Especialização

Sempre achei que, para escrever, é preciso ter talento – e que, por mais que os cursos de escrita criativa ajudem alguém a organizar-se e fazer opções mais sensatas e originais, tem de haver qualquer coisa inata em termos de génio e criatividade. Mesmo assim, não nego que partilhar ideias com um especialista ou alguém mais informado sobre literatura é certamente profícuo para quem queira dedicar-se à escrita – e, como tal, não deixo de partilhar neste blogue o anúncio de uma pós-graduação (penso que seja a primeira numa universidade portuguesa) em Escrita de Ficção, que terá lugar na Universidade Lusófona, em Lisboa, com direcção da escritora e jornalista Filipa Melo e colaboração dos Booktailors. Cito o dito anúncio: “O curso propõe aos estudantes um programa exclusivamente focado na escrita de ficção e visa proporcionar-lhes contacto com os principais momentos e conceitos da história da literatura, as técnicas e convenções mais relevantes da criação do texto ficcional e os elementos básicos da ficção.
 
A segunda fase de candidaturas decorre até 23 de setembro, com resultados a 28 do mesmo mês.” Se estiver interessado, pode consultar aqui:


 


https://www.ulusofona.pt/pos-graduacoes/escrita-de-ficcao?utm_source=booktailors&utm_medium=email&utm_campaign=assinatura

Comentários

  1. O tema já foi aqui discutido, acesamente! Recordo.
    Sou dos que pensa que sendo embora possível ajudar a aprender a escrever (tive uma cadeira de estilística prática) , de facto não me parece que seja coisa que se "aprenda", ou se nasce com queda para a escrita, ou não, como em tudo...
    Também me parece que o melhor ensinamento para se escrever é ler, ler muito e de tudo, até para nos identificarmos com o estilo, se assim pode dizer-se. Penso que quem tenha a inclinação para escrever tenha igualmente grande apetência por ler, uma coisa deve levar à outra, julgo, se bem que também já ouvi algures que quando se escreve, ou melhor, se está em processo criativo e a escrever, se leia menos...

    Porém, esta pós-graduação, que não me parece objectivamente para ou apenas para escritores, destina-se aos profissionais, académicos, investigadores, professores, da literatura e até a algum curioso com interesse e tempo para isso.

    Um curso de escrita, que os há por aí, soa-me um bocadinho a falso, se é que me entendem, como se fosse possível ensinar a escrever uma obra como, Guerra e Paz, O Velho e o Mar, O Paraíso Perdido, Entre Cós e Alpedriz ... acho que essas coisas se escrevem com a alma, e isso não se ensina... é a alma que nos faz ver e sentir aquilo que depois se põe no papel, pinta, compõe, penso eu traça dos livros!

    No entanto parece-me uma graduação muitíssimo interessante, como é tudo o que promova os nossos amados livros e escrita!

    Saudações literárias com alma, cá da Cidade Morena.

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  2. Ninguém contesta que uma pessoa que tenha talento para a pintura, ou para a música, frequente cursos das ditas artes. Porque há de ser diferente com a escrita?
    Sem talento, claro, ninguém chega a lado nenhum. Mas, como a Rosário diz, «partilhar ideias com um especialista ou alguém mais informado sobre literatura é certamente profícuo».
    Claro que frequentar um curso desses não faz de ninguém um Tolstoi. Assim como frequentar um curso de pintura não faz de ninguém um Van Gogh.

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  3. Concordo com a Cristina.
    Acontece o mesmo com a representação, teatral ou cinematográfica, e com a música - o talento tem de existir, mas convém aprender e aperfeiçoar a técnica.
    :-) Antonieta

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  4. Espera-se que o Pedro Chagas Freitas seja docente convidado. Afinal, parece que o leitor médio gosta bastante do que ele escreve. Logo seguido do outro, aquele, o do Querido Mudei a Casa cujo nome agora me escapa, e precedido do outro, o do Telejornal. Para não falar da MRP, enfim, as pérolas mais lampejantes da nossa literatura.

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    1. Samyaza lendo Relatividade Geral.

      Caro RG,
      não se acanhe. Está encontrado o crítico literário que separará as uvas do mosto, a Literatura da vidinha, a genialidade da bestialidade. Apareça, precisamos de si. Muito.

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    2. Não percebo a ironia. Não obstante estar para a literatura como o Diácono Remédios está para o Punk Rock, sei que os autores supra não possuem valor intrínseco que justifique os sucessos de vendas. Ou discorda?

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    3. MRP serei eu? As iniciais correspodem a mais do que uma autora...

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    4. MRP há só uma. Margarida Rebelo Pinto e mais nenhuma.

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  5. Penso que esses cursos não têm utilidade nenhuma para futuros candidatos a escribas. Já tudo foi dito e escrito por Dante, Camões, Shakespear, Dostoievski, Tolstoi, Mann, Musil, só para citar alguns. Onde está a originalidade desse imenso lixo que povoa as nossas livrarias? Esses cursos só vão inflacionar o número dos candidatos a JRS e RP. Bom, para esse peditório já dei. Concordo com quase todos os comentários dos extraordinários postados acima.

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    1. RP sou eu? Senão, talvez seja melhor dizer quem é.

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    2. E o anónimo é o RG?
      E entre esses grandes escritores que já disseram e escreveram tudo não há nenhuma lady? Nem uma sequer?
      Aviso já que não sou do BE e que me estou borrifando para aquela treta do
      género. É mesmo só curiosidade: será que só os homens é que são grandes escritores?
      :-) Antonieta

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    3. O RG é o RG. O Anónimo não faço ideia quem seja. Em todo o caso, o Anónimo tem todo o direito de só apreciar escritores. Já o RG, quem lhe tira uma Agustina tira-lhe tudo.

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    4. Obrigada por ter respondido, RG.
      Também gosto muito da Agustina.
      :-) Antonieta

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    5. Por amor de Deus, RB é a Rebelo Pinto.

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    6. Não sou misógino, é claro que há e houve grandes escritoras, foi apenas um "lapsus calami", destacando de entre elas Emily Bronte, Virginia Woolf, Emily Dickinson e George Eliot.

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    7. Obrigada por ter respondido.
      E que bela escolha!
      Nessas quatro estão três das minhas escritoras preferidas de sempre.
      :-) Antonieta

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