Outra maneira de comprar livros

A grande Amazon já não é apenas uma livraria online – e há pouco tempo abriu a sua primeira loja física em Nova Iorque, planeando abrir mais uma dúzia até final do ano. Ou seja, em lugar de ir ao site da livraria, um cliente da Amazon pode entrar agora nessa loja e comprar livros usando os muitos computadores-tablets da própria loja. Há, porém, quem ache que este sistema tira todo o prazer a um comprador de livros habituado às livrarias: ver livros ao vivo, folheá-los, encaixá-los no lugar da estante donde os tirou para cheirar, espreitar capas, trocar opiniões com os funcionários ou as pessoas que vêm com ele. É que, na loja da Amazon, os livros, aparentemente, não estarão lá para isso; só haverá, na verdade, exemplares dos maiores êxitos de vendas. Existirão ecrãs por todo o lado para os mostrar, serão ouvidos slogans e frases sobre esses best sellers, e a ideia-base é que as pessoas estarão obviamente! interessadas em comprar os livros que a Amazon mais vende online e irão lá só para saber quais são. Ainda por cima, o preço dos livros na loja é mais caro do que no site se não se for já um «Prime member» da Amazon, o que leva a crer que estas livrarias físicas sirvam também para fidelizar pessoas a essa espécie de clube. Sob os títulos expostos (poucos, parece-me), mostra-se a percentagem de leitores que lhes atribuiu a pontuação máxima, mas o autor parece a coisa menos importante de todas. Segundo leio, é tudo bastante desumanizado – ninguém na loja que possa, por exemplo, tirar uma dúvida ou aconselhar um título. Dizem que isto arruma todo o prazer que se tem de comprar livros.


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Comentários

  1. Eu que ontem estive na Feira rendida ao encanto de ouvir as explicações e ajudas que as duas meninas de uma certa editora dão aos clientes, recuso tal tipo de loja. O meu modelo é o delas, como se os compradores sejam velhos conhecidos que passam na Feira para uma visitinha; elas de uma simpatia que fosforece no meio de gente que está ali e é só profissional, surgem-nos sem pose, quase amigas e conselheiras, a sugerir com entusiasmo que não encontro noutras editoras. E merecem um aplauso, uma ovação. Porque, o que mais cativa é que se entusiasmam porque leram os livros que vendem. O que faz toda a diferença. Parecem doceiras naturalmente publicitárias a vender bolos que fizeram em casa: explicam ingredientes, apontam, comentam. E todos os anos me conquista a sua conversa simples, cheia de sugestões.

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  2. Parece-me uma loja sem a mínima graça, aliás parece tudo menos uma livraria.
    E para folhear best-sellers qualquer grande superfície serve.
    O que eu gosto de encontrar numa livraria são aqueles livros com mais de 18 meses...
    BFS para todos!
    Para os sortudos de Lisboa: Boas Férias!
    :-) Antonieta

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    1. Livrarias com livros de mais de 18 meses? Onde? Quando?

      (também quero, Antonieta!!!)

      :))

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  3. António Luiz Pacheco9 de junho de 2017 às 02:58

    1) Para mim, traça dos livros, amante dos livros, com as idiossincrasias próprias da idade e formação, uma livraria assim não se enquadra, se bem que não desdenhe a hipótese de a ela recorrer... não sou fundamentalista ao ponto de negar algumas vantagens do sistema que se traduza em livros mais baratos...
    Preciso de lhes tocar, palpar, cheirar... é como comprar roupa, ou comida!

    2) No Mundo moderno, actual, esta é a tendência, nos livros, nas comidas e nas roupas... a La Redoute e outras empresas de vendas por catálogo ou modernamente on-line, sempre existiram desde o século XIX e são campeões de vendas, no Mundo inteiro! Convém não ignorar esse facto.
    (Desculpem as reticências e ponto de exclamação, mas creio que estão a ser bem colocados?)

    Temos de viver o nosso tempo e no nosso tempo, que remédio. Ou, seremos anacrónicos e saudosistas deprimidos, o que não significa que gostemos ou deixemos de tentar utilizar as livrarias tradicionais, que terão sempre o seu lugar!

    Na Distribuição existem duas vertentes:
    Modernidade/comodidade
    Tradição/sofisticação
    Esta livraria enquadra-se na primeira, mas haverá mercado para a segunda e chamo atenção para o detalhe "sofisticação" que é a forma de elevar, de acrescentar valor ao tradicional.

    Saudações tradicionais cá da Cidade Morena.

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    1. Exclame à vontade Pacheco!
      O que faz mal, segundo dizem é engolir a exclamação ( pode provocar úlceras ).
      Se há mais e mais a dizer e a pontuação não inclui o sinal de infinito, pois que se use as reticências, sem medo.
      Todas linhas são feitas de pontos e todas podem ser infinitas...

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  4. ...é tudo bastante desumanizado...

    Será que, infelizmente, o mundo não caminha para aí? basta vê-los na rua, nos autocarros, no Metro, só têm olhos para o telemóvel, completamente cegos -eles não vêem, não sentem, não ouvem, não cheiram...

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    1. ... vivem isolados em contacto com o mundo inteiro.

      Talvez a livraria quase ideal seja uma tipo tradicional, para pudermos manipular, experimentar, etc, mas porque a desarrumação da loja é inevitável ou a sua arrumação nem sempre nos serve, um terminal de computador, num canto recatado onde se possa pesquisar por algo específico, por exemplo autor, e a máquina devolver se há e onde está (isto para aqueles que preferem a uma consulta ao funcionário, aqueles que vivem sozinhos em contacto com tudo...).
      MH

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    2. António Luiz Pacheco9 de junho de 2017 às 03:51

      Aí está uma excelente sugestão para adicionar valor (sofisticação) ao tradicional!

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  5. Emílio Gouveia Miranda9 de junho de 2017 às 03:05

    Noventa por cento dos livros que compro compro via Internet. O fascínio de tocar e de cheirar é trocado pelo sentido de oportunidade e pela expectativa...

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  6. Eu sou mesmo de outra geração... Aliás, eu sou do tempo longínquo em que apanhava o avião e ia a Londres só para ir à Waterstones de Gower Street quando ainda se chamava Dillons. Outra galáxia no tempo...

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  7. A grande maioria dos livros que compro são de facto através da internet, mas por um único motivo, a ilha onde moro as escassas livrarias têm muito pouca diversidade e limitada quase aos maiores êxitos editoriais típicos de supermercado, pelo que à falta da possibilidade de procura mais diversificada vou aos sites, mas se vivesse onde houvesse grandes livrarias e produtos diversificados seguramente seria as visitas a estas a minha opção preferencial no modo de comprar livros, por isso soa-me que estranho este método em Nova Iorque onde Barnes & Nobles entre outras são autênticos maravilhas para se estar a escolher livros.

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  8. E logo a Amazon, tão cumpridora nos que aos impostos e direitos dos trabalhadores diz respeito.
    Compro livros online quando há promoções que valham a pena, mas compro muito em livrarias. Depois andamos a queixar-nos de certas lojas, cinemas e livrarias desaparecerem, os culpados somos nós.

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    1. Ninguém tocou no ponto.
      Ninguém sabe das notícias fora de Portugal?

      E a presunção e água benta do Manuel Alegre? Que vergonha. Nunca o achei poeta e depois do que disse..

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    2. Mas há sempre uma candeia
      dentro da própria desgraça
      há sempre alguém que semeia
      canções no vento que passa

      Mesmo na noite mais triste
      em tempo de servidão
      há sempre alguém que resiste
      há sempre alguém que diz não.

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  9. claro que uma livraria que se preze tem de ter (todos) os livros expostos. não faz para mim qualquer sentido um livro que não possa ser tocado, aberto e cheirado, que aliás é a primeira coisa que faço quando lhes pego.

    infelizmente, a segunda coisa que me vi habituado a fazer foi ter de procurar na ficha técnica se por lá está escrito que a obra "segue as regras do novo acordo ortográfico".

    é aí que entra em cena a amazon, sobretudo a versão on-line, onde me habituei a encomendar alguns exemplares que foram editados em "acordês", língua que infelizmente não domino. desde que se trate de autores que escrevem em castelhano, francês ou inglês, leio as obras na sua língua original.

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  10. Contava a minha bisavó que tinha visto um dromedário a voar.
    E era verdade, porque ela não era dada ao realismo mágico e presenciou um tufão ou algum fenómeno meteorológico parecido, que deu ares ao ruminante e elevou-o, senão para a estratosfera, pelo menos acima dos cabelos despenteados dos incautos espectadores e fez história por muitas gerações.
    Ora pois como ia dizendo, esta nova livraria embora não infira no mesmo tipo de fenómeno, não deixa de ser peculiar.
    Descarrega-se a APP e já estamos a engordar os big data, mesmo antes de ler qualquer coisita.
    Prateleiras cheias de capas????
    Livros entregues por drones.
    E nós cada vez mais cyborguinianos.
    Uma ração pré-definida de best-sellers, com classificação por estrelas.
    Até parece um pacote de cereais, daqueles que engordam.
    Ou lês aquilo que eles querem, ou vais esperar para casa.
    Amáveis livreiros, só em livro, pois também já se extinguiram, ou estão em vias de.
    Bonito, Bonito é o gordito!
    Vou passar o fim de semana a fazer cálculos como no "Garrafão de Prata" do Truman Capote.
    Tenho é que estudar a variável e saber se é tudo donuts ou também é muffins, no cinturão de Saturno.

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  11. É preciso visitá-la. Sai-se fã. A única coisa errada é ter o nome do papão. De resto, cinco mil títulos, novidades e fundos, todos com capa à vista, comentados e justificados em placas personalizadas. Pessoal abundante para ajudar a escolher, se ainda for caso disso. Ambiente agradável e humanizado. Preços sem qualquer desconto sobre o preço de editor!!!!, exceto para os clientes Prime. Por muito que me custe escrever isto, é a verdade.

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  12. Compro alguns livros online, mas gosto mais de ir a uma livraria e passar horas a ver que livros vou comprar.

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  13. Eu gosto sempre comprar livros numa livraria tradicional, mas também compro na Amazon, especialmente livros em Inglês.

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