Mrs Freud
Ser filho ou parente próximo de alguém importante e conhecido não deve ser nada fácil – e louvo a coragem daqueles que, tendo pais artistas ou escritores, por exemplo, lhes seguem as pisadas. Mas às vezes existem nomes simplesmente tão grandes e poderosos que ameaçam apagar tudo à sua volta. Todos sabemos quem foi Sigmund Freud, o pai da psicanálise, mas até haver outro Freud famoso (o pintor Lucian Freud), foi preciso, no fundo, deixar passar uma geração (e olhem que o primeiro Freud tinha montes de filhos). O problema é que havia uma talentosíssima sobrinha do senhor Sigmund que ficou por conhecer durante anos… Chamava-se Martha, estudou desenho e pintura e ilustrou belíssimos livros infantis, mas assinava com um pseudónimo masculino (Tom Seidmann Freud) porque achava que o facto de ser mulher poderia representar um empecilho. Martha teve uma vida trágica, acabando por se suicidar (o tio sempre a achou um pouco louca), mas deixou uma extensa obra que hoje os críticos de arte estão a ressuscitar, retirando-a do esquecimento. Uma justiça talvez tardia.
A MRP não se informou. Anna Freud, filha de Sigmund Freud, foi uma destacadíssima psicanalista com obra muito importante na área, reconhecida bem antes de Lucien Freud.
ResponderEliminarNa net estão de facto belas ilustrações de livros infantis criados por esta sobrinha de Freud. Se poderá não ser fácil ser filho ou parente próximo de uma celebridade, a verdade é que um apelido célebre também abre portas. E hoje mais do que nunca.
ResponderEliminarTem toda a razão, Artur.
EliminarE já que se fala de Freud: o facto de alguns filhos conseguirem seguir as pisadas dos pais e outros não, não se deve apenas a eles próprios, também aos pais. Entre estes, há os que, sendo famosos, não permitem que ninguém mais brilhe à sua volta, nem sequer os filhos, o que se torna numa herança muito pesada. Os filhos veneram os pais e se, desde o início, recebem destes a mensagem: "não te mostres! Esconde-te", é muito difícil livrarem-se dela. Mas, enfim, tudo depende de uns e de outros, como tudo na vida. De resto, é um assunto que dá pano para mangas.
Cara Cristina, muito bem visto !
EliminarObrigada.
EliminarBom, restringindo-me à livreiratura que é o âmago das nossas conversas, pergunto-me quantos casos existem de escritores filhos de escritores?
ResponderEliminarObviamente me lembro dos Alexandres Dumas (pai e filho), que aliás era assim apresentado pelos saudosos Parodiantes de Lisboa: Alexandre Dumas, pai, e, doutras filho! Ahahah!
Temos a nossa Cristina Carvalho... o Miguel Sousa Tavares, e descendentes de Eça de Queirós, mas quantos mais? Ajudem-me lá a nomear os que não sei ou não me recordo...
Quero dizer que, a escrita pode não ser genética... aliás se calhar nem as outras artes, não sei. Os Bronté parece que era tudo escritor mas e antes e depois?
Quanto ao resto e generalizando, é óbvio que ser filho de alguém é fundamental nas sociedades como a nossa onde impera a família e não a meritocracia! Ser filho, afilhado ou fazer parte do clube, do grupo...
Alguém duvida?
Quem me dera a mim ter esse pesado ónus, acreditem que viveria bem com isso...
Saudações órfãs cá da Cidade Morena.
Kingsley Amis e o Martin Amis (nunca li nada do pai, mas acho que idelogicamente muito diferentes)
EliminarMiguel
BOA! Obrigado, fiquei a conhecer mais escritores... e para quem esteja como eu:
Eliminar- Kingsley Amis foi um ficcionista, poeta e cronista literário britânico. Revelou-se como um dos grandes prosadores ingleses que surgiram depois da Segunda Guerra Mundial, no grupo chamado Angry Young Men.
- Martin Amis é um escritor britânico. Filho do escritor Kingsley Amis, estudou na Inglaterra na Faculdade de Exeter, na Espanha e nos Estados Unidos da América.
Se não conhece o Martin Amis, e se não se importa de ler ficção relacionada com a 2ª guerra (isto porque alguns já estão fartos ou não gostam mesmo) sugiro deste autor o "a seta do tempo" editado recentemente em Portugal mas já com uns anos. É um notável exercício de escrita de trás para a frente, não só a história começa com a morte do protagonista e termina com o seu nascimento, como a acção em si está às avessas. Um exemplo: Sabe o que é que eles faziam em Auschwitz? Recolhiam do céu almas humanas que lhes desciam em cima, coziam-nas em fornos para fazer seres humanos e depois juntavam-nos em famílias na gare dos comboios e espalhavam vida feliz por toda a Europa! Tem tanto de brilhante como de assustador.
Eliminarabraço
mh
A Ana Margarida Carvalho é filha do Mário de Carvalho.
Eliminar:-) Antonieta
E o Pedro Mexia - que preferiu não usar os apelidos do pai - é filho do João Bigotte Chorão.
Eliminar:-) Antonieta
https://velhocriterio.wordpress.com/2015/02/24/familias-intelectuais/
EliminarCaro Pacheco, em todas as artes, como em todas as profissões, há passagens de pais para filhos, ou de tios para sobrinhos, enfim, relações familiares. Não sei se tem a ver apenas com genética. Vá, por exemplo, pesquisar os casos de Hollywood. É raro encontrar um ator ou uma atriz que não tenha ascendentes no ramo (inclui realizadores, produtores, etc.).
EliminarNo caso dos escritores, há muitos que são filhos de jornalistas (por vezes, eles próprios jornalistas), que não ficaram conhecidos do grande público, por isso, só quem os conhece de perto o sabe.
Claro que também há escritores e outros artistas "órfãos".
Muito obrigado pela sugestão... é surpreendente para mim o conceito, e totalmente inovador, nunca ouvi nem li ou sequer imaginei! Acho uma proposta interessantíssima e vou procurar a obra!
EliminarUm abraço cá da Cidade Morena.
E a filha do Lucien Freud (que serviu de modelo para alguns quadros do pai) é a escritora Esther Freud. Nascida em 1963, integrou a lista dos Melhores Jovens Romancistas Britânicos da revista Granta em 1993.
ResponderEliminarO nome ajuda, sem dúvida.
:-) Antonieta