A biblioteca do futuro
Plantar árvores? Sim, decididamente! E desta vez são abetos, um milhar de lindos abetos, que crescerão (já estão a crescer, aliás) nos arredores de Oslo. Para quê? Ora leiam, que a história é bem bonita. Desde 2014, escritores de vários países enriquecem todos os anos aquilo que será a biblioteca do futuro, oferecendo um manuscrito de sua autoria para ser impresso apenas em 2114, quando os abetos agora plantados forem centenários; então, serão cortados e transformados em papel, dando origem a antologias que reunirão textos de todos os autores envolvidos no projecto (depois da escritora canadiana Margaret Atwood, que foi a primeira convidada, a biblioteca do futuro já recebeu um texto do britânico David Mitchell e, em 2017, foi o poeta islandês Sjon, autor de algumas letras para canções de Björk, a oferecer o seu manuscrito). A graça – dizem os autores – está em escrever para um público que ainda não nasceu e será obviamente muito diferente dos leitores actuais das suas obras. Espera-se por isso que cada autor contribua com algo próprio da sua época que ilustre essa nova geração sobre o passado. Esta longa espera por um livro – cem anos – faz parte de um projecto de celebração da slow life na Noruega, de que fazem já parte uma espécie de Arca de Noé vegetal, que é uma reserva de sementes destinada a preservar a diversidade, e uma slow TV. Ideias bonitas.
Ideias bonitas por dentro, mais do que por fora, eis o que é preciso... E esta é bonita... por dentro. Porque não pertence ao agora, mas aos meandros incertos do Tempo...
ResponderEliminarUma ideia bonita e "maluca".
ResponderEliminar(provavelmente a Terra já não terá habitantes... mas pode ser aproveitada por algum "marciano")
É bonita, sim. Mas julgo que o que resta do passado é o que tem de restar. Não porque o guardemos com tal fito. Apenas porque quis o acaso ou um deus benévolo que ficasse. Não partilho o afã em guardar coisas para os vindouros. Elas hão-de naturalmente ficar. Ou não. Se nos presente não guardarmos e respeitarmos o planeta e a sua natureza...de que vale tudo o resto?!
ResponderEliminarPor intuição associo este projecto a “A Biblioteca de Babel”.
ResponderEliminarQuer dizer: mil árvores que estão a crescer, tranquilamente, deliciadas por saberem que vão ser transformadas em livros...; livros que já estão escritos, e muitos outros que ainda o vão ser, sabendo todos eles que só daqui por cem anos poderão ser folheados...
É ou não é isto tão fascinante quanto o livro de J. Luís Borges?
É que ele próprio dizia: “Um livro não é um ser isolado; é um relacionamento, um eixo de inúmeros relacionamentos.”
E – nem de propósito – dizia mais: “Só se devem ler livros escritos há mais de cem anos”.
Pois bem: os noruegueses estão a levar isto à letra.
Literalmente, se me é permitido o merecido pleonasmo.
Eu diria que o futuro começa hoje, agora... e por isso sou adepto de preservar o passado e mais o presente, para que haja futuro. Afinal sem presente não haverá futuro, ou não é?
ResponderEliminarEu mesmo, sou passado, sou presente e serei futuro, enquanto viver.
A idéia de plantar árvores que serão um dia papel e por conseguinte livros, é uma boa idéia como forma de preparar o futuro da literatura que alguns anunciam ter em papel os dias contados, mas outros acreditam que não pelos vistos!
É que os países nórdicos são uma civilização da madeira! Convém não esquecer, enquanto nós nos tornámos a do plástico...
Saudações lenhosas cá da Cidade Morena.
Tão a ver?
EliminarEnquanto escrevia o post anterior era futuro... agora ele já é passado!
Saudações cá do futuro, na Cidade Morena... mas quando lerem isto já vai ser passado... bolas...
ResponderEliminarQue venham mais mil.
Eu sabia que tinha lido, tinha mesmo a certeza, por isso dispus-me a desalojar, desincrustar os livros das suas grutas de pó, onde nem o espanador da Antónia penetra.
Os ácaros que me perdoem.
E encontrei, é um belíssimo conto do Jean Giono e chama-se " O homem que plantava árvores".
Foi escrito em 1953, o conto é longo para transcrever e difícil escolher, porque como as árvores, é no seu todo que está o sentido.
Qual será a função que substitui o dactilógrafo?
Seja qual for, não tenho nenhuma habilidade para ela, mas cá vai.
Optei por este pequeno excerto;
"Assim plantou cem bolotas com extremo cuidado.
Depois da refeição do meio-dia, recomeçou a escolher bolota(...)
Há três anos que plantava árvores naquelas solidões. Plantara já cem mil. De cem mil, vinte mil tinham pegado. Dessas vinte mil, ainda contava perder metade, devido aos roedores e a tudo que há de imprevisível nos desígnios da Providência.
Sobravam dez mil carvalhos que iam crescer ali onde antes não havia nada."
Vi ontem à noite no Odisseia, um interessantíssimo programa sobre a evolução da humanidade, e fazia parte do documentário uma espécie de história da floresta europeia, que, foi destruída para produzir carvão, imagine-se... não papel, mas carvão para alimentar as indústrias do aço e similares - falo da floresta do Centro da Europa!
EliminarCaríssimo Puck,
EliminarEsse livro do Jean Giono é uma pérola. Faz parte da minha lista dos pequenos grandes livros.
:-) Antonieta
Já aconteceu na China de Mao, também para o aço e está a acontecer no Brasil com a soja e até num cenário que nos é mais familiar, para resorts de luxo.
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