O Fantasma de Roth

Diz-se que Nathan Zuckerman, o escritor judeu que se passeia por várias obras de Philip Roth (A Lição de Anatomia, Pastoral Americana, A Mancha Humana, entre outras) é o seu alter ego. Pois pode bem ser assim. No livro que hoje me ocupa – O Escritor Fantasma –, Nathan é ainda um aspirante à condição de escritor, com um conto publicado numa revista importante, mas ainda muito verde e cheio de dúvidas. Encontramo-lo, de resto, de visita a E. I. Lonoff (escritor de ascendência russa a viver na América que é um dos seus confessados ídolos literários), a beber cada gesto e palavrinha do mestre que só gosta mesmo de dar voltas a frases e a quem a mulher, na presença do jovem, chega a pedir que a mande embora, pois já não suporta aquela vida de reclusão. Mas Nathan não é a única visita de Lonoff nesse fim de tarde: sentada na carpete de maneira informal a organizar artigos e outra papelada, a jovem Amy Belette (será esse o seu nome?) – uma ex-aluna estrangeira de Lonoff que talvez seja também sua amante – desperta fantasias e a admiração do rapaz até pela forma íntima e desafiadora como fala com o mestre. Nathan ficará a dormir em casa de Lonoff e poderá ouvir conversas sussurradas e inspiradoras que o ajudarão a resolver os seus próprios conflitos interiores. E mais não se conta desta estreia de Nathan Zuckerman, dizendo-se apenas que este é um livro maravilhoso sobre a literatura e a vida e as escolhas que se fazem em ambas. Traduzido por Francisco Agarez, claro.


 

Comentários

  1. A identidade da Amy Bellette, que se vai revelando pouco a pouco, é uma das mais prodigiosas invenções de Philip Roth. Se Nathan Zuckerman é o alter ego do Roth, Lonoff é o alter ego Bernard Malamud, outro grande escritor judeu americano da geração anterior a Roth e que foi o seu "role model". Um livro incrível !

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  2. António Luiz Pacheco12 de outubro de 2017 às 06:21

    Desperta-nos o apetite... e, direi mesmo mais: Sendo a tradução de Francisco Agarez temos uma dupla garantia da alta qualidade da obra ser garantida pela traducção!

    Saudações cá da Cidade Morena!

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  3. Sem desprimor, ver também o que escreve hoje Eduardo Pitta no seu blogue "Da Literatura" sobre este livro de Roth.

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  4. António Luiz Pacheco12 de outubro de 2017 às 08:58

    Prégunta-se:
    SE, este blog tivesse uma casinha para a gente assinalar o nosso acordo, concordância, apoio, apreço, gosto, etc. era uma cena fixe!
    Não seria possível? Era valor acrescentado, penso eu ...

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  5. É um bom escritor. Tinha lido apenas O complexo de Portnoy que não me agarrou. Anos depois experimentei A mancha humana e mudei de ideias. E há um outro em espera. Veremos no que dá. Mas do livro que aqui se fala nada sei.

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  6. Parabenizo-o Francisco Agarez!



    Cláudia da Silva Tomazi

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