ser "spoiler" só vos posso adiantar que se a " troyka" conhecesse este rapaz contratava-o.
Mais um caso de ter nascido no tempo errado.
Prezo muito o trabalho de tradução. Pelo que nos é dado. E porque é necessário certo grau de sabedoria, paciência, gosto e sensibilidade. Ser bom tradutor é sempre saber interpretar no mínimo pormenor o valor de cada termo ou expressão. Que não é fácil a colagem de uma língua a outra. Talvez nem seja possível. Um bom tradutor é um profissional admirável.
ResponderEliminarSem sombra de duvidas. Uma boa ideia.
ResponderEliminarFui tradutora duma obra americana da autoria de. Norma Reeds , "A DUPLA IMAGEM, numa editora, que deixou de existir EDITORIAL IBIS, na VENDA NOVA, AMADORA, em que o meu iinterlocutor era DINIS MACHADO, em 1968. Sei que apareço como tradutora,- SILVIA REIS GONÇALVES , AINDA SOLTERA,....E QUE ESSE LIVRO FOI REGISTADO NUM DEPARTAMENT PÚBLICO que funcionava no Palácio Foz por uma ex-colega que trabalhou comigo no INSTITUTO DE DEFESA DO CONSUMIDOR . Ofereci os 2 exemplares que a EDITORA me disponibilizou a 2 amigos já falecidos e as viuvas perderam-lhes o rasto ...AGRADECIA MUITO QUE ME INFORMASSEM COMO E ONDE OBTER ESSE REGISTO, PARA DEIXAR AO MEU NETO ÚNICO, Tiago, de 14 anos .TEM UM VALOR INESTIMÁVEL PARA MIM...Pelo menos a capa e a página em que é referida a tradutora.- SILVIA REIS GONÇALVES.
ResponderEliminarActualmente, uso o nome de casada - SILVIA GALAMBA DE ALMEIDA , resido em Lisboa ...e os meus contactos são Tlfone fixo - 21 726 33 05 TM - 96 484 79 36
Grata por qualquer ajuda, É MUITO IMPORTANTE PARA MIM. OBGDA.
Verdade. MESMO!!!!
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