Escola e telemóveis

Já não sei quem me contou que, numa escola, os alunos deviam deixar os telemóveis numas caixas à entrada da sala, antes do início da aula. E faziam-no – ou, pelo menos, parecia. A verdade é que determinado professor se deu ao trabalho de ir confirmar e descobriu, em vez de telemóveis, vários comandos de TV... O que quer dizer que os telemóveis «verdadeiros» permaneciam com os alunos. Agora, o Ministério da Educação em França resolveu proibir o telemóvel nas escolas até ao fim do Ensino Básico (dos 6 aos 15 anos, grosso modo). Diz que é preciso proteger as crianças pequenas de passarem demasiado tempo diante de ecrãs (o que entende ser uma questão de saúde pública) e resolveu decretar que, no próximo ano lectivo, nem no recreio os alunos terão acesso aos seus aparelhos: deixam-nos à entrada da escola e levantam-nos à saída… Sabemos que os franceses nunca foram muito chegados à tecnologia, mas os pais e os professores não concordam com a medida. Uns acham que, desde que os alunos os não usem na sala de aula, os telemóveis dão jeito para os pais falarem com os filhos e lhes darem recados e instruções; outros, que o telemóvel pode inclusivamente ser útil em algumas acções de formação (sobretudo se tiver Internet) e que vai ser preciso muito cuidado com quem (e como) vai guardar os telemóveis na escola à chegada… Enfim, eu diria que é um caso de prós e contras, mas que é bom alguém ter pelo menos a sensação de que as crianças devem passar mais tempo longe destes utensílios.

Comentários

  1. Emílio Gouveia Miranda21 de dezembro de 2017 às 02:35

    Apoiado.
    Os pais têm de deixar de pensar que controlam algum «pedaço» que seja da vida dos filhos só porque podem contactá-los.
    Deveríamos implementar medidas semelhantes, de modo a impor uma maior entrega ao período diário da escola.
    Não é só estar lá fisicamente, é estar em pleno. Sem distracções.

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  2. "4. Tecnologia como meio
    A tecnologia não é o foco deste processo, mas complementa o trabalho do professor como ferramenta de trabalho.

    “Em vez de proibir o uso dos telemóveis, os professores aproveitam-nos para estimular a participação dos alunos – por exemplo, utilizando aplicações específicas para dar resposta a trabalhos específicos.”, conta Kremer.

    “A aula torna-se mais interessante para os alunos. E evita que o professor esteja constantemente a criar inimizades por retirar ou mandar desligar os telemóveis diversas vezes vezes por aula.”

    Existem também salas de aula com mobiliário específico, projetado especialmente para ir ao encontro das necessidades de aprendizagem dos alunos e dos métodos aplicados."

    http://uptokids.pt/educacao/educacao-na-finlandia/

    Eis aqui um artigo muito interessante e elucidativo publicado pelo Expresso em 2015 que ajuda a compreender melhor o sistema de ensino mais avançado do mundo e com melhores resultados a todos os níveis. E não! Nao é noutra galáxia! É já aqui, um pouco mais ao norte.

    http://expresso.sapo.pt/internacional/2015-06-28-O-bom-aluno

    BOAS FESTAS para todos os extraordinários!

    Cristina Carvalho

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    1. Muito interessante sem dúvida, no fundo é o velho "se não os podes vencer , junta-te a eles, neste caso diria "usa-os!".

      Porém acho que os garotos devem ser tão habituados a estar livres e independentes dos telemóveis e demais artefactos tecnológicos quanto possível, e não concordo inteiramente com a solução encontrada, embora seja de facto interessante e positiva.

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  3. Acho muito bem... Eu não tinha telemóvel durante o meu tempo de escola, até ao secundário, e sobrevivi...
    Eles a olharem para aquele pequeno ecrã durante os intervalos só dificultam a interacção e o desenvolvimento emocional...

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  4. Parece-me que o uso do telemóvel começa a ser deveras excessivo e um factor de bloqueio de tanta coisa que vão ter de se tomar medidas sérias para o seu uso, inclusive e sobretudo nas escolas e em particular nas salas de aula!
    Não sou contra o telemóvel, pelo contrário, é uma ferramenta muitíssimo útil... mas não se pode viver dependente dele e estar permanentemente a olhar para o ecrã e a dedilhar mensagens ou a falar, a seguir na net o que se está a passar ao segundo! É doentio e sobretudo é alienante!
    Imagino o que seja tentar dar uma aula a miúdos telemovelizados... na minha casa há regras, e uma delas é que não há telemóveis à mesa das refeições! Já me disseram que estavam à espera de uma chamada muito importante, e eu sugeri que deixasse o telemóvel onde o pudesse ouvir mas não ao seu lado na mesa... a pessoa fez má-cara mas eu fiz também. Embufou, mas foi pôr o aparelho (que não tocou coisíssima nenhuma) no móvel do aparador...

    Saudações telemovidas cá o Bairro Ribatejano!

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  5. Trata-se de uma questão que tem que ser resolvida senão os jovens ficam escravos do telemóvel. Transformar o artefacto em ferramenta de ensino parece-me uma boa solução. Há tanta gente, inclusive nas universidades, a estudar aplicações para telemóvel que deverá haver uma que permita estabelecer uma rede dentro da sala com fins didáticos.

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    1. Os jovens escravos de telemóveis?

      Mas se pessoas de todas as idades passam o tempo todo nos transportes públicos agarradas ao telemóvel (nem sequer espreitam a janela...), a "epidemia" parece ser maior do que se pensa, Amalivros. :)

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  6. Julgo que a proibição do uso de telemóvel não é descabida. Mas, havendo programas que permitam utilizá-lo em situações de aprendizagem interactiva, tudo bem. E julgo que não são incompatíveis uma com a outra, até porque não existirá para todas as disciplinas e nem em todas as aulas. Mas isso - a situação de uns dias sim e uns dias não - gera muita confusão que não sei resolver.

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