Mr. Brontë

Conhece certamente as três manas Brontë (Charlotte, Emily e Anne), mas sabia que as pequenas tinham um irmão? Pois é verdade: chamava-se Branwell e, aproveitando o facto de este ano ser o bicentenário do seu nascimento, o The Guardian dedicou-lhe recentemente um interessante artigo, ilustrado, aliás, com o quadro das três irmãs que costuma aparecer sempre que se escreve sobre elas – e que é da autoria do próprio Branwell! Sim, o mano Brontë era um artista e poeta, mas nunca atingiu o estatuto conseguido pelas irmãs (sobretudo por Emily e Charlotte, embora haja quem prefira de longe a obra de Anne); além disso, por causa de um desgosto de amor, acabou por se tornar alcoólico e dependente de opicáceos, morrendo com apenas 31 anos. Agora, porém, uma exposição sobre os 200 anos dos Brontë, de que o poeta Simon Armitage é uma espécie de curador no que respeita à obra literária de Branwell, vem mostrar que, longe de ser apenas o patinho feio dos Brontë, ele influenciou decisivamente as irmãs, era imaginativo nos enredos que inventava para lhes contar e um estímulo extremamente importante para que as raparigas tivessem opiniões próprias e as exprimissem nas suas obras. Portanto, deixemos de recordar Branwell apenas como o fracassado da família, uma vez que o seu papel contribuiu, afinal, para que os livros das maninhas fossem o que são.


 


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Comentários

  1. Emílio Gouveia Miranda13 de julho de 2017 às 01:21

    Numa família de três raparigas e um rapaz, estou certo de que a influência deste não seria indiferente ou ignorada... Assim manda a lógica das relações...
    Por isso, muito haverá a considerar como importante e, até, decisivo no papel deste irmão... Estou certo que sim.

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    1. Na verdade, a lógica das relações não é assim tão linear. Haverá certamente famílias em que um rapaz entre três irmãs é muito influente, como há outras famílias em que um rapaz entre três irmãs é muito mais influenciado por elas do que o inverso (conheço apenas 3 famílias em que há um filho e três filhas mas enquadram-se todas no último caso).
      Entre estudiosos da família Brontë, não há consenso quanto ao lugar do filho na família mas são mais os que sugerem que as irmãs, mesmo as mais novas, eram quase pequenas mães de Patrick Branwell.

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  2. Li o artigo e se a Rosário viu os comentários reparou de certo que poucas pessoas concordaram com influência do irmão.

    Eu não concordo, era um alcoólico, um "coitadinho" e que não trabalhava.
    O que as irmãs conseguiram com a sua escrita e sobretudo ao derrubar muros num mundo masculino, não se deveu ao mano vítima.

    To walk invisble: The Brontë sisters, é um filme bastante bom.

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  3. Só se serviu de modelo ao alcoólico e violento personagem de Anne...

    Que seria das mulheres sem a influência masculina, não é??? Pobres mulheres.
    Disparate. O talento eram todo delas, ele somente se afogou em auto comiseração, dívidas e álcoól.

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    1. Ele escrevia e pintava, não era um ser completamente inútil - nunca ninguém é.
      E é natural que sendo o único rapaz num universo maioritariamente feminino exercesse alguma influência nas três irmãs, embora não necessariamente na transferência de talento.

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  4. Será que ele era um alcoólico anónimo? Ahahah!
    É que os anónimos imperam e ao que parece, cada vez mais!
    Serão pessoas assim tão públicas e importantes, os anónimos, que necessitem de preservar a sua privacidade face a mim e a outros dos comentadores deste blog Extraordinário, miseranda gentinha?

    Saudações anónimas cá da Cidade Morena!

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    1. Pensa mesmo que os anónimos imperam??! Como é isso possível se toda a gente afirma e se nota que esta é uma época de individualismo e aparência em que cada um se vangloria a si mesmo, contente do seu umbigo e fazendo o que pode para mostrá-lo. Não julgo que tais predisposições - e disposições - sejam consentâneas com o anonimato.

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    2. Dá para entender quem é, mas de tanto fel que tem pelos anónimos esqueceu-se e ficou também anónimo.

      Não sei a razão de enxovalhar e ser deselegante por algumas pessoas não se identificarem. Talvez diga mais de si que dos não identificados.

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    3. Miserando és tu, que vês os animais como objectos, palhaço antropocêntrico.

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    4. António Luiz Pacheco14 de julho de 2017 às 04:38

      Não cesso de me espantar com a ânsia dos que em vez de comentar e falar sobre os posts e os livros que deveriam ser o tema, logo acorrem a insultar ou invectivar o que seja fora do tema!
      Mas quero lá saber...

      E sim, os anónimos são cada vez mais neste blog, o que reforça o que digo, pelo receio em se identificarem ou porque se julgam superiores!
      Há quem não pense como eu? Pois paciência... assim é a diversidade, porém não respondo nem falo com anónimos! E pronto...

      Saudações identificadas cá da Cidade Morena!

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    5. António Luiz Pacheco14 de julho de 2017 às 04:42

      Já cá faltava a imbecilidade e o ódio animalista... que nem interpretar um texto sabe, mas classifica os seres humanos pelas suas próprias ideias e sentimentos desumanos!
      Passe bem João Santos, está dispensado de se me dirigir, já que tanto lhe repugno, mas obrigado pelo epíteto de palhaço, que é um forte elemento da cultura humana, que diverte e faz rir, coisa que só os humanos alcançam.

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  5. Abençoados rebentos, os Bronté.

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  6. Eu percebo o efeito fantasmático da imagem que ilustra o post deixando um espaço não desenhado entre os retratos das irmãs, mas o Branwell não merece que lhe conheçamos a face ? (pergunta irrelevante: qualquer pode ir à net ver a cara do homem)

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  7. "...A flower on which my mind would wish to shine,
    If but one beam could break from mind like mine:
    I had an ear which could on accents dwell
    That might as well say 'perish' as 'farewell'..."


    Como se sabe a ciência tem vindo a procurar um nexo causal entre a atribuição de um nome a um neonato e o seu desempenho social. Através de diversos estudos em várias e prestigiadas academias.
    E tendo em conta, as mais exaustivas teorias concluo rapidamente que o problema do rapaz foi a falta do"i" no nome.
    Que mudaria tudo, convenhamos.

    Hypolito Evaristo
    ( o gajo que percebe disto)

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  8. Não conhecia a história de Branwell, mas a sua morte prematura encaixa-se, por assim dizer, na família. Fui pesquisar, pois tinha na ideia de que as três irmãs morreram igualmente novas. De facto. Emily morreu apenas três meses depois de Branwell, com 30 anos, e Anne oito meses depois, com a idade de 29. Charlotte, a mais velha, foi a que viveu mais tempo. Foi igualmente a única que casou e morreu curiosamente pouco depois de casar e apenas seis anos depois de Anne. Estava grávida.

    Não esqueçamos que estamos num tempo de educações muito rigorosas, que não permitem o afluir de sentimentos, sobretudo no caso de filhos de um reverendo. Acredito que a escrita servia de escape às três irmãs sensíveis e criativas. Branwell também seria uma pessoa sensível (se era poeta e pintor) e, sendo homem, a quem se permitia o consumo de bebidas alcoólicas, não é de admirar que procurasse alívio para recalcamentos no álcool e ajudasse com os opiáceos (e não "opicáceos", uma gralha naturalmente provocada por um teclar a mais).

    Enfim, isto é apenas uma opinião, mas penso que, analisando o comportamento dos quatro irmãos (originalmente, eram seis, mas dois não atingiram a idade adulta) se chega a conclusões deste tipo. A própria vida da família dava um bom romance, até há quem já tenha escrito sobre ela.

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    1. E até há quem tenha feito um filme:
      Les Soeurs Brontë, do André Téchiné, com as Isabelles (Adjani e Huppert) e a Marie-France Pisier.
      Já o vi há muitíssimo tempo, talvez o reveja um destes dias em dvd - é só procurá-lo...
      :-) Antonieta

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    2. Obrigada pela informação, Antonieta.

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