O que... vou ler

Bem sei que hoje era dia de escrever sobre o que ando a ler (na verdade, releio o romance de Han Kang que há de sair daqui no Verão porque a autora virá em princípio a Portugal em Setembro – mas temos tempo, falarei dele quando estiver nas livrarias). No entanto, há um assunto que se impõe: a Feira do Livro de Lisboa, claro, que abre hoje! É nela que comprarei certamente o que andarei a ler a partir de meados do mês, por isso, acho que estou perdoada por quebrar a rotina. A Feira é, para mim, um dos pontos altos do ano, em que consigo encontrar escritores que não vejo habitualmente e sentar-me com os meus, aqueles que publico, para umas horinhas de conversa entre autógrafos. E, mesmo que ela pareça mudar pouco ao longo dos anos, a verdade é que a Feira tem sempre novidades. Este ano, faz-se simpática e acolhedora para cães e bebés, por exemplo, pois passa a ter um fraldário à disposição, bem como um lugar denominado Refrescão para os animais de quatro patas, que ainda não leem, mas podem parar ali para  beber água enquanto acompanham os donos ao longo de um passeio pelos pavilhões - que serão mais de 280 desta vez, o que quer dizer que haverá mesmo muito por onde escolher na hora de comprar, sobretudo a preço baixo, porque essa invenção da Hora H se vai, felizmente manter. Nos tempos mais próximos, andarei por lá, especialmente ao fim-de-semana, entre outras coisas, a comprar livros. Aproveite também para o fazer até dia 18, que o tempo foge e os livros estão à espera.

Comentários

  1. Já acabei de ler a Granta 9 e, embora o tema não me entusiasmasse muito, foi uma das que li de rajada - geralmente não leio tudo de seguida, vou lendo.
    Os textos são todos muito bons (Parabéns, Carlos Vaz Marques!).
    Terminei em beleza com o conto do David Mitchell, autor que desconhecia.
    Agora estou a ler Momentos de Vida, da Virgínia Woolf e tenho ali o Outono, da Ali Smith, a olhar para mim, à espera...
    Boa Feira para quem puder lá ir!
    :-) Antonieta

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  2. Oh diabo, se vai haver aumento de cães no local vai haver aumento de razões para me afastar dele.

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    1. António Luiz Pacheco1 de junho de 2017 às 03:05

      Não creio que haja mais "cães" ... na Feira não lhe fazem fiado, aquilo ou dinheiro ou cartão! Eheheh!
      Na minha terra, "ter um cão", significa ter uma dívida e mais exactamente um calote! Costuma dizer-se que se tem ali um cão a ladrar... eheheh! Não me parece que na Feira do Livro haja calotes, se bem que os caloteiros possam andar por lá, com ou sem cães a ladrar!

      Abraço cá de Benguela!

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  3. Acabei de ler na semana passada o "Sense of an Ending" do Julian Barnes e logo a seguir estreou o filme sobre o romance. O livro reúne deliciosas reflexões na primeira pessoa sobre o envelhecimento, as suas fragilidades, e as memórias antigas que nos visitam e nos enganam porque estão deformadas pelo tempo que passou. O filme é fraquinho, demora muito a chegar ao acontecimento que dá tensão dramática ao enredo e, obviamente, as reflexões não estão lá. Perdi o meu tempo ao ir ao cinema. Agora regressei a um amor antigo: Milan Kundera. Leio um dos seus primeiros romances "A Valsa do Adeus" e estou encantado. Já encomendei o último do David Machado ("Debaixo da Pele") na minha cooperativa livreira (Unicepe, Porto) e não resisti a encomendar também um livro de contos dele ("Histórias Possíveis"). Isto de encomendar livros numa cooperativa é coisa de velhos, por isso não admira que tenha gostado do livro do Barnes.

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    1. António Luiz Pacheco1 de junho de 2017 às 05:04

      É boa... dei conta de que estou também a envelhecer! E sim, é inteiramente verdade que a idade nos faz ter uma outra percepção do passado... o que é deveras interessante, sobretudo enquanto tema literário!
      Fiquei por isso muito interessado no livro de Julian Barnes que refere, a minha preguiça para ler em inglês é que é imensa... aliás creio que nunca li nada deste autor. Vou procurar se há uma edição traduzida!

      Um grande abraço africano!

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    2. Caro Amigo Pacheco, obrigado pelo comentário e, já agora acrescento que talvez o mais literário e para mim o mais interessante dos livros do Barnes seja "O Papagagio de Flaubert". "O Sentido do Fim" foi publicado pela Quetzal. Eu é que gosto de ler alguns romances em inglês para tirar a ferrugem da língua que foi a minha durante os anos de emigração no outro lado do Atlântico.

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    3. Eu, que tanto tinha gostado de "O papagaio de Flaubert", "Arthur & George", "O Sentido do fim"e a "A mesa Limão", qualquer um deles vale a pena ler, fiquei um pouco desiludido com o último que li ("Nada a temer") e que me afastou um pouco do autor.

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    4. António Luiz Pacheco1 de junho de 2017 às 06:40

      Ahhhhh! O Papagaio... pois é, esse eu li! E gostei, por sinal... diria que se calhar nem será muito diferente deste agora, já que também entra por muitas considerações filosóficas e pelo passado do personagem principal?

      Abraço!

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    5. Exato ! Há escritores que escrevem sempre o mesmo livro mas, quando são grandes estilistas, as variações são sempre interessantes. Abraço

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  4. Ando a Ler_55

    No mês passado referi-me aqui ao livro de José Mário Silva “Prosa\Poesia” (2011), dizendo que são «pequenos textos que nos induzem na aventura de criar o que poderia ser o antes e/ou o depois do que ali está escrito. São como que pequenos excertos de livros que, na Biblioteca de Babel, aguardam que alguém os escreva. Pequenos milagres.»

    Já depois de publicado esse comentário, começou a clarificar-se na minha cabeça uma coisa que me andava ali a bichanar. É que eu tinha ficado com uma impressão semelhante quando, em tempos, li um outro livrito do género, textos curtos, e tal... mas que livro?... de que autor?...
    Ai espera, é um livro do Fernando Cabral Martins... aquele... ai como é o título?... e ia vasculhando as prateleiras, onde diabo é que foi parar?, e tal...
    E, de repente, cá está ele! -- “Os Fantasmas de Lisboa” (2012, & etc)

    Pois lá o reli, agora com redobrado prazer -- e posso dizer dele o mesmo que disse de “Prosa\Poesia”.

    Pronto, está dito.

    Mas, antes de terminar, deixem-me contar aqui a história que me ocorreu a propósito da leitura destes dois livros.
    Na inauguração da imponente Exposição do Mundo Português em 1940, ninguém foi capaz de esclarecer à Ex.mª Esposa do Presidente Carmona a dúvida que ela, coitada, singelamente manifestou à saída do pavilhão da Indústria: «-Gostei muito da exposição, mostra o que é o nosso Império, Portugal tem um grande lugar no Mundo, etc, etc... E fiquei também muito encantada com o progresso da Indústria aqui no País... Mas há uma coisa que me faz espécie: -- como é que eles conseguem meter a bolinha no gargalo da garrafa do pirolito?»

    Pois o que me faz espécie é: -- como é que o José Mário e o Cabral Martins conseguem meter tanto potencial nuns textozinhos tão pequenos?

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  5. Curioso! Ontem também andei com o sentido no Sentido do Fim, para refolhear e relembrar antes de ir ver o filme - bons atores ingleses merecem sempre o benefício da dúvida - mas nao o encontrei na estante. Em contrapartida saltou-me à vista, desarrumado, Este Ofício de Poeta, de Borges, e foi o que afinal transitou para relatar aqui n'O Que Ando A Ler do mês.

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  6. "Envelhecer: deixar de existir e passar a fazer ginástica" - "Diário da Abuxarda 2007-2014" - Marcello Duarte Mathias.

    Que bem escreve este diplomata de carreira: simples, resumido (de poucas palavras) directo e pouco a ver com os politicamente correctos...

    Gosto deste tipo de diários, por isso, já tenho na lista, para além dos de Torga, o do Al Berto e as memórias de José Hermano Saraiva.

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  7. Obrigada pela referência ao bom acolhimento dos cães na Feira do Livro de Lisboa. Tenho sempre esperança de que a Câmara Municipal do Porto mude de ideias, quanto à proibição de entrada de cães no recinto da sua Feira. Já por duas vezes falei nisso no facebook. Acho que, numa feira ao ar livre, era mais agradável se pudéssemos levar os nossos amigos de quatro patas connosco, principalmente, no meio citadino, onde qualquer oportunidade de passeio com eles é bem-vinda.

    Infelizmente, não vou poder estar. O meu editor propôs-me uma sessão de autógrafos, mas estive em Portugal em Abril e, agora, só em Setembro. Pode ser que calhe no Porto. E era bom que pudesse ter a minha Lucy comigo, tenho a certeza de que me ajudaria a vender uns livritos. Ela é um verdadeiro chamariz, para miúdos e graúdos.


    Quanto a leituras, estou numa de poesia, coisa rara em mim. Mas os amigos poetas ajudam-me a colmatar essa lacuna. Depois de Isabel Mateus, leio José Luís Outono e seguir-se-á Virgínia do Carmo.

    Boa Feira!

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    1. Lucy in the Park with books,
      Lucy in the Park with books...
      Nova versão da música que inspirou o nome da Lucy ;-)
      Pena não poderem vir ver os jacarandás.
      :-) Antonieta

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    2. 360% de acordo.
      Até porque os cães não são nenhuns Godzillas !

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    3. Nunca vi, Antonieta. A única vez que estive na Feira do Livro de Lisboa foi em 2009, um dos anos em que se realizou muito cedo, em Abril. Os jacarandás ainda não floresciam. Mas algo me diz que ainda os verei várias vezes. Sou uma pessoa de fé, de esperança ilimitada.
      Beijinhos

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  8. Voltei a ler a Ficções.
    Tinha-me prometido. Comecei pelo número dois, já que não tenho o Um.
    Sistemático e metódico, pelo princípio, nesta necessidade que tenho de arrumar tudo.
    Dizem que até o universo tem leis, mas não acredito.
    Na simples medida de que nele cabe tudo, mesmo o que está desarrumado.
    Talvez, só se tenham inventado as leis (neste plano) para poder arranjar espaço.
    Da Física, da espiral do búzio às matemáticas aplicadas, as biologias exógenas, as constelações distantes...
    O corpo como um sistema e a mente como um mapa de viagens, inacabado.
    Misturo com outros livros. Autores que já nem existem e alguns acabados de chegar. Coexistem.
    A voz sussurrada das palavras, a secreta telepatia das palavras surpreende-me tanto!
    Dantes, até há uns segundos ( pela fita-métrica temporal) nem sabia que existiam editores.
    A senhora que reuniu tais contos conciliou, por breves instantes, a introspecção dos cabalistas e as mãos nodosas dos semeadores, numa improvável botânica. Feita dos mais variados enxertos.
    O resultado só podia ser uma árvore, única, como afinal o são todas as árvores.
    Acabei de reler a dois, estou a ler " Homens Bons" do Pérez-Reverte e a "Guerra de Samuel" do Varela Gomes.
    E porque alguém falou de velhice, li há uns anos um manual chamado " As últimas luas" de Furio Bordon. Prometi a mim próprio ser um velho levado dos diabos, recusar-me a ficar transparente. Dar bengaladas nas canalizações habitadas por fantasmas e inventar revoluções...

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    1. Também estive a ler A Guerra de Samuel: muito bom, como tudo o que o Paulo Varela Gomes nos deixou. Neste caso, gostei mais da segunda metade do livro - os contos não ortodoxos.
      Velhice? O que é isso?
      Força, bengaladas nela!
      :-) Antonieta

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    2. Que injustiça o Paulo Varela Gomes ter-se ido embora tão cedo. Que grande romancista nasceu com a sua reforma de professor universitário. Ainda não li o livro de contos "A Guerra de Samuel, mas irei fazê-lo. "Hotel" e "O Verão de 2012" são grandes novelas. Inesquecível o seu ensaio autobiográfico enquanto doente com um cancro incurável, "Morrer é mais difícil do que parece".

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    3. É verdade, Artur, o Paulo Varela Gomes deveria ter ficado mais tempo connosco, a deliciar-nos com a sua escrita e a sua presença...
      Se puder, leia o livro de crónicas OURO E CINZA - uma autêntica pérola.
      :-) Antonieta

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    4. Cara Antonieta, obrigado pela sua sugestão. Foi exatamente pelas crónicas do Paulo Varela Gomes no "Público" que passei a tê-lo como um autor especial.

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