O que ando a ler

 


Depois de o seu romance Teoria Geral do Esquecimento ter sido vencido por A Vegetariana na final do Man Booker International Prize de 2016, José Eduardo Agualusa conseguiu agora, com o mesmo livro, arrecadar o International Dublin Literary Award, no valor de 100 000 euros (25 000 dos quais vão para o tradutor, o que é justo). Estavam a concurso autores importantes como Pamuk, Anne Enright (de quem publiquei um romance há muito tempo) e o nosso querido Mia Couto – e o prémio é tão mais gratificante porque quem nomeia os candidatos são bibliotecas públicas de todo o mundo que também participam na votação dos livros finalistas. Numa forma de felicitar Agualusa por esta proeza, leio então o seu mais recente romance, A Sociedade dos Sonhadores Involuntários (mesmo que me tenha intrigado o título, pois acho difícil sonhar-se voluntariamente, mas que sei eu?), que junta, por causa dos sonhos, um jornalista cujo sogro, próximo do poder, é bastante castrador, uma artista plástica moçambicana radicada na Cidade do Cabo, um neurocientista brasileiro, um ex-guerrilheiro, todos num país dominado por um regime totalitário (está-se mesmo a ver qual é o país). Dedicado, entre outros, a Luaty Beirão e Nito Alves, este romance, segundo Mia Couto, «é tecido com os mais delicados materiais da poesia». Eu cá ainda vou  na página 40 e estou dentro de uma espécie de resort com bungalows, a ler a história de um menino que recolheu do zoo um leãozinho. Vamos ver no que vai dar. A edição é da Quetzal.

Comentários

  1. Acabei de ler "A Sétima Função da Linguagem - quem matou Roland Barthes?", de Laurent Binet.

    Apesar de ser uma história absurda, gostei de ler (escrevi sobre o livro no meu blogue).

    É um livro com muitas pontas soltas, bom para ser discutido em clubes de leitura. Também pela utilização de muitas figuras públicas (a maioria intelectuais franceses...) como personagens secundárias...

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  2. Gosto muito do Agualusa e fiquei muito feliz por ele ter ganho este prémio, penso que até comentei o facto aqui no Horas.
    Acabei de ler o Enigma, da Jan Morris, uma história de vida absolutamente extraordinária.
    Comecei a ler o livro da Isabel Lucas sobre a América - ainda só li o capítulo sobre o Alasca e gostei - está relacionado com o livro A Ilha de Sukkwan do David Vann, um dos livros que mais me marcaram nos últimos anos.
    :-) Antonieta

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    1. Já agora, o título do livro da Isabel Lucas é:
      "Viagem ao Sonho Americano - A América pelos Livros", da Companhia das Letras.
      :-) Antonieta

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  3. Emílio Gouveia Miranda3 de julho de 2017 às 01:54

    Parabéns ao Autor.

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  4. Acabei de ler dois livrinhos: «El infierno del bibliófilo» visto y descrito por Charles Asselineau e «Viagem Marítima com Dom Quixote» de Thomas Mann - gostei dos dois!

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  5. António Luiz Pacheco3 de julho de 2017 às 06:12

    Sou fã do Agualusa! Por sinal a sua teoria do esquecimento foi um dos melhores livros dele que li! Portanto, esses voluntários vão ser igualmente lidos, pode até ser que os encontre aqui no Kero, onde se vendem alguns livros dele, pasme-se, dado ser persona non grata!

    Tenho andado a ler o livro do dr. J.A. Watt, Ovinos - diagnóstico e tratamento das doenças vulgares, por causa de uma praga de carraças que aí tem andado a provocar diversas viroses no gado! Mas não aconselho a leitura, ahahahah!

    Saudações carracentas cá da Cidade Morena...

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    1. Ó Pacheko "A teoria geral do esquecimento" é um grande livro. Já leste "O vendedor de passados"? igualmente mt. bom.
      Ó Pacheko continuas cá uma carraça...

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  6. Do Agualusa só me lembro de ter lido O Vendedor de Passados, que não deve ser o seu melhor. Os seus detractores com alguma inveja á mistura chamam-lhe "águalisa". Acabei de ler um ensaio já antigo, mas muito bom do George Bataille -"A Literatura e o Mal" agora reeditado; finalizei hoje mesmo "A Biblioteca á Noite" do Alberto Manguel e "Itália- Práticas de Viagem" do António Mega Ferreira; estou a acabar "Livrarias" de Jorge Carrión. Continuo com o II volume da Camiliana que versa sobre as Novelas do Minho.

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  7. Ando a Ler_56

    Estou aqui, regressado de férias, a escrever este relatório enquanto vou ouvindo Maria João Pires a tocar os Impromptus de Shubert que ela juntou nos dois cd de “Le Voyage Magnifique”.

    E isto porque um dos livros que andei a ler – ou por outra: meti-o na mala sem saber que ia relê-lo… – é “O Viajante Magnífico” de Yves Simon (ed. In Libris – 1997).
    Sem sequer o desfolhar, meti-o na mala porque, evidentemente, ia viajar.

    Os outros – “O Piano Devastado” de Thmas McGuane (ed. De Soto, data?), e “A Sonata de Cristal” de António de Macedo (ed. Caminho, 1996) – foram, evidentemente, escolhidos pelo seguinte critério: já que vou viajar, levo música.

    Para abreviar, adianto que “O Piano Devastado” é um interessante puzzle que desafia o leitor, portanto muito apropriado quando este está pachorrentamente de férias.
    “A Sonata de Cristal” é muito estimulante, fascinante, portanto muito apropriado para qualquer altura – tanto assim que tenciono relê-lo proximamente, com outros olhos.

    Mas, sem desprimor, “O Viajante Magnífico” é que foi a magnífica prenda de férias.
    É que este exemplar está, afinal, cheio de anotações a lápis, cantinhos de páginas dobrados – e até lá encontrei um papel onde, com a minha caligrafia, está anotada uma lista dos números das páginas onde se encontram os textos ou parágrafos que, ao tempo, mais me fizeram reflectir.

    Não quero alongar-me muito, por respeito à paciência de quem me está a ler -- e porque já só tenho mais 24 horas de férias para pôr o sono em dia… -- e, como tal, limito-me a presentear-vos com a apropriada frase de Maria João Pires, que está na dobra da capa desta edição:

    “Afinal, reflexão é só um entrar profundo dentro do fundo de nós. E depois, um profundo silêncio vem criar espaço nesse lugar. E desse espaço e nesse lugar já pode nascer qualquer coisa nova e só nossa.”

    [De notar que a caixinha dos dois cd de “Le Voyage Magnifique” contém um livrinho no qual a magnífica pianista transcreve extractos do livro de Yves Simon -- e também de “Impromptus” de André Comte - Sponville].

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  8. Estou a ler um romance sobre quatro velhos, à beira da reforma, observando as inúmeras possibilidades que a vida ainda lhes oferece.
    Bastam-me as primeiras vinte páginas para ver se estou perante uma grande estopada ou se estou perante um bom livro-ainda só vou na pág. 33 mas ainda nem respirei - "QUARTETO NO OUTONO" de Barbara Pym.

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  9. 'Dicionário sentimental do adultério' da Filipa Melo. Não se deixem ir pelo título, é muito mais do que isso, acho que é uma espantosa digressão pelo comportamento humano, ao longo dos últimos milénios. Espero não ter de esperar mais 16 anos por mais um livro da autora, mas se tiver que ser, será.

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