Desassossego

Ui, esta palavra tem muitos SS e quem anda aos SS anda desassossegado. Ontem começaram em Lisboa os Dias do Desassossego de 2017, esse período do ano em que as ruas da capital se enchem de música, leituras, oficinas, exposições e muito mais à roda da obra de Fernando Pessoa e José Saramago (e não só). A festa decorre até final do mês e, já este fim de semana, estão previstos pelas dez da manhã passeios literários dedicados aos dois escritores, Lisboa de Fernando Pessoa e José Saramago e o Memorial do Convento. No sábado, para quem tiver filhos, a Fundação José Saramago organiza uma oficina de «postais desassossegados» e, para os mais velhos, o lançamento de um livro com 145 poemas de Kavafis, traduzidos do grego por Manuel Resende. E, na semana que vem, há concerto no Teatro Municipal S. Luiz, uma aula, uma conferência, teatro, mesas-redondas, arte urbana... Enfim, o suficiente para nos desassossegar até dia 30, dia em que a Casa Fernando Pessoa faz vinte e quatro anos! Ufa!


 


O programa completo aqui: http://diasdodesassossego.org


 

Comentários

  1. Nem a propósito. Na universidade sénior da Portela estamos a dar o Pessoa ortónimo e fragmentos do Livro do Desassossego (que Pessoa escrevia Desasocego). Amanhã vou ao passeio literário "Lisboa com Fernando Pessoa". Bela iniciativa.

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    1. Sempre foi ao passeio?
      Não nos quer contar como foi?
      Tenho tanta pena de estar longe...

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    2. Começou no Largo de S. Carlos onde ele nasceu, descemos até á Brasileira onde posámos junto da sua estátua, passámos pela Basílica dos Mártires onde foi batizado, dirigimo-nos ao Largo do Carmo onde ele viveu num quarto alugado em 1911; ao lado existe um hostel totalmente dedicado a Pessoa. Descemos ao Rossio onde existiu em tempos, (onde hoje está a defunta Camisaria Moderna),- uma hospedaria propriedade dos pais de Alfredo Guisado e onde ele se reunia com o seu companheiro do Orfeu,( Alfredo Guisado). Passámos pela Rua dos Douradores onde existiu o escritório onde ele trabalhava e também pela Rua dos Fanqueiros onde ele quis concretizar o projecto de uma editora/tipografia que faliu passado um ano (não tinha mesmo jeito nenhum para o negócio). Acabámos no Martinho da Arcada onde apesar do bulício da hora do almoço o simpático dono nos deixou lobrigar e fotografar a mesa favorita do Fernando Pessoa.

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    3. Belo passeio, só faltou mesmo a Casa Fernando Pessoa - mas sendo um passeio a pé ficava um pouco longe.
      Muito obrigada por ter respondido :-).

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    4. Retorno.
      Espanto-me de novo com a luz. Como sempre me espanto de cada vez que volto.
      Já não sei se é ela própria que se inventa a cada retorno. Com uma nova cintilação.
      Esta cidade de poetas, esta cidade que tem de ser escrita.
      Dizem que é de marinheiros também, pois então serei marinheiro, se assim me explicar o prenúncio de sal e o barulho das ondas na bainha do Tejo.
      Pequenas " praias dos prodígios", como dizia Lagoa Henriques.
      Escultor de poetas, ajuntador de espantos, pesquisador de maravilhas, ser gentil. Nostalgia mais uma vez.
      E ela, tão habitada por todos esses que ousaram ver mais além e que nunca partem.
      Garrida de ideias à primeira luz.
      Vou abrir a janela,
      talvez entre uma sereia por ela.

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  2. Hum... porquê Fernando Pessoa e Saramago, numa mesma onda ?
    Simples curiosidade, notem.

    Saudações fim-de-semanescas cá da Cidade Morena.

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    1. Julgo que é uma parceria da Fundação Saramago e da Casa Fernando Pessoa, deve ser por isso.

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    2. Não nos esqueçamos que Saramago escreveu "O Ano da Morte de Ricardo Reis" um dos seus melhores romances que tem a ver com Pessoa, obviamente.

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    3. "O ano da morte de Ricardo Reis" é , para mim, o melhor romance de José Saramago (o melhor escritor português depois do Luís Vaz de Camões (para mim, claro)).

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    4. Para mim é o segundo melhor, sendo que o primeiro é o Memorial do Convento: absolutamente magistral!
      Curiosamente o Palácio Nacional de Mafra comemora hoje os seus 300 anos.

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    5. Também concordo - "MEMORIAL DO CONVENTO" - magistral!

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  3. Pois para mim o "Evangelho..." seguido do "Ano da Morte..." A volatilidade dos gostos!

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  4. Ainda bem que há gostos tão diferenciados. Agradam-me várias das obras de Saramago mas a minha preferência vai para "Levantado do Chão". Quanto a Pessoa nem sei para onde me virar. Malhas que o império da sua poesia tece.
    Também a palavra "desassossego" me provoca espanto, não só ao ouvi-la mas também ao vê-la. Estranho-a tanto como empecilho, geringonça, desenvencilhar, entre as poucas palavras de origem bárbara que integraram a Língua Portuguesa.

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    1. Eu também não sei para onde me voltar, mas escolheria, sem dúvida, a Tabacaria, todo o Guardador de Rebanhos e o Livro do Desassossego.

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