Amados cães

Já aqui disse muitas vezes que sou uma dog-person, e não uma cat-person. E por isso fiquei um dia destes bastante contente com a leitura de um artigo do jornal espanhol El País sobre umas pinturas com 8000 a 9000 anos, encontradas no Noroeste da Arábia Saudita, que mostram que, ao contrário do que eu pensava, os homens domesticaram cães muito antes de terem domesticado cabras ou vacas. Ao que parece, sobretudo nos períodos em que a comida era escassa (no Inverno, por exemplo, ou em zonas mais áridas), os homens levavam os cães com eles quando iam caçar – e uma dessas pinturas revela não só um homem com dois cães presos por uma espécie de correia (a antepassada da trela?), mas também um enorme leão diante deles (um leão com 8000 anos!). O uso dos cães incrementava as possibilidades de caçar e, por isso, pode dizer-se que, de certa maneira, também dependeu dos meus amigos cães a sobrevivência do homem; diz-se no artigo que, em certos locais, os homens não teriam conseguido seguir caminho se não estivessem acompanhados pelos seus bobyzinhos. Sabe-se ainda que, na zona onde os desenhos foram encontrados não havia lobos, pelo que os cães das pinturas deveriam ter vindo dos lugares onde tinham sido domesticados com os seus donos. As pinturas são muito bonitas.


 


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Comentários

  1. Os cães nasceram para ser domésticos e a sua fidelidade é comovente. Basta observar a forma embevecida a olhar quem gostam. Não sei como ficou a integridade física das duas elegâncias da pintura, um leão não é flor que se cheire. O que eu não consigo explicar é a razão por que há pessoas que os preferem aos humanos; ou a inversa, donos que espancam e abandonam animais que lhes são tão fiéis. O amor canino é a muitos títulos, louvável.

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  2. Acredito que a imagem não sofresse alterações de "photoshop", pelo que, a acreditar na iconografia, ali só há machos. humanos e não humanos.
    Certamente o António Luiz Pacheco, como caçador em terra e no mar, não deixará de comentar, lá das Cidades Morenas, esta caçada dos ancestrais.

    Fernando Joca Martinho

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  3. Eu gosto mais de gatos como a prémio Nobel Doris Lessing de que saiu há pouco o livrinho "Gatos e Mais Gatos". Mesmo aos amantes dos cães aconselhava, na esteira de uma crónica do MEC, o documentário sobre os gatos de Istambul - Kedi, official trailer. Está no You Tube.

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    1. "Gatos e mais Gatos" de Doris Lessing já está traduzido em Portugal há muuuuuuitos anos! Eu já o li, e tenho-o, numa edição da Cotovia de 1995...

      Cristina Carvalho

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    2. Ahá! Eis aqui uma cat person... enfim, se me é permitido epitetá-la!

      Eu também gosto muito de gatos, note-se!

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    3. Essa edição é uma pérola, tem umas ilustrações belíssimas.
      Sobre gatos, tenho uma Antologia de Poesia (Assírio & Alvim, 2001) organizada pelo João Luís Barreto Guimarães, cuja capa é uma pintura que a Vieira da Silva ofereceu ao Mário Cesariny - Mário le chat, 1972.
      Recomendo a quem goste de gatos.
      Antonieta

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  4. Já eu sou uma "cat-person" que não tem gatos mas que tem um cão (muito temperamental, por sinal).

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  5. Eu sou gatos, realmente. Tenho três. E sempre tive.

    Cristina Carvalho

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    1. Eu também sou gatos, sem dúvida. E que grandes companheiros tive ao longo da vida.
      Também gosto de cães, mas não de todos (depende da "marca"); é que alguns são mesmo assustadores.
      Antonieta

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  6. Estaria a Nasa (agência espacial) à fazer escola...Gosto de pintura rupestre.


    Cláudia da Silva Tomazi

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  7. Gosto muitíssimo de cães, tanto pela caça como pela companhia e ao longo da minha vida eu que nasci e fui criado com cães que marcaram épocas da minha vida, tenho tido sempre cães à minha volta como fazendo parte da nossa família e digo nossa, porque também minhas irmãs e sobrinhada mantêm essa forte ligação ao amigo cão!
    Este post é interessantíssimo e não deixo de comentar já aqui de novo no Bairro Ribatejano, onde ainda tenho a lola que é filha da pígui e do olé (drathaar), e duas podengas que recolhi no ano passado, mãe e filha como lhes chamámos. Agora espero pelo galão (jack russel), a salsicha (basset), uma pointer e uma braco do meu sobrinho mais velho cujos nomes não me lembro. Portanto sim, a ligação dos humanos com os cães é antiga e fortíssima!
    Existem muitas obras dedicadas ao tema e trabalhos científicos. Não me espanta por isso a “conclusão” a que se alude, e notem: o homem parece ter ganho a posição erecta para poder usar e portar armas (é uma teoria bastante aceite), dado que as armas o fizeram passar da condição de presa a predador, o que depois lhe permitiu e além do mais, ter acesso à carne que lhe triplicou o volume do cérebro, evoluindo a partir daí.
    Ou seja, a primeira actividade do homem foi a caça aliada à recolecção, durante as glaciações foi mesmo a caça que lhe permitiu sobreviver. Portanto faz todo o sentido a teoria de que o cão, partilhando o mesmo espaço e os seus hábitos, por interesse se associasse ao homem a quem certamente começou por seguir para aproveitar os despojos e com o tempo acabou em colaboração e finalmente domesticação, muito antes da galinha ou do porco, a que a sedentarização conduziu.
    Há quem diga que o cão descende do lobo e quem diga que não… é uma discussão antiga, apaixonada e longe de estar acabada e ainda bem porque é interessante e sempre permite ir descobrindo mais coisas. Há lugares do Mundo onde não há lobos e há na mesma cães…
    Como é um blog de livros, digo-vos que existe muita publicação, científica ou romanceada, sobre este tema da ligação homem-cão, mesmo muita. Conheço bastantes e possuo várias, pelo que imagino quantas mais poderá haver dado o meu desconhecimento, mas imagino, pelas paixões e interesse que despertam.
    Saudações natalícias e gotosas cá do Bairro Ribatejano

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  8. Claro que não teríamos sobrevivido sem cães!
    A ligação humanos-cães funciona muito bem, porque as duas espécies são parecidas: ambos animais sociais, que necessitam do reconhecimento e da aprovação dos que os rodeiam, seja matilha, seja família.
    De facto, não está provado que o cão descenda do lobo, é algo ainda a esclarecer.

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  9. Não sou nem pelos cães nem pelos gatos, mas só os cães me morderam até hoje e foram várias as vezes. É enternecedora a fidelidade dos cães, mas afirma-se que a ocupação cerebral com essa ligação restringe o desenvolvimento da sua inteligência.
    Também não sou pelos circos que adestram outros animais.
    Gosto dos animais em geral, mas no seu meio. Não simpatizo com a ideia de seres que têm dono.

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    1. Não acho que a ligação dos cães aos humanos restrinja o desenvolvimento da sua inteligência. Depende muito de como os "donos" lidam com a fidelidade dos seus caninos. Os cães precisam de ter uma tarefa/ocupação na vida. Nada é pior para um cão do que sentir-se inútil, ou aborrecido, nem sequer passar fome é tão mau. Isso sim, acredito que restrinja a sua inteligência.

      Os animais "no seu meio" também tem muito que se lhe diga. Hoje em dia, seria praticamente impossível para a maior parte das raças caninas (desenvolvidas pelos humanos) sobreviverem na natureza, quer seja pelo seu tamanho (cães pequenos demais), pelo tamanho do pêlo (pêlo comprido, ou encaracolado, requer cuidados humanos especiais; na natureza, favorece a acumulação de sujidade e parasitas), quer seja pelo simples facto de um cão, que nasceu e cresceu entre humanos, não ter aprendido nada do que devia aprender para a sua sobrevivência. Isso não quer dizer que a sua inteligência esteja restringida, pois a interação com os humanos também lhe desenvolve o cérebro. É incrível o que alguns cães conseguem aprender, há especialistas em comportamento canino que consideram que, excetuando a fala, podem atingir o nível intelectual de uma criança de quatro anos.

      Os cães mordem, sim, mas só quando se sentem ameaçados. Um cão perturbado mentalmente pode com certeza ver perigo onde ele não existe, mas, normalmente, os distúrbios mentais dos cães que vivem entre nós são infligidos pelas pessoas por eles responsáveis.

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    2. Hum... então nem uma plantinha?
      Ser dono de um animal é uma relação , exige compromisso, como ser pai ou marido - enfim , salvo as devidas circunstâncias e para não chocar ninguém. Ou seja é uma responsabilidade que se assume.
      Não sou animalista, mas sou amigo dos animais e mais do que isso uma pessoa que vive e depende deles, se me considero dono dos que possuo é exactamente pelas razões aponto.
      Não é a mesma coisa ser dono de um armário, de automóvel ou um cão! Aliás dos outros é-se possuidor, do cão sim, é-se dono! É uma distinção e um privilégio!

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