A importância de se chamar...

Acaba de sair para o mercado um livro intitulado Os Apelidos Portugueses, de Carlos Bobone, que é decerto bastante oportuno, tendo em conta que os Portugueses são muito ciosos de alguns dos seus apelidos, mesmo num mundo cada vez mais informal. Mas não espere uma lista de nomes e a explicação da origem de cada um, pois não é nada disso. Mais interessante, a obra conta como os apelidos surgiram ao longo do tempo – muitas vezes baseados no nome do progenitor (Rodrigues, filho de Rodrigo), mas também inspirados nos nomes de terras ou lugares donde as pessoas eram oriundas (da Maia, como o protagonista do Eça), em alcunhas, maneiras por que as pessoas eram conhecidas (conheço uns Bastos que moravam numa calçada e acabaram sendo os Calçada Bastos), títulos, etc. De três apelidos simples em 1932 (um da mãe e dois do pai), em 1958 passámos a poder usar quatro apelidos simples e, em 1997, quatro apelidos simples ou compostos (nomes como Castelo-Branco ou Espírito Santo) a que podem ainda somar-se os dos cônjuges (até quatro, parece-me!). E a ordem é hoje muitas vezes arbitrária, porque as famílias querem manter certos apelidos finos e, por vezes, se só há raparigas, está tudo tramado. Do mesmo modo, há irmãos que vão buscar apelidos diferentes aos pais – e até filhos que têm apelidos de avós que os pais não têm. Enfim, a obra, que conta muita da nossa mania das fidalguias sobretudo com os «de» e os «e» para tornar os apelidos mais sonantes, conta a história de um senhor que se apresentou na casa de outro como D. Luiz Fernandes de Rello de Vasconcelos e Menezes. Ouvindo esse nome comprido ao mordomo, o anfitrião comentou que eram precisas então várias cadeiras... Vale a pena espreitar, pois aprende-se sempre qualquer coisa.

Comentários

  1. Os DE são um absurdo e exactamemte o oposto do que pretendem ser hoje em dia.
    De significa apenas que houve familiares que eram empregados ou que estiveram sob o jugo de alguém.
    De Rodrigues, quer dizer que os "senhores" a quem em tempo pertenceram se chamavam Rodrigues. Ou seja, eram propriedade dos Rodrigues.
    Ingnorância e vaidade...

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    1. António Luiz Pacheco4 de julho de 2017 às 04:55

      Interessante explicação essa, sobre o "de", como então há o "do" ou "da" como pertença a um lugar, estou a pensar bem?
      E o "e" ? Já agora, o que significa? Provávelmente indica a união de duas famílias, por exemplo Sousa e Silva... será?

      Na minha família materna há o d' Abreu, com muitas gerações assim chamadas, aliás e até minha mãe o apelido era Gomes d'Abreu, mas nós os filhos já só ficámos d'Abreu. O sargento-mór da praça de Santarém que fechou a porta à Leonor Telles e ao Andeiro, era João Gomes d'Abreu, portanto nem se pode dizer que seja modernice! Mas já agora que me despertou a curiosidade e se não me levar a mal, dado que parece ser entendida neste assunto, o "d' " será o mesmo que "de" (indicando pertença)? É que tenho ouvido dizer que Abreu é corruptela de hebreu, e portanto os Abreu seriam descendentes de judeus, o que é bem possível pois é uma família de advogados, comerciantes e padres... os Gomes teriam pertencido aos hebreus (Abreu), será????

      Cumprimentos cá da Cidade Morena.

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    2. Ó Pacheco do Abreu só conheço aquela muita antiga: ó Abreu abre o c que lá vou eu...

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    3. António Luiz Pacheco4 de julho de 2017 às 10:55

      Ai Severino, Severino... essa deve ser tão velha quanto o nome, ahahah!
      Eu respondia-te, ai respondia, respondia...

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    4. Não leves a mal, esta imbecilidade saíu um pouco â Salvador

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  2. Adoro os nomes portugueses, ou à portuguesa. É toda uma cultura. Isso e a multiplicidade de formas de tratamento. Uma pessoa perde-se...

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    1. António Luiz Pacheco4 de julho de 2017 às 05:00

      E tem muita razão na minha opinião de traça!
      (Sim traça, ó Severino, não sou carraça nenhuma!!!! Enfim, minha mulher, filho e sobrinhada acham que sou chato!)

      Um povo sem história, não é um povo... por muito que queiram mudá-la ou apagá-la certos sectores. Boa ou má, é o nosso passado, aquilo que foram os antes de nós e de onde vimos, é responsável pelo que somos, como somos e porque somos!
      A mim fascina-me a história!

      Saudações históricas cá da Cidade Morena!

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    2. Ó Pacheko eu sei que não és carraça, pelo contrário, acredita que gosto imenso de te ler. Eu gosto é de "entrar" contigo, e sei que não me levas a mal-é tudo pá brincadeira (adoro brincar, adoro a boa disposição - de monos estamos nós fartos-)

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  3. Fernandes filho de Fernando; Ramires filho de Ramiro; Rodrigues (como bem dizes, Rosário) filho de Rodrigo; Martins, filho de Martim e por aí fora.
    Na Suécia e em todos os países nórdicos é quase obrigatório manter-se os nomes de família: Gustafsson filho de Gustaf; Larsson filho de Lars; Johanssen filho de Johans; Andresen filho de Anders e por aí fora, são aos montes!
    E depois há a grafia com as consoantes dobradas, dois l's, dois t's que conferem, em Portugal, um ar finório.

    Este teu poste é muito interessante. São todos, aliás.
    Aprecio muito a onomástica e é assunto de estudo importantíssimo para nomear um povo. Também já estudei alguma coisa sobre este assunto. E temos entre nós, um historiador extraordinário e especialista em toponímia arcaica que é Moisés Espírito Santo.

    Acho graça é, muito frequentemente, as pessoas inventarem hífens onde nunca existiram para formar nomes mais "finos" ou mais importantes, pensam eles...

    Cristina Carvalho

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    1. Já agora, acrescento que o nome Rodrigues, tão comum nas línguas portuguesa e castelhana (com a variante "z"), por consequência, espalhado também pelas Américas, é de origem germânica, pois Rodrigo tem origem no nome visigótico Roderich. A terminação "es" ou "ez" tem origem no genitivo latino "ae", "i" ou "is", por isso, o original de Rodrigues é Roderichis. É interessante constatar que na Alemanha ainda se usa este genitivo em nomes de igrejas dedicadas a santos. Por exemplo, igreja de São Pedro denomina-se Petri Kirche, de São Cosme Kosmae Kirche, etc.

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  4. No Brasil apelido é alcunha.
    E não quero com isto dizer que esta história se tenha passado no Brasil.
    Contava-se que o meu tetravô foi assassinado e como consequência o filho dele ( o trisavô) resolveu mudar de nome e de ares.
    Mudou o nome para Oliveira, porque era a alcunha que tinha e que provinha de um dom devidamente desenvolvido e aprofundado de dormir à sombra das oliveiras.
    Entregou o nome antigo, à irmã que foi casar longe.
    E fez-se ao mundo.
    Dele herdei uma enorme dor nos pés que dura até hoje.
    Mas a história não fica por aqui.
    Quando nasci, os meus progenitores que davam muito valor à cultura, literatura e sobretudo à estrangeira ( sabe-se lá por quê), resolveram dotar-me, com muito carinho do nome próprio de um eminente escritor russo. Enfim, foi o desastre.
    É claro que assim que pude tirei o Oliveira da situação. Mas não me permitiram uma total mudança de identidade.
    Por estas e por outras antes anónimo do que acrónimo, coisa que me irão desculpar e compreender certamente.

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  5. O autor é o crítico do Observador?

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