Sem pagar

Embora se diga que a cultura não tem preço, o que é verdade é que quem consome cultura se queixa frequentemente do que paga por ela: há os que dizem que os livros estão caríssimos (muitos até dizem não ler por causa disso, ignorando que as bibliotecas os emprestam e que, lidos in loco, são igualmente gratuitos); há os que poupam durante meses para gastar tudo nos festivais de Verão, onde actuam as suas bandas favoritas; há os que ficam com as mãos a arder quando pagam um bilhete para um espectáculo. Sim, a cultura, mesmo sem preço, pode ser bastante cara. Mas também pode consumir-se cultura sem pagar (as leituras de poesia no Povo, por exemplo), e descubro agora que existe um blogue que colige justamente eventos aos quais podemos ir sem gastar um tostão (desculpem, um cêntimo). Chama-se, muito justamente, Cultura de Borla e avisa logo de que não se cinge a acontecimentos na capital, o que também é bom porque nem todos moramos em Lisboa. Teatro, exposições, concertos, conferências, passatempos, existe de tudo um pouco nesse blogue para quem gosta de cultura. Amanhã, por exemplo, no Museu do Oriente, haverá uma palestra que dará uma introdução ao sânscrito das 16h às 18h com entrada… de borla (claro que a sala tem uma lotação). Mas para quem queira lá ir, o endereço do blogue é:


http://culturadeborla.blogs.sapo.pt/

Comentários

  1. Excelente sugestão ! Já fui ao site, que desconhecia, e encontrei lá belas indicações. Não sou pela cultura à borla, até porque quando pagamos estamos frequentemente a só pagar parte dos custos (por exemplo, quando vou ao Teatro de S. João ou à Casa da Música ou quando compro um livro cuja tradução foi subsidiada). E tenho a sorte de trabalhar ao lado de uma excelente biblioteca municipal que me permite, para além dos livros que levo para casa (e que nem sempre leio), fazer recentemente um ciclo de cinema pessoal dos filmes de Carl Dreyer.
    Eu estava à espera do Roth, do Murakami, do Auster e (secretamente, acreditando no arrojo recente da Academia Sueca) do Vila-Matas, e saiu-me o Ishiguro. Para inglês, antes o McEwan.

    ResponderEliminar
  2. Cultura de borla, não! Mas o problema é mais o trabalho de borla.

    ResponderEliminar
  3. Luís de SousaPeixeira6 de outubro de 2017 às 04:13

    Pois, é verdade. Porém, a maioria das bibliotecas públicas não adquire livros, nem revistas, nem investe em quase nada: são casas de porta aberta com livros antigos e ofertas ocasionais - costumo dizer, na biblioteca municipal de Viseu: caramba, deixei mais, só no sector de História, na D. Dinis, do que todo acervo desta biblioteca...

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Luís: depende das bibliotecas. Em vários concelhos de Lisboa há excelentes bibliotecas, caso das Bibliotecas de Oeiras, Lisboa, Cascais... Em Oeiras as bibliotecas aceitam mesmo sugestões dos leitores comprando muitos dos livros sugeridos.

      Eliminar
  4. Vale a pena pagar quando a arte e a qualidade são, com critério, subjetivamente definidas. Outras, serão luxos proibidos para quem tem a casa, a creche e as propinas das filhas para pagar. Nem falo das crianças do distrito do Porto que nunca viram o mar...

    Também há aqueles (da cultura líquida) que não valem um copeque furado e custam um balúrdio.

    Também há países onde os jovens têm um cheque-cultura. E, por falar em pobrezinhos, deixo-lhe o link de um concerto eslavo que vale a assistir.

    http://www.casadamusica.com/pt/agenda/2017/10/21-outubro-2017-recital-de-canto-e-piano/49158/?lang=pt#tab=0

    Boas leituras e bom fim de semana.

    ResponderEliminar
  5. António Luiz Pacheco6 de outubro de 2017 às 04:57

    A cultura deve ser de borla?
    Creio que depende... a básica devia ser, se bem que tenha alguma dificuldade em definir o que seja.
    A outra, digamos que opcional, essa pode e deve ser paga.
    Como as separaria... bom isso já é areia demasiada para a camioneta desta traça dos livros!
    E claro que a cultura também deve gerar receitas, deve pagar a quem a produza e pratique, divulgue, seja ela paga ou subsidiada ou como seja.

    Saudações culturais cá da Cidade Morena.

    ResponderEliminar
  6. De facto a Cultura não tem preço; o que tem preço é a embalagem em que a cultura é guardada para ser vendida. O frasco fica, o perfume espalha-se e entranha-se. Esse perfume é que é a verdadeira Cultura.

    ResponderEliminar
  7. O blogue é mais ou menos interessante. Nem metade do que li são borlas (não o cusquei à exaustão). Também julgo que pagar a cultura é uma homenagem aos artistas das diferentes áreas. Mas considero que o Estado deve proporcionar o ambiente cultural a todos e depois, crescendo, cada um escolhe dentro daquilo que mais o chama. O Estado português acordou para a necessidade da leitura e desdobra-se em semanas da leitura e livros específicos e um monte de actividades que pretendem implantar hábitos de leitura. Mas nem só de pão vive o homem. E a música dita erudita, quem a experimenta? E o teatro? E a ópera? Um mundo de gente a desconhecê-los.

    ResponderEliminar
  8. "De borla" até poderá ser, mas um blogue que se pretende de "cultura" ter um post sobre um programa de celebridades é que me parece pouco fiável. Podia mencionar programas de TV: um filme, uma série de qualidade comprovada, algum documentário de interesse. Agora patrocinar um programa sobre umas irmãs socialites num canal de fofocas é que me parece francamente mau. http://culturadeborla.blogs.sapo.pt/celebre-o-10o-aniversario-de-keeping-up-5047064

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

Em Berlim

O que ando a ler

O principal e o acessório