Em Timor
Recebi um convite para ir à estreia do novo filme de Luís Filipe Rocha, intitulado Rosas de Ermera; e, como gosto muito do realizador e do seu cinema, não pude faltar. Não era um filme de ficção, como os que vi dele, mas um filme de não-ficção em torno da família de Zeca Afonso, narrado, aliás, pelo seu irmão mais velho (João Afonso dos Santos, com cerca de noventa anos) e a sua irmã mais nova (Mariazinha, a que cheirou as rosas de Ermera, com mais de oitenta). Mas não pensem que é um filme sobre a carreira do Zeca, pois não tem que ver com isso, mas com a separação da família no final dos anos 1930: vivendo em Lourenço Marques, o pai – que era juiz – concorreu a um lugar em Timor. Como no sítio para onde ia, Lahane, não havia liceu, os dois rapazes vieram estudar para Coimbra, e a menina, ainda na escola primária, acompanhou os pais. Ora, quando rebentou a Segunda Guerra Mundial, a ilha de Timor foi invadida por tropas japonesas – e Mariazinha e os pais ficaram impossibilitados de comunicar com o exterior, pelo que durante vários anos João e Zeca não souberam deles e puseram mesmo a hipótese de se terem tornado órfãos. Conhecia mal esta história da ocupação japonesa de Timor e a forma como uma coluna de timorenses se aliou aos japoneses contra o colonizador português. O filme é maravilhoso também pelos seus protagonistas e narradores; mas, como vai fazer itinerância pelo País, vejam se não o perdem nas vossas cidades e, entretanto leiam o livro de João Afonso dos Santos sobre o mesmo assunto, O Último dos Colonos. Às vezes, a realidade supera a ficção.
99,9%
ResponderEliminarA restante décima, inspira-se nela (a ficção), claro!
Não conheço o livro que refere, mas vou certamente procurá-lo, pois muito me interesso pelo tema das antigas colónias/províncias ultramarinas... vou até atrever-me a dizer que era capaz de fazer e apresentar um programa melhor do que o do Fernando Rosas - que de África julgo que só sabe que tem africanos... - pois também li e tenho os livros de René Pélissier e para os reproduzir na TV também eu, que aliás sou considerado excelente apresentador (faz parte da minha profissão).
ResponderEliminarConheço algo de Timor, e tenho muita pena de nunca lé ter ido. Conheci bastante gente, militares sobretudo, ex-colegas de meu falecido pai ou do quadro da administração que lá estiveram naquele tempo colonial, tenho amigos e amigas lá nascidos, europeus uns e timorenses (indonésios) que foram meus condiscípulos no liceu.
Li muita coisa sobre Timor, inclusive sobre a ocupação japonesa e é surpreendente ler que houve uma "coluna" que se juntou aos japoneses contra o colono, quando é histórico que os timorenses não só tinham estima pelos portugueses como odiavam os japoneses e é fácil entender porquê, sabemos bem que o japonês era um ocupante duríssimo e bastante opressor. A kempetai era bem pior que a PIDE, mas enfim, talvez seja a história reescrita e eu esteja enganado, idem as pessoas que conheci e os livros que li.
Saudações cá da ex-colónia do Reino de Benguela-a-Nova, conhecida por Cidade Morena!
Falando de ficção e de Luis Filipe Rocha considero o seu Cerromaior um filme maior. Arriscou afastar-se um pouco do romance com o mesmo titulo (não consigo inserir o acento!) de Manuel da Fonseca e saiu-se bem ampliando assim a sua qualidade de autor.
ResponderEliminarEm vez de Portel, que eh (...) ficção, Ermera, que eh realidade. Vamos ver.
De certeza que não vou perder, mas em DVD, pois assim posso ver e rever as vezes que me apetecer.
ResponderEliminarTenho esperança que o Público o ponha à venda como fez com os filmes da Paula Rego e do Sebastião Salgado.
Sobre a ocupação de Timor pelos japoneses há um livro do Carlos Cal Brandão, que estava ali exilado pela Ditadura -" Funo- Guerra em Timor" que relata as atrocidades que os "japões" cometeram antes de serem expulsos da colónia Em todas as guerras sempre houve colaboracionistas, pelo que não admira que uma parte dos nativos se tenha aliado ao invasor.
ResponderEliminarA II Guerra em Timor, continua e continuará por certo desconhecida da maioria dos portugueses, quer dos contemporâneos dos acontecimentos quer pelos seus descendentes , para os quais se trata de assuntos que não lhes dizem respeito.
ResponderEliminarSou um dos poucos curiosos do tema e o meu interesse começou quando ainda rapaz via passar um senhor pela rua acima na minha aldeia e que diziam ser um tenente que passara muito na guerra em Timor e que estaria a escrever um livro sobre o que fora aquilo.
tratava-se do Capitão Liberato, que escreveu dois livros e não apenas um- "O caso de Timor" e "Os japoneses estiveram em Timor". o primeiro destes livros, passou a acompanhar-me muito cedo lá por casa, onde o meu pai incentivava a sua leitura aos seus patrícios. Passados muitos anos o meu pai ofereceu-me o livro. eu devia ter os meus 20 anos quando o li e foi tão grande o meu entusiasmo que procurei o segundo livro, que tratava do desterro de 417 dias que ele mais dois companheiros foram submetidos pelos japoneses, na ilha de Alor. Encontrei esse livro num alfarrabista - Livraria Camões. na rua da Misericórdia. E foi assim que iniciei a minha procura de livros sobre a temática de timor na II Guerra. referencio esses livros que fui encontrando durante as ultimas décadas:
-Quando Timor foi Notícia, de Cacilda Liberato (mulher do Capitão Liberato)
- Australianos e Japoneses na II Guerra Mundial, de José Duarte Santa
- 417 dias prisioneiro dos japoneses na ilha de Alor, de José Duarte Santa
- Funu, de Cal Brandão
- Tata-mai-lau, de Francisco Garcia de Brito
- Vida e morte em Timor, durante a II Guerra mundial, de José dos Santos Carvalho
- Duas palavras ao Capitão Liberato, de A. Sousa Santos
- Timor na II Guerra mundial, diário do Tenente Pires
- Timor, ocupação japonesa durante a II Guerra mundial, de Carlos Vieira da Rocha
- Timor, a presença portuguesa, de Fernando Augusto de Figueiredo
- Timor, entre invasores 1941-45, de Maria da Graça Bretes
- Timor da guerra do Pacifico à Desanexação, de Fernando Lima
- A libertação de Timor na II Guerra mundial, subsídios históricos de Carlos Bessa
- Relatório dos acontecimentos em Timor , de Manuel de Abreu Ferreira de Carvalho ( governador de Timor, na altura da Guerra)
- Passar dos limites- a história secreta da Austrália no mar de Timor, de Kim McGrath ( livro da historia recente, mas que insere a posição da Austrália , no território já na época)
Como se verifica não é pouca coisa que se escreveu sobre o território de Timor sobre a II Guerra, antes houvesse interesse em conhecer.
Eliseu Gomes
Boa noite Sr. Eliseu, o meu nome é Miguel Canto e Castro, sou filho de José Bernardo Canto e Castro, o meu Pai é filho de Artur do Canto e Castro Rezende, companheiro de “prisão” ( que aí faleceu), de José Duarte Santa e do Capitão Liberato em Timor durante a 2 guerra mundial. Gostaria muito de ler alguns dos livros que menciona no seu post…nomeadamente os de José Duarte Santa, do Capitão Liberato e também o de Manuel Ferreira de Carvalho cuja filha, havia de ser madrinha do meu Pai e responsável por trazer o meu Pai para Lisboa de forma a ser entregue à esposa do meu Avô Artur, Natália Cymbron do Canto Faria e Maia, para ser perfilhado. Agradeço a atenção, respeitosos cumprimentos. Miguel Canto e Castro
EliminarCaro Miguel Canto e Castro
EliminarEncontro-me a efetuar uma pesquisa histórica sobre o seu avô Artur do Canto Resende. Disponho de alguma informação recolhida aqui nos Açores, incluindo fotografias.
Ficaria agradecido se me puder enviar um email para entrarmos em contacto. O meu email é gasparfrutuoso1522@gmail.com .
Obrigado
Miguel