Curtos
Ultimamente, guardo os romances extensos para as férias, pois não gosto nada da sensação de nunca mais acabar o livro que tenho em mãos e, durante o período de trabalho, sobra-me efectivamente pouco tempo para ler apenas por prazer (só um niquinho da noite, pois costumo dar uma caminhada de cerca de uma hora depois do jantar quando o tempo está bom). Gosto, pois, de livros mais curtos para os poder despachar durante a semana aos bochechinhos (como, por exemplo, O Sentido do Fim, de Julian Barnes, ou O Segredo de Joe Gould, de Joseph Mitchell; deste último falarei aqui um dia destes) e, por acaso, descobri na Internet uma página que fala de alguns pequenos romances que não conseguimos parar de ler e nos roubarão apenas uma noite se decidirmos não dormir. Um deles é, curiosamente, A Vegetariana, de Han Kang, que publiquei o ano passado, mas consta da lista o clássico O Processo, de Franz Kafka, A Invenção de Morel, de Adolfo Bioy Casares (o amigo de Borges) ou Perto do Coração Selvagem, de Clarice Lispector – bem como as obras de duas autoras que quero muito ler em breve: a argentina Samanta Schweblin (só conhecia contos, mas o seu romance Distancia de rescate tem sido finalista de prémios importantes como o Man Booker International) e Anne Carson (que escreveu um romance em verso, Autobiography of Red). Romances à medida da minha disponibilidade.
A esses que não conseguimos parar de ler acrescentaria a Novela da Xadrez, do Stefen Zweig.
ResponderEliminarE eu já não tenho paciência para "calhamaços" - deixei de os comprar, e cada vez gosto mais de ler poesia, contos, ensaios, crónicas e biografias.
:-) Antonieta
... de Xadrez.
EliminarAntonieta
Desisti de noitadas a ler, mas, se me apetece, leio durante a noite. As noitadas empastelam-me os dias e não lhes dou tal prazer, que a luz do sol merece a minha atenção e mais tudo que ilumina; a velhice aporta novo prazer ao acto de nos levantarmos e haver dia-a-dia. Mas haja quem possa devorar um livro numa noite. Se penso ler uma obra não olho à dimensão e termino quando terminar. Decerto deixarei algumas incompletas quando morra, tenho sempre livros por acabar e reparo agora que, contrária ao que sempre me aconteceu, reparto a leitura por vários e me desinteressam os finais, facto que se repete nos filmes (deixei na beira do caminho a que se esfalfava para o fim). Li alguns dos que a Rosário enunciou. E não muito rapidamente :). Para viajar sim, procuro livros pequenos.
ResponderEliminarOlá, Anónima das 09:47,
EliminarE eu deixei na beira do caminho a que adorava ler livros enormes e
com letra miúda. Já não consigo fazê-lo, não consigo mesmo.
Também não me obrigo a ler um
livro até ao fim como antigamente, embora nunca deixe de espreitar o fim antes de o abandonar.
:-) Antonieta
Uma pequena novela mas um dos livros da minha vida: A Morte de Ivan Ilitch, de Tolstoi. Pode tornar-se longo porque apetece lê-lo muitas vezes.
ResponderEliminarUma editora que não lê livros por prazer profissional. Muito bem.
ResponderEliminarUm não sei que só sabe ser do contra.
EliminarVai uma carteirinha de ENO?
As melhoras!
sei não
Entendo perfeitamente as duas posições: cartapácios ou folhetos!
ResponderEliminarEu, leio ambos dependendo da obra, do momento e até da disposição, porém, confesso a minha preferência por grandes e volumosos calhamaços, romances extensos, com muita palha (da que eu gosto, descrições e reflexões, considerações, tudo a dar-me uma imagem e a introduzir-me a preparar-me!) com personagens, enfim, que me prenda e entretenha, que seja a minha casa pelo tempo que levo a lê-lo e me faça ter pena de não ser ainda maior, que faça dos personagens meus amigos e familiares, meus inimigos... acho que para mim traça dos livros, é isso um romance! Se não levar um dia, levo uma semana... mas paciência, só tenho pena que acabem!
Felizmente ainda vou encontrando quem os escreva, e de resto há tantos já escritos que não os conseguirei ler a todos, e, ainda bem! É bom ter livros por ler.
Saudações e muitas páginas, cá da Cidade Morena!
Falando de pequenos mas grandes livros, lembro-me de:
ResponderEliminar-Billy Budd - Herman Melville
-Bartleby, o Escrivão - Herman Melville
-O Eleito - Thomas Mann
-O velho que lia romances de amor - Luís Sepúlveda
-O rapaz da camisa às riscas - John Boyne
-A louca da casa - Rosa Montero
-Os livros que devoraram o meu pai - Afonso Cruz
-O Vice-Rei de Ajudá - Bruce Chatwin
-A morte de um apicultor - Lars Gustafsson
-A metamorfose - Franz Kafka
-Passagens - Teolinda Gersão
-Bibliotecas cheias de fantasmas - Jacques Bonnet
-A balada do café triste - Carson McCullers
-Reflexos num olho dourado - Carson McCullers
-A harpa de ervas - Truman Capote
-Boneca de luxo - Truman Capote
-O estranho caso de Benjamin Button - F. Scott Fitzgerald
Boa selecção, Severino, embora haja aí alguns que não li.
EliminarEu agora não leio livros grandes simplesmente porque estou com problemas de visão - que não estou a conseguir resolver - e sou forçada a optar por livros mais pequenos.
Só espero poder continuar a ler durante mais uns anitos...
:-) Antonieta
Uma sugestão, baseada na minha experiência -- a minha visão é uma porcaria com M, queratocone, glaucoma e C& -- experimente um leitor de ebooks. Há anos que uso o Kindle, mas deve haver melhor. Ajusta-se o tamanho da letra, pode ler-se sob Sol intendo, leva dentro toda uma biblioteca... Quando, tempos atrás, fiz esta sugestão, o amigo Severino falou-me em bonecas insufláveis. É, portanto, a medo que a retomo.
EliminarJCC
Obrigada pela sugestão, José Catarino. Já pensei nisso várias vezes, mas a verdade é que nunca vi nenhum e raramente vou a Lisboa - faz-me falta uma Fnac aqui perto (as mais próximas, Coimbra e Viseu, estão a cerca de 300kms ida e volta).
EliminarEmbora eu prefira o livro em papel, essa solução seria óptima também para a saúde das minhas estantes que estão prestes a colapsar.
Obrigada, mais uma vez.
:-) Antonieta
Ora vamos lá a ver:
ResponderEliminarPodíamos enunciar listas intermináveis de (bons) livros em todos os tamanhos... grossos, médios, finos, entre as 1.200 e as 50 páginas!
Dos melhores livros que já li, lembro "O Toneco" do Dr. Ângelo Sequeira, um opúsculo que terá umas 30 páginas. Esta obra de um médico de Medrões e meu excelentíssimo amigo, está ao nível de Miguel Torga que o poderia ter escrito.
"O velho e o mar", fabuloso, são 80 páginas...
Mais recente e também um livro extraordinário é "O filho", de Philipp Meyer são 640 páginas que nos agarram!
E por aí fora... chegaremos ao "Guerra e Paz" ... aos Lusíadas, etc.
Portanto, não vale a pena diria eu... não mesmo!
Há livros de todos os tamanhos para todos os gostos e ocasiões, ou não será?
Saudações paginadas cá da Cidade Morena, terra do Pepetela que escreve belíssimos livros na casa das 100 páginas ... médio-finos, portanto!
Eu acho que o meu mal é mesmo esse. No outro dia estava a ver o que o pessoal tem lido no Goodreads e comecei a ver a lista do que já leram este ano e fiquei a olhar para a minha lista minamilista e pensei que afinal não leio tão rápido quanto isso. Mas depois comecei a fazer contas ao tempo que tenho por dia para ler ( à noitinha também) e aos calhamaços que leio, é óbvio que não posso despachar muito os livros.
ResponderEliminar"descobri na Internet uma página que fala de alguns pequenos romances que não conseguimos parar de ler e nos roubarão apenas uma noite se decidirmos não dormir."
ResponderEliminare qual é a página? :) Obrigada
Penso que era Librópatas, mas agora já não tenho bem a certeza.
EliminarEra aqui:
Eliminarhttp://lithub.com/20-short-novels-to-stay-up-all-night-reading/
Muito obrigada :)
Eliminarpode ser uma certa saturação ou apenas o decurso do tempo, mas é verdade: nos últimos anos os textos mais extensos passaram a exigir um esforço acrescido. talvez por essa razão, nunca como agora os livros de contos (que podemos abandonar e mais tarde a eles sempre regressar) me pareceram tão atractivos.
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