Erros humanos

Já não sei como, fui parar a um site que registava os 37 erros mais cometidos em português – tão comuns que, em relação a alguns, já nem damos por eles. Mas, se parte dos exemplos são coisas que todos nós já vimos, como trocar «há» por «à», dizer «há dez anos atrás» (haveria de ser à frente?), escrever «há-des» por «hás-de», ou confundir «come-se» com «comesse», a verdade é que alguns dos erros mencionados no artigo caíram de tal forma no uso corrente que até os que pensam que sabem bem a sua língua os cometem. Por exemplo: a expressão «Já agora», ao que parece, é incorrecta, uma redundância (percebe-se, «já» e «agora» querem dizer pouco mais ou menos a mesma coisa; e, porém se eu disser só «agora» ou só «já», não é o mesmo que dizer «já agora», lamento). Na mesma linha, encontrei o erro «mal e porcamente» que, afinal, é «mal e parcamente» (mas tendo a pensar que quase ninguém sabe isto). São também clássicos o erro «ovelha ranhosa» por «ovelha ronhosa» (esta, sim, a expressão correcta) e a troca de género na palavra «grama» quando se refere à medida de peso: é «um grama», e não «uma grama», evidentemente. Verificamos com frequência em jornais que as pessoas já não distinguem «sob» de «sobre» (uma tristeza!) e escrevem um terrível «concerteza» como se a expressão tivesse origem em «concerto» (mas não tem, é «com certeza, duas palavras!) Entre muitas outras, surpreendeu-me que «morrer à fome» não estivesse certo (sim, morre-se «de fome», como de frio, de ciúmes, de doença) e que dizer «pelos vistos» fosse asneira («pelo visto» é que está correcto). Sempre a aprender. Esqueceram-se de um outro erro que estou sempre a encontrar: «eminente» por «iminente». Deve ser o trigésimo oitavo.

Comentários

  1. Respostas
    1. Emílio Gouveia Miranda12 de dezembro de 2017 às 04:08

      Bom dia. É verdade.
      Uma boa maneira de distinguir as duas palavras é pensar em intensidade e densidade. Massivo - intenso. Maciço - denso.

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  2. Já agora (eheh) lembro aqui o recente "à séria" que todos usam em vez de "a sério".
    E o "há uns anos atrás" que eu julgava mania recente, descobri (em programas da rtp memória) que já era usado por pessoas que costumam falar um português bastante correcto.
    E um destes dias ouvi-me a dizer o mesmo - nem queria acreditar ;-)
    Antonieta

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  3. Antes de divulgar disparates encontrados em lugares manhosos da internet a senhora devia ir averiguar junto de quem sabe garantidamente. O Ciberdúvidas, por exemplo. Se não fosse preguiçosa não estava agora a enganar os seus leitores mais incautos. «Já agora», «morrer à fome» e «pelos vistos» são expressões correctíssimas, usadas pelos nossos maiores escritores e devidamente dicionarizadas. Confira nas seguintes ligações:
    https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/consultorio/perguntas/ja-agora/13938
    https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/consultorio/perguntas/a-fome--de-fome/34320
    https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/consultorio/perguntas/pelos-vistos/859

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    1. "se não fosse preguiçosa não estava agora a enganar os seus leitores mais incautos..."
      Que deselegância, que forma mais canibalesca e lorpa de vir aqui botar discurso qual sabichão que por dá cá aquela palha "deixa ver na Internet", sinceramente ó Sr. Silva - passe a vir aqui a este grande blogue e vai ver.que dentro de pouco tempo estará mais polido.

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    2. Não adianta indignar-se, Severino, o Sô Silva quer é conversa.
      O que vale é que a Maria do Rosário é superior a estas ovelhas ronhosas e, de tão "preguiçosa" que é, nem vai ler este "simpático" Silva.
      Antonieta

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  4. Emílio Gouveia Miranda12 de dezembro de 2017 às 02:17

    Já agora A Assembleia reúne, quando querem dizer A Assembleia reúne-se. A Assembleia é o conjunto dos seus membros, por isso, a menos que reúnam alguma coisa, reúnem-se para deliberar ou discutir os seus interesses, quiçá para olharem para os umbigos alheios e para os seus, que os seus são sempre maiores, ainda que melhor pareçam ver sempre os alheios... Sim, porque os nossos deputados, e com nossos quero dizer eleitos por nós e que supostamente nos representam, e não que sejam nossos, se nossos fossem já alguém os teria vendido... Ou se calhar, já alguém vendeu, porque eles compram-se com alguma facilidade... Enfim, já agora gosto desta expressão e a língua é mais do que linguistas e puristas da língua. A língua é o jeito que nos dá certas palavras para acentuarem ou reforçarem uma ideia. Já agora, a nossa equipa é aquela em que jogamos e não aquela em que nos revemos ou que sentimos que nos representa de algum modo aspirações e frustrações, parecendo às vezes que mais as segundas do que as primeiras.
    Enfim... Já agora concordo consigo: dizer apenas já não é a mesma coisa; nem apenas agora. Mas já agora, isso sim, é expressão que vale a pena e acentua e desperta a atenção e reforça a pertinência de uma observação... Quanto às demais, concordo com todas... Elas «andem» por aí e tristemente faladas e escritas por supostos artífices das palavras.
    E já agora, que tal propósito devia ser o primeiro e inicial: Bom Dia. E viva a nossa Língua! Aquela que todos julgamos falar e por isso consideramos nossa, mas que afinal talvez poucos falem com verdadeiro acerto. Ora aqui está mais uma incorrecção... Verdadeiro acerto. Ou talvez não. Mas pelo sim pelo não substituo-a por inegável acerto.
    Bom dia.
    Ah, esta expressão que tantos confundem, levar-nos-ia por outros caminhos; o de que significa o que dizemos, quando o dizemos. Muitos julgam que ao dizer bom dia se faz uma constatação do estado do tempo, quando afinal se deseja a outrem que tenha um bom dia. E bom dia pode englobar boa tarde, boa noite, boa madrugada. O dia são as 24 horas de todo um ciclo solar.

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    1. Emílio Gouveia Miranda12 de dezembro de 2017 às 02:21

      E assim embalado perdi-me lá atrás, ou lá acima, qual seja a expressão correta não sei com certeza, mas como dizia perdi-me quando me referia aos nossos deputados pretendia dizer que se há coisa que sobre a qual discutem e deliberam não é certamente acerca dos nossos interesses: se assim fosse, certamente que muitos deles já lá não estariam, a fazer e a decidir o que fazem e como decidem. Mas, enfim, essa é outra conversa que, se calhar, para aqui não são chamadas. Mas sendo as palavras e as conversas como cerejas e cestos de cerejas, às vezes viciamos-nos nelas...

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    2. Emílio Gouveia Miranda12 de dezembro de 2017 às 02:26

      «... ainda que melhor pareça verem os sempre os alheios...», assim, sim. E com esta me retiro. Convencido da complexidade que representa falar e escrever bem a nossa riquíssima língua...

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    3. Nem de propósito, ontem ouvi na RTP o fadista João Braga dizer que diz sempre bom dia, seja a que horas fôr, do dia ou da noite, e parece-me bem.

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    4. Emílio Gouveia Miranda12 de dezembro de 2017 às 04:10

      Bom dia.
      Bom dia engloba as 24 horas.
      Um desejo de Bom dia é um desejo de continuidade pelo dia fora.
      Bom dia.

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  5. A linguagem do colectivo oferece diversos recursos; embora nota-se gente instruída se ver em confusão, por exemplo: vara de porcos com camisa de onze varas ou então, chávena com molho e a "cacofonia" e bem intencionados por aí vai...constelação artística.Claro, percebe-se e sabe lá (também) metáfora, metonímia e até eufemismos. Pois sim, indiferença orgânica neste contexto completa a vantagem o leitor assíduo.


    Cláudia da Silva Tomazi

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  6. Já para não falar em "despoletar" e "desinquietar" que ganharam o direito à existência.
    Umas vezes vejo escrito "tendo em vista" outras "tendo em vistas" e uma estará incorreta só não sei qual.

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    1. Mas ó ama, olhe que na tropa (eu e toda a gente) dizíamos despoletar ("tirar a espoleta"). Poder-se-à dizer que será linguagem militar (falamos de granadas) e não estará errada porque, ali, todos a entendem.

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  7. Isto só vem demonstrar que o Prontuário Ortográfico da Língua Portuguesa faz falta na mesa de trabalho de muito boa gente a começar pelos senhores jornalistas e deputados também, que ás vezes dão cada calinada de bradar aos céus ...

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  8. E essa de que quando é uma mulher a agradecer deve dizer obrigada e não obrigado.
    Embora não tenha a certeza absoluta, continuo convencido de que, seja homem seja mulher, o termo correcto será obrigado.

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    1. Varia em género.

      https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/consultorio/perguntas/obrigadoa-e-obrigadosas/10643

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    2. Olá Severino,
      uma mulher deverá dizer sempre obrigada, que é "sinónimo" de estar grata, agradecida.
      O homem deverá dizer sempre obrigado, quer esteja a agradecer a um homem ou a uma mulher, pela mesmíssima razão: estar grato ou agradecido.
      Parece-me fácil de entender, mas é um dos erros mais comuns.
      :-) Antonieta

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  9. Um post interessante, este... enfim mais um.

    Quem não erra que atire a primeira pedra, e, não serei óbviamente eu! No entanto e como aquele nosso indignado amigo referiu, há expressões que só fazem sentido se forem ditas/escritas como se usa, por exemplo o "já agora". Por outro lado, penso eu, que a língua viva evolui, muda, altera-se... e o que é errado num dado momento pode deixar de o ser. O exemplo ovino é lapidar, porque de facto a ronha é uma doença das ovelhas, mas sendo ranhoso um sinónimo de má qualidade percebe-se que tenha havido essa alteração de ronhosa para ranhosa - e será que houve mesmo?
    Os erros sendo repetidos acabam por ser oficializados, como as gramas em vez de gramas e tantos outros que fazem parte do nosso dia-a-dia.
    Crispações à parte (ou aparte?) e sem que me preocupe assim tanto escrever de forma irrepreensível, é um tema interessante.

    Como estamos num blog de leitura e amantes de livros, questiono afinal: O que importa mais? Escrever gramatical e semânticamente correcto e perfeito, ou escrever bem, no sentido de contar ou relatar de forma a comunicar e interessar o leitor, mesmo que com erros? Eu não tenho dúvidas, como não duvido que ler quem escreva gramaticalmente bem é a melhor forma de aprender e nos corrigirmos.

    Saudações "errantes" cá da Cidade Morena!

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    1. Concordo consigo, a língua evolui e há expressões que, apesar de erradas, se tornam hábito e ganham legitimidade. Penso que se pode considerar assim a "ovelha ranhosa", o "morrer à fome", o "pelos vistos".
      Na minha opinião, o "já agora" também tem toda a sua razão de ser.

      Não posso é concordar com "a grama", nunca! Erro gramatical crasso, é como começar a dizer "a programa", ou "a anagrama". Nunca me hei de habituar e recusarei sempre, por mais que se torne hábito.

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    2. Cristina, uma grama é um erro de física, não apenas gramatical... eheheh!
      Claro que não digo uma grama, não porque seja correctíssimo mas porque aprendi a dizer um grama!
      No entanto creio que há uma razão para se dizer assim, é que grama de facto sugere ser feminino, e é vulgar dizer-se "umas gramas" disto ou daquilo, dê-me duzentas gramas de fiambre... e por aí fora. Pelo que acaba por nem parecer mal...

      Uns gramas de saudações aí para a terra das neves, cá da terra do calor!

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  10. Embirro com os assentos. Não, desculpe, acentos. :)

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    1. E eu embirro com os concelhos. Não, desculpe, conselhos. :)
      Antonieta

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  11. A propósito de “errare humanum est”, permitam-me que vos transcreva um extracto de “O Tempo é a Maré” – que é a pasta de ficheiros onde, enquanto é tempo, vou arrecadando as minhas memórias.


    «(...) Quando cheguei a Amarante por volta de 1978, era uso afixar nas montras os nomes dos produtos e os preços nuns cartõezinhos escritos em caprichada caligrafia.
    Conta-se que numa confeitaria a excelente qualidade dos doces não era correspondida pelo rigor ortográfico, e nos cartõezinhos da montra, estando embora os algarismos do preço bem correctos (ai não!), as letras e as palavras não se apresentavam conforme a gramática.
    Os clientes de mais confiança, discretamente, lá iam fazendo sentir que, enfim, os tempos eram outros, havia um prestígio a defender, aquilo assim não parecia bem, era preciso actualizar-se.
    De tão pressionado, o homem acabou por se convencer a dar o passo: -- para acabar com os erros resolveu comprar... uma máquina de escrever.
    De modo que, ao estrear a inovação, colocou com todo o desvelo, pousado numa travessa de apetitosos pastéis, um cartão dactilografado que anunciava: DELISIOZO DOSE DE CÓCÓ. »

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  12. Há muitos! Dos que gosto mais é o - ridicularizar. Conseguiram dificultar uma palavra que era simples - ridiculizar. Nem sei como é que não passaram a dizer - ridicularizaliriolarilolalizar.
    Isso é que era! E o - despoletar - a querer dizer, realmente - espoletar - Esse é todos os dias!

    Cristina Carvalho

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    1. Tunga! E não é que julgava que ridicularizar estava certo????
      Caramba, ó Cristina, agora é que fui ridiculizado!
      Bom quanto ao espoletar... o termo vem de espoleta (ou fulminante, aquilo que inicia a acção do disparo de uma munição de arma de fogo), despoletar se calhar até existe e significará portanto retirar a espoleta, quando se pretenda pôr a arma inoperante. Mas o significado é exactamente o contrário do que se pretende transmitir.
      Ó Severino, descavilhar (não sei se existe) é que arma a granada... e pum! Ahahahah!

      Saudações explosivas cá da Cidade Morena!

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  13. Pois eu, pela leitura do post, temo ter-me enganado muitas vezes. E sem dar conta. Talvez me falte mesmo comprar e consultar o prontuário. Apesar do uso, a língua materna aprende-se até ao fim. Já agora:)

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  14. des·po·le·tar - Conjugar
    (de- + espoletar)
    verbo transitivo
    1. Desarmar a espoleta ou o detonador, impedindo a explosão (ex.: despoletar uma granada). ≠ ESPOLETAR
    2. [Figurado] Retirar aquilo que permite uma acção (ex.: despoletar um movimento de contestação). = ANULAR, TRAVAR
    3. [Portugal] Fazer surgir (ex.: o artigo despoletou reacções violentas). = DEFLAGRAR, DESENCADEAR, OCASIONAR, PROVOCAR

    "despoletar", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://www.priberam.pt/dlpo/despoletar [consultado em 12-12-2017].

    Não sei se serve os objectivos, mas aqui vai.

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  15. Eu estou sempre a prometer que um dia destes escrevo um livro de erros e disparates com o que vejo em testes e teses...

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  16. Raramente vejo o verbo 'inaugurar' conjugado pronominalmente, ou seja, 'inaugurar-se' que é o seu uso correto: Inaugura-se, no dia x, a exposição y.
    Como aceitar e dizer «Inaugura, no próximo sábado, a exposição de uma preciosa coleção de gramáticas antigas...»?! - «Inaugura»?! Mas quem é que «inaugura»?! A exposição?! A exposição é que inaugura, abre, inicia a exposição?!
    Não.
    Deve dizer-se 'inaugura-se' ou 'é inaugurada por fulano' . No primeiro caso, o sujeito fica indeterminado: alguém inaugura. No segundo caso, seremos informados sobre quem 'inaugura' ou 'abre' a exposição que os dois verbos são sinónimos.
    Adicional: no verbo 'inaugurar' temos o vestígio etimológico dos antigos áugures romanos que sabiam adivinhar qual o momento fasto ou propício a um empreendimento, neste caso a uma inauguração de sucesso.

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  17. Perguntei ao Fernando Venâncio se "já agora", "morrer à fome" e "pelos vistos" eram erros, porque havia quem assim o considerasse. Respondeu-me: " quem recusa essas três expressões não é só intransigente, é tresloucado." E logo a seguir: " E doente da tola. Essas recusas do idioma tal como o recebemos é um sintoma de transtorno mental."

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  18. E muitos destes " fenómenos " - chamo-lhes assim , precisamente graças ao que vou dizer aqui - devem-se em parte aos queridos falantes da variante brasileira do português. E as listas de "erros frequentes" que passaram a pulular por aí também têm a mesma origem, sendo depois repetidas por todo o lado, facebook e afins, muitas vezes postas lá ( não escrevi "colocadas", outra praga - já repararam que o nosso verbo " pôr " está a desaparecer ? ) por digníssimos falantes de português.
    Muitos dos ditos erros não o são, e muitos deles devem-se aos zingarelhos nos quais todos nós agora escrevemos ( caso de come-se e comesse, entre outros ). Ainda há pouco, na primeira linha, me saía a palavra " fenômeno " com este acento circunflexo. Temos de reler, coisa que leva tempo.
    Mas queiramos ou não a língua está a mudar. Sugiro um pequeno teste - pegue - se em jornais com dez anos, ou mesmo cinco, e compare-se a escrita de alguns jornalistas, e ver-se-á como escreviam e como escrevem.
    Ouço diariamente a rádio, e também aí é fértil este terreno dos novos "erros". Que passarão a ser a norma, mais tarde ou mais cedo, ou não fosse do erro que as línguas evoluem. De uns, erros de facto, e de outros, os assinalados como tal.
    E já agora ... Este é um exemplo de hiper-correcção. "Já agora faço minhas as suas palavras. Já agora, queres um gelado ?" Quem disser que aqui há algum erro é porque mente, como diz o fado... Redundância? Todas as línguas as têm. Veja-se a propósito o blogue Certas Palavras, www.certaspalavras.net e lá está uma belíssima explicação de ' já agora '.
    Só mais uma coisinha : as listas e listinhas, livros e livrinhos e tanta sabedoria ambulante, da moda, estão a substituir dicionários e gramáticas. Estes sim, deveriam ser mais usados.
    Cumprimentos,
    Luísa Barbosa

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