Ler Eugénio
Conheço muita poesia desde pequena. Não só a minha avó e os meus pais gostavam de a recitar para nós como a escola onde andei, já aqui o disse, era o Lar Educativo João de Deus, onde desde a primeira classe líamos versos do poeta e, no fim do ano, havia uma festa na qual dizíamos poemas dele e de muitos outros. Apesar da experiência, contudo, acho que houve um poeta que me fez mossa no bom sentido no fim da adolescência assim que pus os olhos nos seus livros. Chamava-se Eugénio de Andrade e – parece mentira – já morreu há doze anos. Para o recordar, Anabela Mota Ribeiro organiza mais logo uma sessão em torno da sua pessoa e da sua poesia em mais um evento da série Ler no Chiado, que se realiza na Livraria Bertrand (pelas 18h30). Para acompanharem a jornalista e apresentadora, dois poetas contemporâneos e bastante diferentes: Gastão Cruz e José Tolentino Mendonça. Se não conhece a obra do grande Eugénio, pode pôr-se em dia. Se já a conhece, poderá ir celebrá-la. Mesmo que não possa ir, não perca os poemas. Está tudo publicado: em antologias e livro a livro.
Maravilhosa dimensão artística a Poesia. Vencera em gosto e verbo; reverbera Eugénio.
ResponderEliminarCláudia da Silva Tomazi
Pena tenho de não poder ir, até porque tenho um carinho especial pelo Eugénio de Andrade, que conheci na Fundação em Junho de 2002.
ResponderEliminarTenho todos os livros dele e sobre ele, inclusive uma Caixa que o "Manel" editou quando estava na Asa.
Durante anos, em Janeiro, ia sempre à Póvoa da Atalaia, pois a Câmara do Fundão nunca se esquecia de assinalar o nascimento do Eugénio.
Quem estiver perto (ou longe e puder ir) não deve perder essa sugestão.
Antonieta
Anabela Mota Ribeiro, uma vila-realense de uma vasta cultura a dar cartas nas letras. Parabéns!
ResponderEliminarUrgentemente
ResponderEliminarÉ urgente o Amor,
É urgente um barco no mar.
É urgente destruir certas palavras
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.
É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.
Cai o silêncio nos ombros,
e a luz impura até doer.
É urgente o amor,
É urgente permanecer.
Eugénio de Andrade
Um dos poucos poemas que sei de cor.
EliminarConfesso-me ignorante de Eugénio de Andrade. Está sempre naquela lista eterna de intenções para as quais o tempo não chega. Poesia, para mim, significa aprender Português, decorar Pessoa para recitar aos pais ao final do dia e mostrar que, nesse dia, já tinha aprendido um pouquinho mais desta língua onde passei a viver.
ResponderEliminar‘Conselho’
ResponderEliminarSê paciente: espera
que a palavra amadureça
e se desprenda, como um fruto,
ao passar o vento que a mereça
Uma obra imortal que continua a inspirar jovens como eu.
E se houver perfeição?
ResponderEliminarSerá ela concerteza feita de um livro na mão e uma tarde fria em que o sol brilha. Revisito o poeta. Mora agora na estante por trás de um unicórnio singular, porque é vermelho e tem um coração.
Voltam os ecos de espanto que ficaram, também, da adolescência.
Eugénio,
tão absolutamente poeta, que torna difícil escolher por entre as palavras.
Entre " O sol,
a poeira lentíssima
do Sul...", ou " Quem canta no verão espera ver o mar".
Ou ainda "(...)há casas sobre cascatas
onde ao sortilégio da água
se junta a musica de Bach. (...)"
" (...) um sol de trigo na pupila;(..)
E nunca mais acabava...
Eugénio Poeta, querido poeta, que não cabe nos livros porque tudo nele são janelas abertas.
EliminarQue ninguém perca os poemas. Sobretudo.
ResponderEliminarConvém não esquecer a maravilhosa prosa poética do Eugénio -menos conhecida- mas que nos permite conhecê-lo melhor: por exemplo, no livro Os Afluentes do Silêncio; ou ainda no Rosto Precário, também com várias entrevistas ao poeta.
EliminarAntonieta
Bom. Eu não me referia apenas a Eugénio, mas a tudo o que ele simboliza na poesia, que ele é porta a outros poetas. Por exemplo, através da prosa poética, como tão bem disse e de que não gosto menos.
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