O que ando a ler

Já tinha este livro perto de mim há muito tempo, como que reservado, mas só agora consegui efectivamente começar a lê-lo. Trata-se de Yoro, um romance de Marina Perezagua (que esteve presente na última edição das Correntes d’Escritas), uma escritora sevilhana que ensina espanhol numa universidade americana e nada quatro horas seguidas (uf!). É, sem dúvida, uma obra original e, depois de me ter encontrado com a hermafrodita de Arundhati Roy, não fazia ideia de que descobriria outra tão cedo. A deste livro está  a redigir um longo testemunho e assina simplesmente «H» (como a bomba). Sabemos que cometeu um crime (mas não qual) e que é uma sobrevivente de Hiroxima (tinha treze anos na altura da tragédia que ironicamente lhe permitiu, por danos profundos no seu corpo, escolher um sexo que não era o que os pais lhe haviam destinado). Ironicamente também, apaixona-se por Jim, um soldado norte-americano que foi feito prisioneiro (e sujeito a torturas terríveis) pelos Japoneses, a quem é entregue, no fim da guerra, uma órfã japonesa para criar nos primeiros cinco anos de vida – Yoro, a que dá nome ao romance.  É esta  criança que H e Jim procurarão juntos ao longo de anos pelas mais diversas geografias: um culpado de a ter deixado ir, a outra ansiando a filha que não podia ter tido. E, pelo caminho, muito se vai passando, e eu, já não muito longe do fim, percebi finalmente o que está H a fazer no Congo, donde escreve o seu testemunho, mas ainda não o crime que cometeu. Elogiado por Salman Rushdie, Yoro é uma leitura que vale a pena.

Comentários

  1. A Elsinore a revelar-se uma Editora de grandes escolhas.
    Bom dia.

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  2. Acabei de ler o romance "A Elegância do Ouriço" de Muriel Barbery (Ed. Presença). É uma narrativa a duas vozes que decorre num bairro chique de Paris: Renée é uma porteira cultíssima, autodidata, apaixonada por pintura e por Tolstoi e uma devoradora de livros.Porém esconde-se por detrás da figura humilde que todos esperam ver numa porteira. Paloma é uma adolescente superdotada de 12 anos e consciente da vacuidade do destino que a espera e com tendências suicidas. Porém o seu destino vai mudar com chegada de um terceiro personagem...Ando a ler a Biografia de Nelson Rodrigues "O Anjo Pornográfico" de Ruy Castro (Ed. Tinta da China) protagonista de uma vida extraordinária e de uma assombrosa história.

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    1. Engraçado, comprei A Elegância do Ouriço em 2009 - precisamente no dia dos meus anos - e lembro-me que gostei bastante de o ler.
      Fizeram um filme sobre ele, mas nunca tive oportunidade de o ler.
      Antonieta

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    2. Já li também.
      Não sei seo achei bom livro se é só um grande chiché pejado de lugares comuns.
      Nunca me tinha acontecido não chegar a uma conclusão quanto a livros.

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    3. Então as melhoras, traça literária!

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  3. Ando a ler o "Anjo Pornográfico, a Vida de Nelson Rodrigues", de Ruy Castro.

    E estou a gostar, claro. :)

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  4. Acabei de ler O Luto é a Coisa com Penas, do Max Porter e estou mesmo a começar Retalhos do Tempo, do John Banville.
    Antonieta

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  5. Ando a ler _ 58

    Li, entre outros, dois policiais, se assim se pode dizer:

    1 -- “Os Coxos Dançam Sozinhos”, José Prata (ed. ASA, 2002) – Um polícia que é encarregado de investigar os crimes que ele próprio comete... até que... E mais não digo, pois que o desfecho é surpreendente.

    2 -- “Borges e os Orangotangos Eternos”, Luis Fernando Veríssimo (ed. ASA) – Inspirado em J. L. Borges (que aliás é personagem no livro), Veríssimo desenvolve a trama em torno da CEGUEIRA, fazendo-nos VER que “os sinais do crime estão sempre à vista. A questão é COMO vê-los”... Ou seja: Borges foi cego durante grande parte da sua vida, mas isso não o impediu de ter uma visão do mundo – e, portanto, dos crimes que por aí se cometem.

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    1. Interessante essa ideia da ASA.
      Para além desse do Borges, tenho mais quatro:
      - Adeus, Hemingway - Leonardo Padura Fuentes
      - O Doente Molière - Rubem Fonseca
      - Os Leopardos de Kafka - Moacyr Scliar
      - Os Fantasmas de Pessoa - Manuel Jorge Marmelo.
      Não sei se a colecção tinha mais, só conheço estes.
      Antonieta

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  6. A ler, devagarzinho, um livro sobre a imensa amizade dos génios.
    " Coimbra de Antero" do Eça
    Um livro solar.

    Puck

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  7. Se eu fosse Deus? - Fernando Correia: ponham os olhos neste romance, isto sim, é ficção, é trabalho, é saber- GRANDE FERNANDO CORREIA, para os distraídos que julgam que o jornalista e sportinguista Fernando Correia só percebia de desporto: Tomai lá uma escrita de mestre!

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