Romeu & Julieta

Quando eu era pequena, comia muitas vezes queijo e marmelada à laia de sobremesa, sem saber que no Brasil existia uma variante desta guloseima (goiabada em vez da marmelada) chamada Romeu & Julieta. Shakespeare e a sua tragédia amorosa também se relacionaram com comida na encenação de um grupo de teatro polaco que vi há uns anos no Teatro Nacional D. Maria II, na qual os Montecchio e os Capuleto eram donos de pizarias rivais. E agora o Teatro Praga aproveita o par amoroso e leva à cena no Teatro Maria Matos uma peça para crianças (que os adultos também poderão ver) que mistura a história do «romance maldito» com um cheesecake: Romeu & Julieta – Uma Excelente e Lamentável Sobremesa, de Cláudia Jardim, Diogo Bento e Pedro Penim (interpretam-na os dois primeiros). Segundo o anúncio, «o sangue dos amantes é doce de goiaba, as lutas de espadas fazem-se com espátulas e uma dentada numa bolacha Maria pode ser uma alternativa deliciosa para um coração partido.» Parece uma forma interessante de apresentar Shakespeare aos mais novos e a fotografia promocional do espectáculo é também bastante apelativa. De 21 a 29 de Outubro, aos sábados (às 16h30) e aos domingos (às 11h e às 16h30). A obra do bardo continua a dar pano para mangas.


 


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Comentários

  1. António Luiz Pacheco11 de outubro de 2017 às 02:16

    A Walt Disney, ao longo da sua já longa vida, tem feito interessantes apresentações ou introduções aos clássicos, apresentados em banda desenhada e com humor (numa versão livre...) de personagens, obras, autores e de peças onde se inclui por exemplo o Hamlet e até o próprio William S. .

    Creio que são formas muito saudáveis e úteis de apresentar aos mais novos, e de lhes despertar a atenção, como o gosto pela leitura. Diverti-los é a forma mais segura de os atrair e interessar, sem dúvida!

    Saudações clássicas cá da Cidade Morena!

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  2. Quando, ao longo dos 36 anos em que fui professor de Português, tentava promover a leitura de obras que considerava interessantes para os meus alunos, havia sempre um que retrucava: — Já vi o filme! Ou: —Já vi os desenhos animados!
    E eu vá de tentar explicar a diferença entre o irreverente Tom Sawyer do Twain e a versão beata dos desenhos animados, dobrados em Português, que tentava convencer o Huck a ir à catequese: — Leiam, que vão gostar!
    Quase sempre foi luta inglória, embora me recorde de um ou outro sucesso, como quando, após o estudo de O Velho e o Mar, no 9 ano, lhes passei o filme. Foi um desapontamento, Stôr, o livro é muito melhor! O filme está cheio de erros!
    Por isso, não sou nada favorável a adaptações e substituições de originais, entendendo que é preferível lerem os originais quando tiverem maturidade e apetência, cabendo aos professores e demais formadores despertarem o interesse para essas obras, trabalho quase sempre votado ao insucesso, mas que deve ser feito — e como seria bom se todos os professores de português (e os outros) fossem leitores entusiásticos!
    Mas, dito isto, não hesitei em oferecer a adaptação da Odisseia feita por Frederico Lourenço ao meu neto mais velho: é que a acho excepcional.
    JCC

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  3. Senta-a no teu colo, deixa-a provar o doce entre a carícia e a palavra, deita-a no leito de cada estação, aproxima o poema, a novela, a cena, para que a esperança cresça.

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  4. Também gosto dessa "sobremesa" e mais se em vez de marmelo for abóbora.
    Quanto aos clássicos em versão infanto-juvenil a fim de serem mais divertidos e acessíveis... ora abóbora.

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  5. E se o pug tivesse um balão diria;

    " Tenho mesmo de fazer isto?
    Eu só vim às audições porque era para o Rei leão!
    E agora põem-me uma tiara...
    Isto é tudo muito estranho.
    O cheesecake ao menos, não é de plástico?
    Juras???"

    Liberdade Silva

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  6. Rosário, para quando a reedição da poesia completa de Luís Miguel Nava?
    Muitas vendas fariam.
    Por que não valorizamos os nossos melhores poetas?
    Obrigada.

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  7. «uma dentada numa bolacha Maria pode ser uma alternativa deliciosa para um coração partido» - sendo uma peça dirigida a crianças, não acho muito bem apresentar uma dentada numa bolacha como remédio para um desgosto. Grande parte dos casos de obesidade infantil tem precisamente origem em frustrações, desgostos, procura de consolo para carências; um comportamento que se repete pela vida fora.

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  8. revistas cientifica histórica arte e escola de teatral rua no bairro salvador duplo coração literaturas contos das estrelas clássica Romeu e julieta blog leitor postagem no novo capitulo terceira anterior

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