Sempre a subir
Livro sensação da última Feira do Livro de Frankfurt, o romance do italiano Paolo Cognetti intitulado As Oito Montanhas acabou por ser vendido rapidamente para mais de trinta países, incluindo Portugal. É uma história de amizade improvável entre Bruno, um rapaz da montanha que guarda rebanhos para um tio bruto (como, de resto, o pai, a mãe e os primos, todos brutos como a rocha), e Pietro, um menino da cidade, filho único, com um pai de personalidade bastante difícil que venera as montanhas e teima em subi-las todos os verões, arrastando para isso mulher e filho. Com personagens muito bem desenhadas, nunca a duas dimensões (e como seria fácil tender para a caricatura num ambiente atrasado como o que nos é dado ver na aldeia de Grana, onde se passa a história), este romance é mesmo sempre a subir, como uma montanha que é preciso ir escalando até se perceber por que motivo certas pessoas são como são (o pai de Pietro, por exemplo, ou mesmo Bruno, que desce uma única vez à cidade grande para ver como é). Hino à amizade, mas nada óbvio no tratamento do tema e tudo menos lamechas, é uma obra com qualquer coisa de clássico que, acredito, veio para ficar.
Pois eu, as oito montanhas que, sempre a subir, andei a ler foram as seguintes:
ResponderEliminar“Fantasia para dois Coronéis e uma Piscina”, Mário de Carvalho (ed.?) / “Antes de ser Feliz”, Patrícia Reis (ed. D. Quixote, 2010) / “Os Sonhos de Einstein”, Alan Lightman (ed. ASA, 1994) / “As Horas”, Michael Cunningham (ed. Gradiva, 1999) / e três de António Tabucchi: “Requiem”, (ed. Quetzal, 1994) / “Pequenos Equívocos Sem Importância”, (ed. Difel, 1988) / “Afirma Pereira”, (ed.?).
E vão sete.
Se me permitem, disserto um pouco sobre a oitava, porventura a mais agreste.
Em homenagem a Philip Roth e aos seus diversos livros que li, persisti e levei até ao fim este difícil “O Animal Moribundo” (ed. Dom Quixote, 2006).
Nas pesquisas que fiz encontrei vários testemunhos de outras pessoas que também se defrontaram com dificuldades de que não estavam à espera, atendendo ao que conheciam de outras das suas obras.
Um desses leitores disse exactamente o que eu pensei quando cheguei ao fim: “Não abandonei a leitura porque percebi que por detrás de David Kepesh (o personagem principal) está o próprio Philip Roth.”
A temática principal é o erotismo na terceira idade…
Portanto, já se está a entrever o quão problemático é, para os leitores nessa idade, sermos confrontados com um livro de 130 páginas que disto fala sem rodeios…
Mas garanto que vale a pena – para os mais velhos, mas também para os mais novos.
Por várias razões que, esforçando-se, perceberão.
Senti-me triunfante por ter chegado às pág.s 120-121, onde se encontra a referência ao quadro pintado por Stanley Spencer, intitulado «Double Nude Portrait: The Artist And His Second Wife (The Leg Of Mutton Nude)».
Talvez por razões de custos editoriais, a imagem do quadro não é reproduzida no livro. Mas é fácil encontrá-lo na net (v/ em Tate Modern).
E vale a pena vê-lo e comparar com o que Roth escreve, pois que é mais um trunfo para decifrar o completo significado desta dramática parte final do livro…
Em suma: é emocionante.
Contos da Mata dos Medos - Álvaro Magalhães com a linda ilustração da Cristina Valadas.
ResponderEliminarUm livro para todas as idades, que inicialmente trouxemos da biblioteca para ler às mais novas cá de casa, mas que rapidamente prendeu a atenção dos adultos.
Um livro que tem um ouriço, coelho, chapim, toupeira e uma processionária como elementos principais doa temas desenvolvidos.
"E para ti Chapim, o que é a felicidade"?
Tão bom haver livros assim para todas as idades.
Por acaso ontem também andei pelas montanhas (da Suiça) ao ler "Em Busca de Peter Pan", do Cosey.
ResponderEliminarIsto depois de ter relido o magnífico livro do J. M. Barrie numa belíssima edição do Expresso.
Este Verão (re)descobri a banda desenhada - e que bom que foi.
Andei pela Galiza com o Ardalén do Miguelanxo Prado, fiz o Último Voo com o Saint-Exupéry pela mão do Hugo Pratt, andei por África na companhia de Karen Blixen com o belíssimo A Leoa.
E fico por aqui - mas li muitos mais, juro.
Boa rentrée a todos, parece que vêm aí livros muito bons...
Antonieta