Economia para todos

Quando era pequena, tinha uma grande dificuldade em perceber por que motivo os banqueiros eram ricos se o dinheiro que estava depositado nos bancos não lhes pertencia. (Não sabia que eles o investiam nos seus negócios e que, em suma, o faziam render.) Um pouco mais tarde, o problema foi com as empresas em bolsa e o comprar e vender acções; e, mais tarde ainda, com a especulação financeira e a desvalorização da moeda. Embora tenha lido vários livros que me ilustraram sobre alguns assuntos, a economia para mim continua a ser basicamente misteriosa e impenetrável – e parece-me que talvez fosse bom a escola dar desde cedo algumas noções de economia aos alunos, até porque ela está presente no quotidiano de todos. Descubro então, quase por acaso, que o senhor Varoufakis (lembram-se dele?) escreveu há uns anos (e apenas em nove dias, caramba!, segundo conta no prefácio) um livro intitulado Falando de Economia com a Minha Filha, agora publicado também em inglês. Diz o ex-ministro grego nesta sua brevíssima história do capitalismo que economia é política e que, como tal, deve ser discutida em termos que todos entendam, incluindo a filha que era, na data da publicação da obra original, apenas uma adolescente. Acho que se calhar vou comprar a tradução inglesa do livro de Varoufakis e tentar realmente adquirir um conhecimento do qual estou francamente carente para compreender algumas notícias deste nosso mundo.

Comentários

  1. Concordo e acho também que na escola deveriam ensinar sobre Finanças. Para que não sejamos enganados por alguns funcionários.

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  2. Meus queridos bons economistas têm faro. A história regista através de rota comercial qualquer amortecimento o setor financeiro, macro e micro mercado. Certamente Donald Trump nem leu Varoufakis, e ontem comercializou à venda de trezentas aeronaves aos chineses. Organismo setorial modifica-se com naturalidade, com relacionamentos e afinades extracambiais; mercado agiliza-se, aprimora-se e conquista-se.



    Cláudia da Silva Tomazi

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    1. Falando de Economia com a querida Cláudia, eu diria: – Filha, é evidente que Trump não leu Varoufakis.

      Plagiando o poema “Liberdade” de Fernando Pessoa, diria: – Mais do que isto é Trump, que sabe muito de finanças porque, consta, não tem biblioteca...

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  3. A disciplina chamava-se, dantes, Economia Política, mas têm sido envidados muitos esforços para fazer desaparecer a 2.ª parte do nome. Com muito sucesso, digamos, visto que só raros economistas utilizam aquela designação. É para fazer crer que a Economia não é política e para fazer esquecer que não é uma ciência social.
    Também acho vantajoso que se ensine cedo na escola os rudimentos da Economia. Mas para os problemas de que fala MRP, de Finanças é que precisamos.

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  4. Finanças e economia são coisas distintas... no fundo a economia gera riqueza e as finanças administram-na, não se confundam.
    Pela minha parte e pelo que percebi, mas posso estar errado, a economia do sr. Varoufakis é aquela economia teórica que se mistura com a política, e, não a economia real que gere empresas e cria valor. Posso ainda estar errado, mas as economias defendidas pela esquerda faliram todas... logo tenho sérias dúvidas quanto às ideias do sr. Varoufakis.
    Explicar economia às crianças? A mim parece mais importante pô-las a decorar a tabuada, tudo começa aí... e já agora ensinar-lhes gramática, geografia, história e ciências... a economia virá a seu tempo e de forma natural, com o entendimento das coisas. Mas claro, isto são as minhas opiniões e valem o que valem, correndo o risco de estar errado!
    É que corremos o risco de ter crianças que saibam explicar muito bem a diferença entre o que é emprego e subemprego, mas sem saberem quanto são 9x6 (sem recorrer ao telemóvel) e quem foi Vasco da Gama... nem onde fica a Índia ou como se vai para lá...

    Saudações económicas cá da Cidade Morena!

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    1. Conheces o pensamento e a competência (ou incompetência) de Varoufakis, para fazer de imediato um tal juízo de valor? Ó Pacheco só estou a perguntar porque eu não conheço (mas tenho curiosidade em saber) mas também não quero fazer um juízo de valor só por ser (ou não ser) da minha "côr". Daí a minha curiosidade.

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    2. Mas ó Pacheco mas olha que a da Geringonça, por enquanto, ainda não faliu.

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    3. Conheço algo do pensamento dele... o mesmo que todos nós, certamente, nem mais nem menos, o que foi exaustivamente exposto: o homem é um teórico (é professor e nunca exerceu nada a não ser o ensino de finanças, e as finanças não geram economia, só tratam dos ganhos desta...) porém, tentou fazer na Grécia uma política financeira de arruaceiro, deu no que deu como se viu.
      Portanto tenho muitas dúvidas sobre a qualidade das suas explicações sobre economia, mesmo que às crianças...

      Olha. correndo embora o risco de ferir a sensibilidade anónima de alguém que ache que estou a contar a minha vidinha, mas contigo estou à vontade e é contigo que falo, no meu tempo de responsável de compras no Grupo JM, sofri um bocado com a prepotência e a mesma postura arrogante e truculenta de alguns "financeiros" que nos seus gabinetes nas torres das Amoreiras determinavam políticas e directivas para quem andava no terreno a comprar... como os pagamentos! Para eles era simples, pagavam quando e como entendiam, para nós, convencer os fornecedores a manterem o fornecimento é que era mais complicado. Felizmente consegui sempre ter a autonomia de que precisava para poder garantir os objectivos, aliás que eu ratificava... nunca fui yesman. Mas eram lutas titânicas e não me faltaram acusações de estar do lado dos fornecedores... mas sempre durei 10 anos até me cansar da luta e reconhecer que tinha demasiados adversários cada vez com mais força.
      Talvez por isso eu tenha um certo azar a financeiros, teóricos e redundantes.

      Abraço para ti cá de Benguela! Qualquer dia é abraço de bengala... ahahah!

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    4. Obrigado pelos teus úteis esclarecimentos e como te compreendo no que se refere aos homens de gabinete.
      Um abraço

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  5. Não sei como funcionava o sistema educativo há umas décadas atrás, mas hoje em dia os jovens são obrigados desde muito cedo a optar por áreas, a meu ver, demasiado específicas. O curso de ciências e tecnologias, por exemplo, rejeita disciplinas tão relevantes como história e economia.
    Um livro que me ajudou bastante a compreender a dimensão e aplicabilidade da economia foi o Freakonomics, que inclui uma colectânea de estudos do economista Steven Levitt em parceria com o jornalista Stephen Dubner. É uma obra polémica e negra, que aplica os princípios económicos às mais variadas situações da vida quotidiana.

    O subtítulo quase fala por si - O lado oculto e inesperado de tudo que nos afeta.

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  6. Como diz o Varoufakis a economia é acima de tudo política: economia política era o que os fundadores desta "quase" ciência lhe chamavam. A nova geração de economistas que me sucedem, parecem esquecerem-se desta ligação fundamental, fazendo da economia um sucedâneo das finanças, sempre com a produtividade na boca sem a paridade no coração. Eu não esqueço. Nem nunca esqueci as palavras dum sociólogo contemporâneo, ex-economista, que se revoltou contra a sua formação anterior porque lembrava com razão que a economia só serve para solucionar os problemas sociais: logo, tornou-se o fundador da sociologia contemporânea. O seu nome: Talcott Parsons.
    Do mesmo modo, não concebo a literatura se ela não contiver no meio da emoção e do sentimento a força do raciocínio e da razão. A literatura quer-se com mensagem e densidade.

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  7. O grego que se cuide, porque ouvi dizer que o Lonely planet vai editar
    " Todos os caminhos vão dar a Off-shores. ", e o primeiro volume da saga poética " Acordar um dia... num paraíso fiscal ".
    E ainda na senda do neo-liberalismo selvagem vai também ser publicado " O indígena que vendeu um coco e tornou-se dono da multinacional) ".

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  8. Cara Dra. Maria do Rosário Pedreira. Felicito-a pela humildade com que confessa o seu pouco conhecimento acerca da economia e toda a sua engrenagem. Já somos dois. Mas permita que lhe diga que, para uma pessoa do seu calibre intelectual, tentar perceber assuntos relativos a essa matéria, baseada nessa xaropada de Varoufakis, é o mesmo que tentar entender a dinâmica do pensamento ou da filosofia, como queira, através de “O Mundo de Sofia”. Apesar do mérito que esse livro (o norueguês) teve, na sua época, em algumas gerações, inclusive a minha. Agora: o não sei quantos de economia com a minha filha….

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    1. Perdão: Mário Santos. Não queria ser anónimo.

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  9. Como enfermo do mesmo mal que a Rosário, se não achar dinheiro mal empregue, por ser livro que a mim pouco interessa e poderia comprar outro, talvez também o adquira.

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  10. Extraordinário Pacheco
    Política aqui - na designação da disciplina de Economia Política - não é na aceção que lhe deu. É "política" porque integra uma parte significativa de opções, vontades, expetativas. Na Economia, seja de um estado, de uma empresa ou de uma pessoa, contam as opções que se tomam, as perceções que se formam, as persistências que se mantêm e tudo isto tem pouco de modelos, de matemática e muito de humano. Por isso a Economia Política (e mesmo se lhe cortarmos o Política para dar um ar mais científico) é uma ciência social.
    Estou de acordo com a ideia de Finanças que deu, ainda por cima testada pela sua experiência profissional, mas atualmente são as Finanças que comandam a totalidade da atividade económico-financeira.

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    1. Não contesto ! O maldito financismo, impera...

      Abraço sem economia! Ahahahah!

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