Vaiado ou aplaudido?

No dia da tomada de posse de João Lourenço à frente dos destinos de Angola, o público presente parece ter assobiado ao nosso presidente Marcelo Rebelo de Sousa. Nesse dia, vinha eu no carro pela hora do almoço e ouvi a notícia como se o assobio fosse uma vaia castigadora por Marcelo ter feito a asneira de cumprimentar João Lourenço pela sua vitória antes mesmo de se saberem os resultados das eleições. A seguir, uma jornalista «postou» no Facebook um comentário de uma senhora angolana a dizer que, na terra dela, assobio é coisa boa, e não insulto; e, logo a seguir, no site do Diário de Notícias, podia ler-se que a presença de Marcello tinha sido muitíssimo aplaudida. Bem, uso esta história para dizer que os gestos e sinais não são iguais em toda a parte (apontar com o dedo em alguns países pode ser perigoso e dizer que sim com a cabeça pode significar coisas diferentes em lugares diferentes) e que havia um livro magnífico sobre esta matéria, The Human Animal (O Animal Humano, creio, em português), da autoria de Desmond Morris, que depois deu origem a uma série de TV igualmente boa que deve estar por aí na Internet para ser vista. O livro, imagino, já deve andar fora de mercado, mas pode ser que o encontrem em alfarrabistas e bibliotecas.

Comentários

  1. Ainda melhor do que o livro, quem nos pode esclarecer se o assobio (neste contexto) é vaia ou aplauso é o Extraordinário António Luís Pacheco ;-).
    Antonieta

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    1. António Luiz Pacheco9 de outubro de 2017 às 06:55

      É verdade, Extraordinária Antonieta! Confirma-se que os assobios à mistura com palmas foram de facto aplauso!
      Goste-se ou não, o Prof. Marcelo é um grande comunicador e uma pessoa de trato fácil e simples, tem imensa empatia e conquistou por completo os caluandas e os angolanos em geral! Passou a ser o "tio Celito" ... o que prova a estima que por ele ganharam!
      As TV daqui deram em directo e na íntegra a alocução que Marcelo fez na faculdade de direito, a docentes e discentes - e que foi brilhante, na minha humilde opinião. Um exemplo do interesse que suscitou como da sua capacidade de comunicar de forma simples e directa com a elevação e graça que se lhe reconhece.

      Nada mais verdadeiro que o tema deste post!

      Saudações cá da Cidade Morena

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    2. Gostei de saber que o "tio Celito" foi bem tratado pelos angolanos, gostei mesmo.
      Obrigada por ter respondido ao meu desafio.

      Saudações tristes aqui da Beira Interior novamente em chamas.
      Antonieta

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    3. António Luiz Pacheco9 de outubro de 2017 às 09:37

      É verdade! Como homem do campo e que sofreu na pele o Inferno dos fogos, sinto profundamente essa situação!

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  2. Na Bulgária o nosso aceno de cabeça para "sim" significa "não" e o oposto é o inverso. Em suma, uma confusão para o turista acidental...

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  3. Um livro muito interessante, «Os Gestos - Suas origens e significado», também de Desmond Morris, publicado em 1981 pela Europa-América.
    Paulo Moreiras

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  4. Então não há comentários sobre o novo nobel da Literatura minha cara editora e poeta MRP?

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    1. Que dizer? Completamente inesperado. Publiquei dois romances de Ishiguro quando ainda estava na Gradiva (antes, portanto, de 1996), de que gostei muito. Mas por acaso não acompanhei a obra do autor (como fiz com a de McEwan) quando de lá saí e, nessa medida, não posso fazer julgmentos sobre o mérito do autor.

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  5. Assobios estridentes em jam sessions ou espetáculos de pop music são sinal de agrado. Bater palmas após um fado de Coimbra é inaceitável. Já o quase silêncio sobre a atribuição do Nobel de Literatura me parece pouco interesse no distinguido.

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    1. Pouco interesse ou desconhecimento do autor.
      Eu não estava à espera que ele ganhasse, nem tinha nenhum palpite, confesso.
      Mas poupou-me uma "corrida à livraria" pois tenho cá em casa 3 livros e dois
      filmes. O primeiro livro que li foi "Os Despojos do Dia", em 1991 (deve ser o que a Rosário publicou) e que ganhou o Booker em 1989 - e que originou um belíssimo filme do James Ivory.
      Segui-o sempre pela Granta e da sua obra apenas não li o primeiro e o último.
      Preferia que tivesse ganho o McEwan, mas penso que o Nobel está bem entregue.
      Antonieta

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  6. António Luiz Pacheco9 de outubro de 2017 às 06:59

    Já que se fala aqui do tema, etologia, e de Desmond Morris, não posso deixar de aconselhar a leitura de "A agressão - uma breve história do mal", de Konrad Lorenz, o pai desta ciência!
    E um livro que me atrevo a dizer ser fundamental para todos os que lidam com pessoas e até animais, pois constitui um manual de comportamentos e claro, da linguagem do corpo.

    Saudações cá da Cidade Morena

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  7. "Os Despojos do Dia", um filme que considero magnífico. Fiquei a saber que foi realizado a partir de uma obra do Nobel de Literatura. Desconhecimento meu.

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