Do que somos capazes
Em 1980, por toda a Coreia do Sul, os estudantes revoltaram-se contra o fecho de universidades e a falta de liberdade de expressão. Porém, na região de Gwangju, a repressão foi tão violenta que a população acabou por se juntar ao protesto, dando origem a um dos piores massacres na história do país. Os mortos e desaparecidos ainda estão, de resto, por contabilizar. Como lidar com a morte de alguém quando o seu corpo não aparece? Atos Humanos, o novo romance de Han Kang, é a história de Dong-ho, um rapaz que não resistiu a seguir o melhor amigo até à manifestação, mas, quando ouviu os tiros, largou-lhe a mão, procurando-o agora entre os cadáveres de uma morgue improvisada. E é também a história dos que cruzaram o caminho de Dong-ho antes e depois dessa noite infame – os que caíram por terra desarmados e os que foram levados para a prisão e torturados; os que sobreviveram ao terror mas nunca mais conseguiram falar do assunto e os que, tantos anos passados, sabem, tal como Han Kang, que a história pode repetir-se a qualquer momento e que é preciso lembrar os atos brutais de que os humanos são capazes. Este é um romance universal e moderno sobre a batalha que os fracos travam contra os fortes na luta pela justiça. Comovente e traumático, confirma Han Kang como uma enorme escritora.
É sempre de lembrar que é em nome de ideais, até de liberdade, que se cometem os mais bárbaros actos!
ResponderEliminarA história está cheia de exemplos, assim como a literatura, que mais do que aquela os relata e deixa testemunhos, que não devem ser esquecidos. Mas são-no e a maior parte das gerações seguintes ignoram que os modelos que seguem na actualidade, perpetraram actos desses quando foi a sua vez!
É para isso que servem também os livros, atrevo-me a dizer eu, traça literária.
Quanto aos fracos, há sempre fracos, pois sem fracos não haveria fortes... são os fracos quem suporta e alimenta os fortes. Porém, os fracos persistem em ser fracos, julgam que ser fraco é uma virtude - aliás de matriz cristã - esquecendo que os fortes não respeitam a fraqueza, usam-na!
Saudações fortes cá da Cidade Morena!
Admiro a qualidade de quem fala sobre este assunto, qualquer relato a violência imprime 'piedade' e desperta esperança de um mundo atuante e gentil. Relatar "crueldades" (dispensa comentários) sim, os há... E, neles quem defenda diferentes modalidades entre: viver, conviver e sobreviver.
ResponderEliminarparece interessante mas, não sabendo o que são "atos"...
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