Censura russa

Dois dias depois de ter visto um interessante documentário sobre as Pussy Riot (não sei se se lembram delas), leio no The Guardian uma história tremenda que mostra bem o estado a que chegou o preconceito e o autoritarismo na Rússia, cem anos passados sobre a Revolução. A inglesa V. E. Schwab é autora de uma trilogia de livros fantásticos, Shades of Magic, com a qual obteve um enorme sucesso no Reino Unido, tendo mais de 50 000 seguidores só no Twitter. Os livros, que contam as aventuras de Kell, um mago que viaja através de quatro versões paralelas da cidade de Londres, são pouco convencionais no seu género, uma vez que incluem, entre outras personagens, um príncipe bissexual e uma carteirista de sexo indefinido (penso que ela se terá inspirado nas 50 Shades (Sombras) of Grey...). Como em muitos outros países, a trilogia foi vendida na Rússia e lá publicada – e a sua autora ficou obviamente contente por a ver traduzida. Porém, depois de os livros terem saído por lá, e através de um leitor russo que conhecia ambas as versões, descobriu que lhe cortaram todas as cenas gay e reescreveram uma boa parte do enredo sem lhe pedirem sequer permissão… Uma lei assinada pelo senhor Putin bane todas as referências a relacionamentos sexuais “não tradicionais” e, como tal, a obra foi censurada… Será que também modificaram Reviver o Passado em Brideshead e outros clássicos? Não me admirava nada...

Comentários

  1. Não justifica tudo, mas os pais de Putin sobreviveram ao Cerco de Leninegrado.

    ResponderEliminar
  2. Agradeço imenso o post de hoje, Rosário. Através desta iniciativa (obviamente a sua) tenho o modo de deparar com a realidade deste país que sediará o próximo mundial de futebol. Evidentemente na contramão do quê exibe em sendo vitrine cultural o velho mundo.


    Cláudia da Silva Tomazi

    ResponderEliminar
  3. Bissexual, sexo indefinido, what else?
    Vende-se como milho. Os russos ainda não entraram na idade do dinheiro, mas hão de lá chegar como todos os outros.

    ResponderEliminar
  4. Não me admiro com o que dizem... afinal a escola dele é o KGB!
    Em compensação, entre nós, e se derem campo a certos partidos ou sectores, vai ser obrigatório que em todos os romances publicados haja paridade, não podendo ser um homem, tem de haver uma heroína e os homossexuais também serão presença obrigatória! Não se pode fazer referência a comer carne e os animais terão de figurar em regime de igualdade com os humanos!
    Fala-se da URSS, fala-se do comunismo, do fascismo, do NAZISMO, da Coreia, do ISIS... mas vão dando espaço a que uma certa ideologia mine e vá tomando conta da nossa sociedade, enquanto está tudo distraído com os outros...

    Saudações livres, omnívoras e hetero, cá da Cidade Morena!

    ResponderEliminar
  5. E depois apareceu a Susaninha*,estendendo os braços longamente, pode-se mesmo dizer, espreguiçando-se com gosto.
    Deixou ainda escapar um regalado " Ah, o mundo é lá tão longe".
    A seguir fechou as cortinas.

    * Susaninha, personagem do Quino

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

Em Berlim

O que ando a ler

O principal e o acessório